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Já a seguir, A Conversar é que Podemos Mudar a Educação. Um programa trazido pelo Santander.
O futuro promete transformações digitais. Promete um planeta que inspira sustentabilidade e um mundo totalmente conectado. E promete a ferramenta mais poderosa de todas: um conhecimento sem fim. Hoje é só uma promessa, amanhã é a prova. O Santander apoia a tua formação para que alcances as tuas metas profissionais. Sabe mais em santander.pt. Santander, o que podemos fazer por ti hoje?
Em mais um A Conversar é que Podemos Mudar a Educação, conhecemos o projeto Psicon, uma plataforma de apoio psicológico criada a pensar nos desafios que a pandemia também criou em todos nós na área da saúde mental. Esta ideia valeu à equipa deste projeto o prêmio Santander Uni COVID-19, uma das respostas do Banco Santander à situação de emergência provocada pelo novo coronavírus, apoiando as iniciativas com impacto social que jovens universitários e outros membros da comunidade acadêmica têm realizado neste contexto adverso. Hoje está conosco a Margarida Rangel Henriques, é a coordenadora geral deste projeto Psicon. Margarida, bem-vinda. Obrigada pela disponibilidade.
Muito obrigada, eu é que agradeço o convite. Com todo o gosto que aqui estou e agradeço, obviamente, a iniciativa do prêmio Santander, porque é sempre um prazer podermos apresentar os projetos e sentir esta espécie de reconhecimento do trabalho que desenvolvemos.
Sinto que esta ideia, eu expliquei um pouco no início, esta pandemia criou desafios a todos nós a nível da saúde mental. E esta ideia nasceu também da necessidade de crescimento de uma linha de apoio, que já existia, a linha de apoio psicológico da Universidade do Porto. Foi isto?
A linha de apoio existia desde o início do confinamento, não preexistia ao confinamento. A linha de apoio passou a existir em março, no início de março, quando a faculdade considerou que iria estar com a atividade presencial encerrada. E em articulação com essa linha de apoio, houve logo a ideia de haver também uma possibilidade de uma intervenção de um suporte psicológico mais aprofundado e mais continuado, que nos parecia que iria enriquecer certas situações em que só um telefonema seria de menos. E depois, naturalmente, demorou algum tempo mais a preparar todo o site e toda a formação das pessoas para dar esse tipo de atendimento. A linha começou em março, nós começamos em abril.
Abril. Portanto, tudo isto resultou da necessidade de quem vos procurava em ter aqui um suporte diferente. Explicava-nos que a linha inicial era só através de chamada. No vosso caso, há aqui uma abrangência maior.
Exatamente. As pessoas podem escolher, temos uma resposta em tela e chamada. Naturalmente, também poderemos ter só chamada, se a pessoa não quiser estar com a imagem e quiser falar. A diferença nesse caso é que há um acompanhamento previsto de um máximo de seis sessões e, portanto, a pessoa está com o mesmo psicólogo, regularmente e na periodicidade que melhor entender. Em geral, as sessões têm sido semanais, mas pode acontecer quinzenal, como as pessoas acharem melhor, com o mesmo psicólogo a trabalhar alguma questão. Temos uma modalidade, que foi a que durante o confinamento encontrou maior interesse na população, que foi a resposta por chat. Bastantes pessoas diziam não ter a privacidade suficiente em casa para telefonemas ou chamadas telefônicas e preferiam um suporte psicológico através de uma conversa só escrita.
Portanto, uma troca de mensagens para ver esclarecidos aqui alguns receios, imagino. Esta linha é destinada à comunidade da Universidade do Porto, não é assim? E tem aqui um detalhe muito curioso, porque este acompanhamento é feito em várias línguas, não é, se for necessário.
Exatamente. Temos esse privilégio de ter psicólogos, neste momento, mestres em psicologia clínica, que realmente estão em condições de oferecer o atendimento em alemão, em inglês, em espanhol e em português.
Sinto que vocês têm quantas pessoas a trabalhar convosco, e vamos repetir isto novamente, são profissionais qualificados, obviamente.
Ao todo, actualmente, a equipa tem 27 profissionais a fazer este voluntariado. Estamos a considerar desde professores, que posso dizer, catedráticos e que assumem disponibilidade para fazer supervisão de caso. Todos os casos são supervisionados um a um e temos, para cada caso, sempre no fundo, duas pessoas. Nos acompanhamentos individuais, especificamente, temos um grupo de uma equipa para já de 10 pessoas. Tem sido optado por fazermos também reuniões de coordenação e intervisão semanais. E então este grupo não é, de facto, muito alargado. Procuramos é que vão tendo uma experiência crescente com o tipo de apoio que é necessário.
E já deram apoio a quantas pessoas? Temos números, Margarida?
Temos. De número de sessões, temos um total de cerca de 225 sessões de terapia e de acompanhamento psicológico. A nível de pessoas, corresponderá a volta de 80 pessoas, um pouco acima.
Certo, e as preocupações mais frequentes, quais são?
Nós temos duas consultas, vamos dizer, tematicamente de especialidade, que em termos de número de casos, tem tido um número mais reduzido, mas está logo o tema das preocupações associadas ao tema da consulta. Uma delas é o teletrabalho, no sentido da conciliação entre o trabalho e a vida familiar, e tem tido alguma procura. E a outra é a consultoria a pais de crianças pequenas, nomeadamente bebês, que também teve alguma procura. Realmente, a maior parte da procura é para casos de terapia individual. Na sua grande maioria, cerca de 84% dos casos são Estudantes. Os restantes é população geral ou outros elementos da academia. E as preocupações são comuns. Específicas dos estudantes foram, nos meses de maio, junho, as dificuldades em gerir as questões do estudo e do trabalho e a sensação muito profunda de falta de rendimento, algum receio de estar numa situação muito díspar em relação aos colegas, que se tornava muito invalidador da evolução acadêmica. E depois comuns, não encontramos diferença entre estudantes e o restante da população. São problemas mais de ansiedade, depressão e dificuldades relacionais. Muita gente voltou às famílias, tendo antes estado a viver fora, e isto trouxe novas dificuldades, que é muito não sentiam, ou outras são mesmo inaugurais, de estar em conjunto com a família nesta situação de tensão e preocupação. E outras, ao contrário, ficaram muito distanciadas da família, muito tempo a viver com colegas com quem viviam alguns dias na semana, mas não tão intensivamente, o que se tornou também desafiante.
Os desafios são vários, a procura de respostas também. Vocês também têm aqui um lado curioso, a parte de acompanhamento de doentes recuperados da Covid-19, certo?
Exatamente, mas aí não temos tido, para já, ainda muita procura, talvez estejam agora a chegar, em que sugerimos às pessoas que venham contar a sua narrativa, que venham contar a sua história, a sua experiência. Isto é baseado em experiências também de outros países, nomeadamente Espanha, Brasil e alguns países da América Latina, em que as pessoas encontram uma resposta muito importante em poder partilhar as suas dificuldades, as suas emoções mais difíceis, mas também os seus recursos. Penso que só depois das pessoas experimentarem é que perceberiam isso, que isto não é uma narrativa de lamúria, não é uma narrativa só de sufoco, de desespero, mas é uma oportunidade de narrar como é que as pessoas conseguiram ter tantos recursos apreciáveis para sobreviver a uma situação destas.
E Margarida Rangel Henriques, esse vai ser o próximo passo para este projeto, começar a falar com essas pessoas, é esse o objetivo?
Gostaríamos, sim, que também crescesse por aí. Agora temos vários objetivos. Pensamos que ainda devemos crescer bastante também ao nível da quantidade de pessoas a atender na retoma, assim mais em cheio. No início do ano letivo, receamos que a situação venha a ser, de facto, muito exigente. Todos os estudantes voltarem para as faculdades ou um semipresencial, vai ser entre a ambiguidade e a exposição ao risco maior. Estamos a pensar que temos que manter e ampliar um pouquinho até a quantidade de pessoas, porque possa haver mais procura. E também há uma outra área que gostaríamos de evoluir, é para uma resposta, como dizia, a quem superou e a quem está enlutado. A literatura alerta-nos muito para o risco de um luto traumático associado à pandemia. E esse luto traumático, em princípio, dá sinais de si a partir dos seis meses. Queríamos ver se conseguíamos disponibilizar ainda, a título gracioso, um semestre de suporte a quem estivesse mais nestas circunstâncias.
E ao longo deste percurso, quais foram os apoios que foram recebendo? Como é que vão financiando este projeto? Trabalha muito à base de trabalho voluntário também, não é?
Completamente. O financiamento tem sido a infraestrutura da Universidade do Porto, que tem sido muito importante, concretamente a conceber o site e a poder dar apoio técnico sempre que necessário. As credenciais necessárias para ter boa utilização do Zoom, e temos tido a utilização. Usamos também o Zoom para o chat e para outras, com algumas condições que consideramos de maior interesse do ponto de vista da proteção de dados. De resto, tem sido, de facto, trabalho voluntário. Algumas das pessoas conseguiram integrar este suporte na sua agenda de trabalho, psicólogos de serviços de psicologia da Universidade do Porto, que têm conseguido fazer, de facto, a alocação de algum do seu tempo de trabalho à PsiCon. Outros é em tempo extra, que se vão dedicando.
E vocês vão aplicar este prémio, como nos dizia há pouco, também nesse reforço da equipa para cumprir esses novos objetivos que agora este pós-confinamento vai também colocar.
Tal e qual. Teríamos muitos sonhos para o prémio, mas vamos tentar distribuir um pouquinho por cada coisa e realmente é no sentido também de aprofundar a investigação sobre os casos de quem nos procura. Essa parte ainda não temos implementada, de ter regularmente uma avaliação psicoterapêutica pré e pós-intervenção, que nós consideramos que pode ajudar na qualidade da intervenção. Isso requererá o preenchimento de alguns questionários, iremos fazê-lo. E também porque confrontamo-nos com uma situação que isto tem sido tudo muito resolvido sob pressão, porque não há muito tempo para antecipar todos os aspetos, que foi, de repente, todos os voluntários precisarem de férias em agosto e, portanto, termos face à hipótese ou de não atender, o que não nos fazia muito sentido, numa linha de socorro, vamos dizer, haver férias e para não fecharmos, ficamos mais tranquilos em financiar o trabalho de alguém sênior e que fique a dar resposta durante este mês, enquanto os outros descansam um pouco para retomar em setembro.
Claro. E para quem está a ouvir, existe alguma forma de saber mais sobre vocês? Imagino através dos meios normais, da Universidade do Porto também. Está lá toda a informação.
Exatamente. Eu penso que o ideal é realmente recorrer à página, mesmo que não precisem da nossa ajuda, pode ser útil dar uma voltinha, até porque tem uma dimensão de divulgação de informação com crivo científico e muito dedicado. Ou seja, há um grupo de intervenção que é só para autoajuda. Portanto, é uma seleção de materiais para adultos, para jovens e para crianças, que possam beneficiar quem lê e procura, imagina um roteiro para fazer o seu próprio relaxamento. Quem procura informação mais precisa sobre a questão do contágio, quem procura informação de um livro que possa ajudar o seu filho a compreender o que se passa ou a lidar melhor com a ansiedade de tanto tempo em casa. Portanto, nós vamos tendo estes recursos lá, penso que não gasta lugar a quem lhes possa dar uma vista de olhos, ter uma leitura e também porque pode sempre indicar a qualquer pessoa. Isto começou por ser uma plataforma dedicada realmente ao público acadêmico. Neste momento, consideramos que temos uma capacidade de resposta que expande e, portanto, estamos abertos a qualquer pessoa da população geral.
E Margarida, qual é o endereço para quem nos está a ouvir, quer saber mais, fazê-lo. Portanto, encontrar esta página do suporte psicológico. Qual é o endereço?
O endereço, e esse eu vou dizer até bem devagar, porque não é muito fácil. No Google, se procurarem bem, acabam por encontrar, através da UP também, mas a ida direta é o seguinte: up.pt/suporte-psicologico-online. E assim fica completo.
E é por lá que tem toda a informação, tem também alguns recursos de autoajuda muito curiosos.
Exatamente. Portanto, uma viagem a este site acho que poderá dar jeito, como vos digo, para o próprio ou para recomendar a alguém. É bastante simples, não tem muita informação e tem este banco de dados para autoajuda, com informação diversa e que pode ajudar adultos, jovens, crianças. E tem desde informação realmente mais lúdica e de partilha e documentação informativa, que foi importante até ao momento, como alguma informação mais de foro psicológico, de autoajuda, como guiões de relaxamento, rotinas, questões que consideramos que do ponto de vista psicológico, têm uma eficácia muito grande para gerir problemas agudos de ansiedade. E depois tem uma forma de inscrição bastante simples e recebem de volta um e-mail da PSICOM, a propor-vos uma data para marcação. As pessoas podem indicar uma data preferencial, dia e hora de preferência, sempre que possível é respeitado, senão por e-mail vão conversando com o psicólogo que as irá atender, de forma a ajustarem o melhor possível o tempo para ambos. Realmente, caso se inscrevam e não queiram depois no momento utilizar, também não haverá qualquer problema. Portanto, se fizerem eventualmente uma inscrição e depois quando chegar a altura não se sintam disponíveis, nós compreendemos perfeitamente, isso por vezes acontece e também não há qualquer problema. Pior que tudo é não conhecer, é não procurar e é, se precisar de ajuda, não resistir e não fazer esta aventura. As pessoas têm gostado bastante, têm dado um feedback que se mostram bastante surpresas com o efeito que teve em si estas conversas.
Muito bem. Portanto, o importante é procurar, conhecer. Fica este convite a ir até esta página desta ideia, a PSICOM, que valeu à equipa o prémio Santander Uni COVID-19. A Margarida Rangel Henriques é a coordenadora deste projeto e esteve conosco nesta conversa. Margarida, muito obrigada, tudo a correr bem. Até à próxima.
Muito obrigada. Muito obrigada por esta conversa.
A Conversar É Que Podemos Mudar a Educação. Um programa trazido pelo Santander.
O futuro promete transformações digitais. Promete um planeta que inspira sustentabilidade e um mundo totalmente conectado. E promete a ferramenta mais poderosa de todas: um conhecimento sem fim. Hoje é só uma promessa, amanhã é a prova. O Santander apoia a tua formação para que alcances as tuas metas profissionais. Saiba mais em santander.pt. Santander, o que podemos fazer por ti hoje?