Sou defensor de que os exames nacionais continuam a ser um elemento de avaliação essencial  porque avaliam todos os alunos da mesma forma, com base nos mesmos critérios, nas mesmas  perguntas e com a mesma exigência. Nenhum outro instrumento garante esse mesmo grau de  comparabilidade a nível nacional.

Este ano, o Governo avançou com uma reforma inédita neste processo de avaliação. E teve razão  em fazê-lo.

Durante vários anos, os exames foram corrigidos em formato papel onde cada professor corrigia  na íntegra cerca de 40 provas, ficando então responsável pela sua segurança. O novo modelo é  estruturalmente diferente. As provas são digitalizadas e cada professor corrige cerca de 200  itens de resposta de alunos diferentes.

O novo modelo apresenta duas vantagens que me parecem pertinentes de salientar: em primeiro  lugar, o mesmo critério é aplicado da forma consistente ao item de resposta, ao invés da leitura  individual que cada professor faz de uma prova completa. Em segundo lugar, dá ao professor  classificador uma maior liberdade no momento da correção do exame, sem estar preocupado  com o transporte e segurança da prova física.

Todas as reformas, principalmente com esta dimensão (estamos a falar da correção de 300 mil  exames nacionais, perto de 2 milhões de respostas) dificilmente acontecem sem sobressaltos, e  seria ingénuo fingir que este processo correu sem eles. Houve falhas técnicas ao longo do  caminho, como seria de esperar numa primeira aplicação em larga escala de um sistema  totalmente novo, e o calendário sofreu ajustes que geraram, com razão, algum desconforto em  alunos e famílias.

“Mas porque razão o Ministro decidiu fazer esta reforma de uma só vez? Porque não se fez a  reforma por fases?”

São perguntas que legitimamente são feitas por alunos e encarregados de educação, e que  mereceriam naturalmente uma justificação, e esta foi dada pelo Senhor Ministro da Educação,  Ciência e Inovação (MECI).

A resposta é simples, e até reveladora do país que temos, tudo se prende com os fundos do PRR  que precisam de ser executados em tempo recorde. Estes projetos estão presos a um calendário  de implementação rígido e de difícil alteração. Era agora ou perdíamos o dinheiro para o fazer.

Adiar esta oportunidade de reforma no sistema educativo português significaria, muito provavelmente, perder uma oportunidade de modernização que Portugal já atrasou demasiadas  vezes. Escolher entre avançar já, com os ajustes que uma primeira aplicação sempre exige, ou  recuar e perder o financiamento, não era uma escolha fácil. E quem hoje critica a decisão de  avançar deveria também deixar claro que de facto prefere que tudo fique exatamente na mesma.

“O que é o Ministro já fez para atenuar os erros e atrasos causadas pela reforma? Como fica  o acesso ao Ensino Superior? Como ficam os professores com todo o trabalho causado pela reforma?”

Três perguntas que, naturalmente, são importantes nesta fase de rescaldo dos exames nacionais.

Para colmatar todos os erros e atrasos, principalmente na 1.ª fase de exames, foi criada uma  Época Extraordinária a realizar em setembro, para todos os alunos elegíveis para a segunda fase,  bem como, o alargamento da 2.ª fase de candidaturas ao Ensino Superior.

Relativamente às candidaturas ao Ensino Superior, especificamente com a 1.ª fase de  candidaturas, o números dizem tudo. O número de candidaturas subiu em 21.8% em  comparação com o ano anterior, existindo 60.391 candidaturas (mais 10.796 do que em 2025),  dados do MECI. O modelo de exames não prejudicou os alunos, não prejudicou a sua  candidatura ao Ensino Superior.

Quanto aos professores que, a par com outras alturas especialmente críticas para o ensino  português, nomeadamente com o COVID19, corresponderam sem margem para dúvidas à  adoção desta reforma e ajudaram à sua implementação. O MECI garantiu que iria pagar uma  compensação financeira a todos os professores classificadores; os valores podem ser  encontrados nas redes oficiais do MECI. É importante não esquecer que foi este Governo que  descongelou as carreiras dos professores.

Por fim, responder à pergunta que mais se fez durante os últimos meses:  “Será que esta alteração retirou a credibilidade do modelo de correção do exame?”

Primeiro, salientar que este modelo está alinhado com práticas internacionais reconhecidas por  aumentar o rigor e reduzir a variabilidade entre corretores.

Vejamos os dados de reapreciação de prova. É facto que os pedidos de reapreciação de prova  aumentaram, sendo mais de 20 mil. A minha análise é simples. Num universo de 300 mil provas,  20 mil alunos pediram a sua reapreciação. Aplicando a regra dos três simples, número  arredondando às décimas, 6,7% dos alunos sentiram que a sua avaliação da 1.ª fase não  correspondeu ao esperado, ou seja, por oposição 93,7% estão confortáveis com a avaliação que tiveram. O modelo é confiável.

Ainda assim, é um número que o Ministério deve continuar a monitorizar nas proximas fases,  para perceber se estabiliza à medida que o sistema amadurece.

A 2.ª fase dos exames nacionais está terminada, com todos os alunos devidamente avaliados a  tempo, com a 1.ª fase de acesso ao Ensino Superior com mais 10 mil novas candidaturas. E por  fim, retomada a normalidade na educação em Portugal, a reforma está feita. Com vários erros  pelo caminho, é certo e não podem ser ignorados. Mas seguramente que podemos dizer que  existe um Ministro com uma visão de modernização do ensino em Portugal.