Ciência

Ninguém pode parar a evolução, mas há sempre quem resista

Autor
  • Cláudia Botelho
127

Existe uma séria necessidade de implementar uma verdadeira carreira científica em Portugal, pois só assim podemos aspirar a um real crescimento consolidado.

O sistema científico português vive hoje um novo momento de revolução. Após duas décadas em que se apostou nas infraestruturas, na organização institucional e no reconhecimento externo da excelência científica portuguesa, chegou finalmente a hora, pela qual se aguardava há mais de uma década, de olhar para os recursos humanos, para os cientistas portugueses. Homens e mulheres que fazem brilhar a ciência portuguesa a nível mundial, dotados de olhares no finito e no infinito, donos de visões que têm merecido prémios, que têm ajudado a ciência fundamental a catapultar a inovação, que têm resistido à crise estoicamente ajudando as empresas a inovar, a olhar o mundo de modos distintos, a fomentar a arte do ser, a olhar a história de uma outra perspectiva. São estes homens e mulheres que têm vivido em Portugal durante anos e anos na precariedade, saltando de bolsa em bolsa, sem quaisquer direitos sociais dignos e sem o reconhecimento há muito merecido por parte da sociedade. São estes homens e mulheres que hoje veem finalmente uma oportunidade digna com a implementação desta nova Lei (L57/2017).

Apesar de todo o contributo que estes têm dado nas áreas da educação, das artes, do conhecimento científico, da inovação, da transferência do conhecimento e na capacidade de captação de investimento para as instituições e empresas em Portugal, existem alguns sectores da comunidade científica que ainda assim resistem à implementação de contratos de trabalho. Pode-se questionar a qualidade da Lei? Certamente, pode (e deve) ser melhorada. Existe, porém, uma séria necessidade de implementar uma verdadeira carreira científica em Portugal, pois só assim podemos aspirar a um real crescimento consolidado. Os nossos líderes políticos, reitores, diretores de laboratórios e de centros de investigação devem olhar para o tecido científico como um todo, mas sem nunca se esquecerem que o mesmo existe porque existe pluralismo científico, fruto dos que alimentam esse setor todos os dias… as pessoas, os cientistas. Neste momento, porventura, o mais convuluido da história do emprego cientifico, todos os atores querem melhorar o sistema que temos, os cientistas querem produzir mais e melhor, mas para isso, a estabilidade profissional é instrumental, os decisores politicos querem um País internacionalmente competitivo em termos cientificos e de empregabilidade, os reitores, diretores de laboratórios e de centros de investigação desejam que as suas instituições sejam capacitadas com recursos humanos e financeiros que lhes permitam cumprir excelsamente a sua missão. Ora, se todos visam o mesmo fim, se bem que com percursos e especificidades distintas, porque é que não estamos a conseguir avançar ao ritmo que podiamos (e deviamos)? A resposta não será simples, mas certamente que o papel da comunicação entre as partes é fundamental.

Esta é a altura de consensos e convergências, pela ciência, pelos cientistas, pelas instituições, pelos cidadãos, pelo nosso País, Portugal. A Associação Nacional de Investigadores de Ciência e Tecnologia (ANICT) continuará a trabalhar em prol da dignificação da ciência em Portugal alicerçada numa verdadeira carreira científica.

Presidente da direção da ANICT

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Ciência

Ciência em Portugal: o jogo do empurra

Cláudia Botelho
219

O Decreto-Lei parecia a luz ao fim do túnel, o fim da figura de eterno bolseiro de investigação e o primeiro passo para o fim da precariedade em ciência. Infelizmente, a situação está igual ou pior.

Bioética

Eutanásia: ouvir os avisos da Holanda

Isabel Galriça Neto
1.603

Os factos e a realidade da Holanda estão à vista de quem os quiser ver, não podem ser ignorados, e suportam a inconveniência de fazer uma lei que permita a eutanásia na linha das propostas existentes.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Ligue-se agora via

Facebook Google

Não publicamos nada no seu perfil sem a sua autorização. Ao registar-se está a aceitar os Termos e Condições e a Política de Privacidade.

Detalhes da assinatura

Acesso ilimitado a todos os artigos do Observador, na Web e nas Apps, até três dispositivos.

E tenha acesso a

  • Comentários - Dê a sua opinião e participe nos debates
  • Alertas - Siga os tópicos, autores e programas que quer acompanhar
  • Guardados - Guarde os artigos para ler mais tarde, sincronizado com a app
  • Histórico - Lista cronológica dos artigos que leu unificada entre app e site

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Inicie a sessão

Ou registe-se

Ao registar-se está a aceitar os Termos e Condições e a Política de Privacidade.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)