Comecei a estudar Engenharia de Software no início da minha transição de carreira para a área da tecnologia. Vinha de outro setor, cheia de vontade de aprender e construir algo novo. Mas, com o tempo, percebi que, embora valorizasse a lógica e criatividade da programação, não era ali que me via a longo prazo.

Foi através de um programa de mentoria dedicado às Women in Tech que tudo começou a mudar. A minha mentora abriu-me os olhos para outras possibilidades: gestão de produto, gestão de projeto, liderança de equipas técnicas. Foi esse processo que me ajudou a repensar a minha trajetória e perceber que havia espaço para mim na tecnologia, mesmo que o meu lugar não fosse a programar.

A mentoria, nesse momento, não foi apenas um apoio, foi um ponto de viragem.

Este é apenas um exemplo do impacto que programas de mentoria podem ter. São oportunidades valiosas para mulheres em início de carreira, em transição ou mesmo em momentos de estagnação profissional. Ao promover o diálogo com alguém mais experiente, a mentoria encurta caminhos, torna visível o que antes parecia distante e reforça a confiança em momentos de dúvida.

Mais do que transferir conhecimento técnico, uma boa mentoria cria espaço para conversas honestas sobre inseguranças, ambições, e até o famoso “síndrome de impostora” que tantas mulheres enfrentam neste setor. É um espaço de validação e incentivo, onde aprendemos que não estamos sozinhas nas nossas dúvidas. E que sim, temos um lugar para nós aqui.

Num setor ainda marcado pela desigualdade de género, com falta de referências femininas em cargos de liderança e áreas técnicas, a mentoria tem também um papel simbólico muito poderoso. Quando vemos mulheres à frente de produtos, liderando equipas de engenharia ou a tomar decisões estratégicas, vemos possibilidades para o nosso próprio caminho. Representatividade inspira ambição.

É por isso que iniciativas como a da Portuguese Women in Tech, que promovem programas de mentoria, são tão relevantes. Elas criam pontes, promovem redes de apoio e constroem comunidades mais inclusivas e diversas. São estas ações concretas que transformam o setor. Não apenas com mais mulheres, mas com mais mulheres confiantes, empoderadas e preparadas.

Hoje, faço questão de retribuir e também sou mentora. Porque sei, em primeira mão, o que este tipo de apoio pode representar. E porque acredito que, ao ajudar outra mulher a crescer, estamos a empurrar toda a indústria na direção certa.

Mentoria é, no fundo, um ato de compromisso com o futuro da tecnologia: um futuro mais equitativo, mais humano e mais representativo.

O Observador associa-se à comunidade PortugueseWomeninTech para dar voz às mulheres que compõe o ecossistema tecnológico português. O artigo representa a opinião pessoal do autor enquadrada nos valores da comunidade.