Hoje celebramos o Dia da Internet, uma abreviação de Interconnected Network, que significa redes interligadas. Mas é curioso que, num mundo tão globalizado, ainda persistam alguns mitos que influenciam a maneira como usamos a tecnologia, efetuamos as navegações, preservamos a confidencialidade dos nossos dados e até compreendemos a própria estrutura.

E é precisamente com base neste cenário que é importante esclarecer algumas ideias feitas, as quais ainda condicionam os utilizadores nas suas práticas do dia a dia. Por isso, aqui ficam cinco dos mitos mais comuns explicados com base em factos e não em suposições.

1. A neutralidade da rede está garantida

Mito: A neutralidade da rede — princípio que garante tratamento igual para todo o tráfego online — está longe de ser uma realidade em qualquer parte do mundo.

Por exemplo, nos Estados Unidos da América algumas decisões judiciais recentes revogaram regras que protegiam esse princípio, permitindo agora que os fornecedores de internet possam favorecer ou restringir conteúdos de acordo com os seus interesses comerciais.

Quando não há neutralidade da rede, as operadoras podem dar prioridade a determinados sites ou serviços, o que prejudica a concorrência e limita o acesso dos users. Um exemplo concreto: uma operadora pode favorecer o seu próprio serviço de streaming, diminuindo a velocidade de outras plataformas.

Embora existam iniciativas regionais para defender a neutralidade, a aplicação destas regras varia de país para país, e falhas na regulação podem afetar diretamente a liberdade digital.

2. Usar VPN ou navegação anónima garante privacidade total

Mito: Embora as VPN (uma espécie de túnel virtual que se criar para passar a informação encriptada) e o modo de navegação privada aumentem a proteção, na verdade, não tornam o utilizador invisível. Sites, fornecedores de internet e até extensões do navegador podem continuar a rastrear a atividade online.

O modo anónimo apenas impede o registo do histórico localmente. Porém, não bloqueia a recolha de dados através de cookies ou de técnicas de fingerprinting. Além disso, inúmeros serviços exigem autenticação, o que anula qualquer tentativa real de não-identificação.

Para alcançar uma privacidade mais robusta, é necessário combinar ferramentas (como bloqueadores de rastreadores) com boas práticas digitais. Alguns exemplos de navegadores focados em segurança e privacidade:

— Brave Browser: Bloqueia anúncios e rastreadores por defeito. Integra proteção contra fingerprinting e permite navegação com Tor (anónima). Ótima opção para quem pretende uma proteção básica.

— Mozilla Firefox (com definições de privacidade ajustadas): Inclui proteção contra rastreamento ativada por defeito (Enhanced Tracking Protection) e é muito personalizável. Solução intermédia entre o Brave e o Tor Browser.

— Tor Browser: Baseado no Firefox, encaminha a ligação do user através da rede Tor, dificultando a identificação e o rastreamento. Ideal para quem precisa de máxima privacidade.

3. Usar Wi-Fi é sempre melhor do que ativar dados móveis

Mito: Esta ideia parte do pressuposto de que o Wi-Fi é automaticamente mais rápido e seguro, o que nem sempre é verdade, visto que há redes móveis tão velozes que nem se nota a diferença.

Em espaços públicos — como cafés, aeroportos ou praças — as redes Wi-Fi são alvos frequentes de ataques do tipo man-in-the-middle, ou seja, em que hackers intercetam os dados entre o dispositivo do utilizador e o router. Além disso, quando estão congestionadas ou mal configuradas, podem comprometer a qualidade da ligação.

Por outro lado, redes móveis modernas, como o 5G, incluem algoritmos avançados de encriptação (AES, ZUC e HMAC-SHA-256) e autenticação mútua entre dispositivos e rede.

Estas medidas reforçam a segurança dos dados transmitidos, com velocidades elevadas e baixa latência (pouco atraso na resposta), tornando o seu uso, em variadíssimas situações, mais protegido e eficaz em ambientes exteriores.

4. A internet ser ilimitada e gratuita para todos

Mito: Variados tarifários anunciam “internet ilimitada”, mas introduzem restrições, como a redução significativa da velocidade após determinado consumo de dados (o conhecido throttle).

Além disso, práticas como zero-rating, em que apenas certas aplicações funcionam de forma grátis, criam um ecossistema virtual desigual.

Deste modo, utilizadores com acesso limitado acabam por conhecer apenas as app patrocinadas pelas operadoras. Esta restrição compromete a diversidade de conteúdos e prejudica a inclusão digital de forma ampla.

5. A privacidade online estar sob o nosso controlo

Mito: Mesmo que se adotem precauções — como configuração de permissões, eliminação de cookies e autenticação de dois fatores — isso não garante controlo total da nossa privacidade online.

Isto porque o ecossistema de dados é altamente interligado, sendo que empresas constroem perfis detalhados com base em hábitos de navegação, localização e até padrões de digitação.

Muitas aplicações pedem acesso a dados sensíveis de forma desnecessária — como microfone ou localização — e, em alguns casos, depois vendem essas informações a terceiros.

Além disso, os vazamentos de dados por falhas de segurança são cada vez mais frequentes, como mostram os ataques a grandes plataformas nos últimos anos.

Grande parte dos users acredita ter controlo sobre os seus dados, quando, na realidade, não têm, devido a práticas comuns como rastreamento por cookies, recolha de dados por app e fugas de informação.