Até 26 de maio, data em que o Observador, em parceria com a AEMinho, organiza a Cimeira da Indústria, desafiamos alguns especialistas a escrever sobre os desafios da economia e indústria do futuro. A entrada no evento é gratuita, mediante inscrição, que pode ser feita AQUI.

A indústria portuguesa é, antes de mais, uma história de resiliência e transformação. Hoje continua a representar um pilar fundamental da economia, cerca de 14% do PIB, e uma componente central das exportações. Mais do que o peso relativo, importa sublinhar a qualidade dessa evolução: de uma base tradicional, Portugal construiu uma indústria cada vez mais tecnológica, qualificada e integrada em cadeias de valor globais.

Esta mudança não foi linear nem fácil. Foi construída por empresários que, com visão, risco e uma enorme capacidade de adaptação, atravessaram sucessivos ciclos de crise: a financeira, a pandemia e, mais recentemente, um contexto de inflação, disrupções nas cadeias de valor e pressão energética. Em cada uma dessas fases, a indústria portuguesa não resistiu apenas, reinventou‑se.

É precisamente esta capacidade de adaptação que distingue Portugal hoje. O que antes eram setores intensivos em custo são hoje, em muitos casos, clusters competitivos à escala internacional. Em 2023, as indústrias alimentares (16,5% do VAB), têxteis (13,3%) e os ramos intermédios como borracha, plástico e minerais não metálicos (12,5%) e metalurgia (12,3%) dominavam a estrutura. No entanto, verifica-se uma reconfiguração gradual, com perda de peso dos têxteis e reforço de setores mais dinâmicos. Destacam-se o material de transporte, as indústrias farmacêuticas e outros segmentos de maior intensidade tecnológica, que registaram crescimentos acumulados superiores a 80% entre 2013 e 2023 em alguns casos. Estes sinais são consistentes com a melhoria significativa das qualificações da força de trabalho. No domínio externo, as indústrias extrativas e transformadoras mantêm um papel central nas exportações de bens, com crescimento acumulado de 65,7% entre 2013 e 2025.

Os dados confirmam essa transformação: as exportações industriais cresceram de forma muito expressiva na última década, o investimento direto estrangeiro ganhou peso na indústria portuguesa e as empresas apresentam hoje níveis mais robustos de capitalização e menor endividamento. Ao mesmo tempo, aumentaram a incorporação de energias renováveis e reduziram a exposição estrutural a choques energéticos, reforçando a resiliência do setor.

Mas o desafio não está ultrapassado. Para conseguir competir internacionalmente, a indústria portuguesa continua confrontada com a necessidade de subir na cadeia de valor, ganhar escala, investir em inovação e, sobretudo, de acelerar uma transformação que já começou, mas que ainda está longe de estar concluída.

Neste contexto, também o papel da banca está a mudar. No BPI, acreditamos que não basta financiar, é necessário compreender os setores, antecipar tendências e construir relações de longo prazo para acompanhar o projecto de cada uma das empresas. O reforço da nossa quota de mercado na indústria ao longo dos últimos três anos reflete precisamente essa abordagem: proximidade, especialização e compromisso com o crescimento dos nossos clientes.

A indústria portuguesa não precisa de provar que tem futuro, já o demonstrou. A verdadeira questão é se temos a ambição de acelerar esse futuro. E isso exige investimento, inovação e escala, mas, acima de tudo, um ecossistema de parcerias forte e alinhado com esse objetivo.

Porque uma indústria forte não é apenas um motor económico, é o que sustenta um país mais competitivo, mais resiliente e mais preparado para liderar o seu caminho.

O contexto internacional é exigente, mas também abre oportunidades. As empresas que responderem reforçando produtividade, diferenciando-se tecnologicamente e integrando-se em cadeias globais mais exigentes, serão as que irão liderar a próxima fase de crescimento da economia portuguesa. E esse é, no essencial, o desafio coletivo que temos pela frente.

A Cimeira da Indústria é um evento organizado pelo Observador, em parceria com a AEMinho, e conta com o apoio institucional da Câmara Municipal de Braga. Pretende debater os desafios da indústria para o crescimento da economia em Portugal.

Co-organização

Associação Empresarial do Minho

Parceiro Institucional

Braga Transportes Urbanos de Braga Agere Semanas da Economia de Braga

Parceiros

PwC Tabaqueira Siemens Elior Derichebourg Universidade Católica BPI

Apoios

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