Rádio Observador

Privacidade

Gratuito é mentira

Autor
  • João Nuno Vilaça
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Que estamos a ceder em troca destas aplicações e serviços gratuitos? A nossa alma? Quase. Estamos a ceder os nossos dados, que são extremamente valiosos e pessoais. São o recurso mais valioso do mundo

A privacidade é como lavar os dentes, se não o fizermos, vão doer. Podemos ter o ritual de lavar os dentes várias vezes ao dia, mas quando instalamos uma aplicação gratuita ou nos registamos num serviço gratuito, temos o ritual de ler os termos e condições? Não!? Também são páginas cheias de letras pequenas e em maiúsculas, tornando a sua leitura um verdadeiro pesadelo. Se lêssemos tudo, teríamos que abdicar de um mês de trabalho anualmente. Quase 180 horas todos os anos. Para exemplificar que quase ninguém o faz, uma empresa chamada Game Station, apenas durante um dia colocou nos seus termos e condições que o utilizador, ao aceitar, cedia a sua alma imortal à empresa para toda a eternidade. Sete mil pobres almas foram colhidas nesse dia!

Então o que é que estamos a ceder em troca destas aplicações e serviços gratuitos? A nossa alma? Quase. Estamos a ceder os nossos dados, que são extremamente valiosos e pessoais. O recurso mais valioso do mundo já não é o petróleo, mas sim os nossos dados. E nós estamos a oferecer os mesmos em troca de serviços a empresas como a Google e o Facebook, em que o modelo de negócios comum é a gratuitidade. Se tivéssemos de pagar pelos serviços que a Google disponibiliza “gratuitamente”, cada um de nós teria de lhes pagar 500 dólares por ano, pois esse é o valor dos dados que cada um de nós lhes está a fornecer. O Facebook comprou a aplicação WhatsApp por 19 mil milhões de dólares. Valia tanto, porque na altura, já tinham 450 milhões de números de telemóvel, mas ainda mais importante, porque compraram o direito de poder ler e escutar qualquer comunicação entre esses 450 milhões de números de telemóvel. Um dos cofundadores do WhatsApp, Brian Acton, com remorsos, disse que vendeu a privacidade dos seus utilizadores e, por ter saído cedo demais do Facebook, este bilionário perdeu 800 milhões de dólares no processo. Remorsos não será o termo mais adequado, já que, recentemente, o mesmo lançou a campanha #deletefacebook.

Estes serviços precisam dos nossos dados para sobreviver e para poder crescer e quanto mais serviços oferecem, mais atrativos se tornam e mais dados obtêm. O lucro do modelo de negócio do “gratuito” consubstancializa-se com a cedência dos nossos dados, e “se não estás a pagar pelo serviço, tu não és o cliente, mas sim o produto a ser vendido.”

Não queremos ser todos iguais, pois não?

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