O envelhecimento demográfico é uma realidade presente em Portugal. Um em cada  quatro portugueses tem 65 anos ou mais. O número de idosos aproxima-se do dobro do  número de jovens, com 186 idosos por cada 100 jovens, e, segundo as projeções mais  recentes, Portugal será, nas próximas décadas, um dos países onde a população  envelhecerá mais rapidamente.

Apesar deste cenário, o Tâmega e Sousa é uma das raras regiões em Portugal que contraria  esta tendência. Embora também enfrente o envelhecimento da sua população, com cerca  de 22% da população com mais de 65 anos, um pouco abaixo da média nacional de 24,1%,  tem a seu favor uma taxa de jovens com menos de 15 anos de 14,3%, acima da média  nacional de 12,8%.

Estes números evidenciam um potencial significativo, mas que não está a ser aproveitado  como deveria. A região continua a enfrentar desafios estruturais que condicionam o seu  progresso e desenvolvimento. A escassez de oportunidades de emprego qualificado,  conjugada com a insuficiência de uma oferta diversificada de instituições de ensino  superior, limita as opções para quem pretende estabelecer-se profissionalmente no  território e para quem ambiciona iniciar e prosseguir a sua formação.

Enquanto o Tâmega e Sousa continuar a depender fortemente de setores tradicionais,  como o têxtil, o calçado e o mobiliário, e não for capaz de acompanhar as exigências de  um mundo ultra globalizado e competitivo que exige uma crescente especialização em  áreas ainda pouco desenvolvidos na base económica local, como a ciência, a tecnologia  e a inovação, a região arrisca-se a ficar progressivamente ultrapassada, comprometendo  tanto o seu desenvolvimento a curto prazo como o futuro das novas gerações.

Adicionalmente, a ausência de um plano reformador e estruturante de mobilidade  sustentável, que reforce a oferta de transportes públicos e promova a intermodalidade,  compromete o direito à mobilidade, limita o desenvolvimento da região e dificulta o  acesso aos principais centros urbanos. A linha ferroviária do Vale do Sousa, que  futuramente irá ligar os concelhos de Amarante, Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira,  potenciando a sua competitividade e dinamismo, continua atrasada e não mereceu a  devida atenção do último governo.

Para que o Tâmega e Sousa consiga concretizar o seu enorme potencial, é necessário e  urgente um esforço conjunto entre o poder político, a sociedade civil e as empresas locais,  para a criação de uma visão estratégica de profunda revitalização económica e social,  centralizando-se na capacidade de colocar os jovens no centro das suas prioridades.  Garantindo igualdade de oportunidades e responsabilidades. Políticas públicas inclusivas  que apostem numa educação mais qualificada e acessível, acompanhadas por uma robusta  modernização das empresas locais e pela diversificação da economia e com a mobilidade  a desempenhar um papel fundamental na interligação das comunidades.

O futuro do Tâmega e Sousa depende da capacidade de toda a comunidade em criar as  condições para que os jovens não vejam a região apenas como um lugar de partida, mas  como um espaço para se desenvolverem, encontrarem oportunidades e concretizarem o  seu potencial na terra de origem.