Portugal entra em 2026 num momento de aparente triunfo macroeconómico, coroado  pelo reconhecimento da revista The Economist como a “economia do ano” de 2025,  graças a um crescimento robusto do PIB, inflação controlada e um mercado bolsista  em alta. As projeções do Banco de Portugal e da OCDE apontam para uma expansão  entre 2,2% e 2,3% este ano, sustentada pelo consumo privado, investimento e  exportações, com desemprego em mínimos históricos e contas públicas relativamente  estáveis, apesar do fim gradual dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência.  Após a crise da troïka, a pandemia e anos de austeridade, o país consolidou uma  imagem de resiliência e responsabilidade financeira que merece ser celebrada.

No entanto, esta narrativa de sucesso não pode ofuscar as fragilidades estruturais que  continuam a condicionar a vida de milhões de portugueses. O crescimento económico,  por si só, não tem traduzido em condições de vida dignas, previsibilidade ou esperança para as gerações mais jovens. Por detrás dos indicadores positivos, persistem  bloqueios profundos na habitação e na demografia que aprofundam desigualdades e  ameaçam a sustentabilidade social do país. Em 2026, com eleições presidenciais  marcadas para 18 de janeiro, num contexto de recorde de candidaturas validadas e um  Parlamento fragmentado, o risco de paralisia política é mais uma vez elevado. Mais do  que nunca, é tempo de reconhecer que o Estado, sozinho, não resolve estes  problemas. A história recente demonstra que intervenções estatais pesadas geram  burocracia, ineficiências e expectativas frustradas. As soluções devem vir das  pessoas, das famílias, das comunidades, das empresas privadas e de iniciativas  individuais, mais ágeis e eficazes na alocação de recursos.

Uma abordagem verdadeiramente liberal, centrada na redução da intervenção estatal,  na desburocratização, na descida da carga fiscal e no estímulo ao mercado e à  iniciativa privada, oferece o caminho mais promissor para resolver estas crises. Não se  trata de ideologia partidária, mas de princípios básicos de liberdade económica.  Menos impostos, menos entraves regulatórios e mais confiança na capacidade dos  indivíduos e das empresas para criar riqueza e oportunidades.

A crise da habitação permanece o desafio mais visível e transversal, reconhecida pelo  próprio Governo no Orçamento do Estado para 2026 como uma “grave crise  habitacional”. Preços de compra e rendas atingiram níveis históricos, desfasados dos  rendimentos médios, transformando o acesso a casa num fator de exclusão social,  especialmente nos centros urbanos. Programas estatais anteriores, com promessas de milhares de casas públicas, revelaram-se lentos e ineficazes, reforçando a  desconfiança na capacidade do Estado para intervir diretamente.

A solução passa por aumentar massivamente a oferta, removendo os entraves que o  próprio Estado criou. Reduzir o IVA na construção para a taxa mínima europeia de 6%,  eliminar o IMT na compra de primeira habitação permanente, abolir o AIMI e o imposto  de selo em transações habitacionais, baixar significativamente a tributação sobre  rendas e isentar temporariamente mais-valias na venda de imóveis colocados no  mercado de arrendamento seriam medidas imediatas para desonerar o setor.  Incentivar a conversão de solos rústicos em urbanos, simplificar radicalmente os  licenciamentos, com prazos máximos e silêncio administrativo positivo, facilitar casas  modulares e pré-fabricadas e criar um código da construção previsível libertariam o  potencial do mercado privado. Promotores, fundos de investimento, pequenos  proprietários e cooperativas poderiam então responder à procura com mais casas,  mais rapidamente e a preços mais acessíveis. O Estado limitar-se-ia a regular de forma  estável e previsível, sem pretender ser construtor ou gestor em grande escala,  deixando que a concorrência e a inovação façam baixar os preços.

Paralelamente, a crise demográfica continua subestimada, apesar de Portugal ser um  dos países mais envelhecidos da Europa, com natalidade baixa e dependência  crescente da imigração. Em 2023, a população residente ultrapassou os 10,6 milhões  graças ao saldo migratório positivo. Sem fluxos migratórios consistentes, o  envelhecimento acelera e o sistema enfrenta riscos a médio prazo. Medidas estatais  pontuais como creches gratuitas ou deduções fiscais são úteis, mas insuficientes, a  natalidade não sobe apenas com subsídios, mas com maior rendimento disponível,  segurança económica e confiança no futuro.

Aqui, a minha sugestão seria desonerar as famílias e devolver-lhes liberdade de  escolha. Baixar a carga fiscal sobre o trabalho e as empresas, reduzindo IRS e IRC, aumentaria o rendimento líquido, permitindo que as famílias decidam ter os filhos que  desejam sem serem penalizadas pelo Estado. Aplicar IVA reduzido em produtos  essenciais para bebés e crianças.

As empresas, libertas de encargos excessivos, poderiam oferecer horários flexíveis,  licenças parentais generosas, creches corporativas ou apoio à fertilidade,  beneficiando de incentivos fiscais para tais políticas. Indivíduos e comunidades  ganhariam margem para priorizar a família. mudar para zonas mais acessíveis,  acumular poupança ou regressar após experiência no estrangeiro. Quanto à imigração,  o setor privado deve liderar o recrutamento e a integração, fornecendo habitação e  formação, sem sobrecarregar os serviços públicos, ora é o setor que mais beneficia  com ela.

Num contexto externo de incerteza, com guerras, tensões comerciais e instabilidade  global a ameaçar exportações e turismo, Portugal precisa de resiliência orgânica,  baseada em inovação privada e coesão social espontânea. O próximo Presidente da  República, eleito num escrutínio com múltiplos candidatos e polarização acentuada,  terá de promover consensos, mas também pressionar por menos intervenção estatal e  mais liberdade individual.

Portugal já provou capacidade de adaptação em crises passadas, mas 2026 não pode  ser ano de mera gestão ou celebração prematura. Os desafios estão identificados, habitação inacessível e demografia em declínio ameaçam o futuro coletivo. Uma  abordagem liberal, com desburocratização profunda, corte de impostos, estímulo ao  mercado e confiança nas pessoas, oferecia as ferramentas mais eficazes para inverter  o rumo. O Estado deve facilitar e regular, mas são as pessoas, famílias, empresários e comunidades que detêm o verdadeiro poder de mudança. Construindo mais casas  através da liberdade de mercado, adotando políticas pró-família nas empresas,  priorizando a natalidade nas escolhas pessoais, podemos criar um Portugal mais  próspero e sustentável. Uma narrativa honesta, que valorize contributos de todas as  gerações sem dramatismos, mobilizará o país. O que está em causa é se 2026 será o  ano da ambição ou mais um de adiamentos que comprometem o nosso futuro comum.

Desejo a todos um bom ano de 2026.