Embora o popular chatbot da OpenAI seja responsável por grande parte da atenção que o mundo (e não apenas a tecnologia) tem vindo a dedicar ao tema da Inteligência Artificial (IA) ao longo dos últimos meses, é importante reconhecer que esta promissora tecnologia vai muito além da mera geração de texto.

Os sistemas de processamento de linguagem natural (NLP – Natural Language Processing), como o ChatGPT, são apenas uma das aplicações da Inteligência Artificial e podem fornecer competências na compreensão de conteúdos, tradução automática, geração de texto e podem até ser integrados em motores de busca (como aconteceu no Bing) para fornecer aos utilizadores resultados mais personalizados. Mas a verdade é que explicar o que é a Inteligência Artificial com recurso, exclusivo, ao ChatGPT seria um erro e altamente redutor de todas as potencialidades que esta disciplina tem para nos oferecer.

As previsões da IDC estimam mesmo que o mercado português de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) venha a contar com um investimento de 5,3 mil milhões de euros em 2023, com mais de 70% deste valor a ser aplicado em tecnologias de terceira plataforma, onde se inclui a Inteligência Artificial. E, aqui, podemos identificar sete outras áreas de aplicação que vão para além da IA generativa e que já estão a ter um forte impacto na sociedade, nos negócios e na nossa vida quotidiana.

Em primeiro encontra-se o Processamento Inteligente de Dados. Esta categoria engloba uma vasta gama de aplicações que utilizam algoritmos de IA para analisar dados estruturados e não estruturados. Inclui desde a deteção de fraudes financeiras, a identificação de padrões, a monitorização e o controlo de processos industriais, a investigação médica e farmacológica e a análise preditiva, esta última já amplamente usada por empresas tecnológicas há vários anos.

Outro tipo de utilização diz respeito aos sistemas de recomendação, que utilizam a IA para fazer corresponder as preferências e os interesses dos utilizadores. Estes sistemas recolhem informações direta ou indiretamente dos utilizadores para recomendar produtos, serviços ou conteúdos relevantes. São amplamente utilizados em plataformas de streaming, como a Netflix, comércio eletrónico e plataformas sociais.

Depois temos o processamento de imagens. De facto, a IA é amplamente utilizada para a análise de imagens e vídeos. Os sistemas de reconhecimento de objetos, pessoas e animais, juntamente com o reconhecimento biométrico, têm vastas aplicações na segurança, vigilância e automação industrial. Um excelente exemplo, é a utilização de IA na detecção, e identificação de espécies de aves em correlação com a gestão do movimento das pás de geradores eólicos, evitando ferimentos ou mortes nas primeiras.

Uma evolução na utilização de sistemas de processamento de linguagem natural diz respeito à sua implementação em assistentes virtuais e chatbots capazes de compreender o tom e o contexto de diálogos e documentos textuais, armazenar e reutilizar as informações recebidas e demonstrar desenvoltura durante a conversa. Os principais casos de utilização são no domínio do atendimento ao cliente e do back-office.

Se adicionarmos à equação a integração de algoritmos de Inteligência Artificial com componentes de hardware, encontramos talvez uma das áreas mais disruptivas e promissoras da IA: os veículos autónomos. Estes funcionam utilizando uma combinação de algoritmos e sensores avançados para interpretar o mundo que os rodeia: desde carros autónomos, a aviões e drones de entrega de encomendas, esta tecnologia já está a ter um impacto revolucionário no setor dos transportes.

Os avanços na IA também tornaram possível a criação de robôs autónomos capazes de se mover, manipular objetos e tomar decisões com base em situações ambientais. Estes robôs encontram aplicações em setores como a indústria transformadora, os cuidados de saúde, a logística e até a exploração espacial.

Por último, através da utilização de sensores, da interconexão entre dispositivos e da IA – extensão das implementações IoT (Internet of Things), os objetos inteligentes, como óculos, malas e dispositivos domésticos inteligentes, podem interagir com o que os rodeia e tomar decisões autónomas quando surgem determinadas condições para melhorar a experiência do utilizador.

Estes sete campos de aplicação vão além do ChatGPT e estão a dar um forte impulso ao setor tecnológico no nosso país:

Na 26ª edição do IDC Directions, a consultora estimou ainda um crescimento anual médio de 14,5% nos investimentos diretos em transformação digital até ao ano 2025, com esta área a representar 50% de todo o investimento nacional em TIC até o final de 2025, em Portugal.

Apesar do entusiasmo ao longo dos últimos meses em torno da ferramenta ChatGPT, não nos podemos esquecer de que a IA é muito mais do que um chatbot de conversação. Os sete tipos de aplicações de IA que referi acima estão a transformar a nossa vida quotidiana e setores de produção inteiros, oferecendo novas oportunidades e novos desafios para um mundo que se pretende cada vez mais conectado e eficiente.