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Já a seguir, A Conversar é que Podemos Mudar a Educação. Um programa trazido pelo Santander.
O futuro promete transformações digitais. Promete um planeta que inspira sustentabilidade e o mundo totalmente conectado. E promete a ferramenta mais poderosa de todas: um conhecimento sem fim. Hoje és uma promessa, amanhã és pró. O Santander apoia a tua formação para que alcances as tuas metas profissionais. Sabe mais em santander.pt. Santander, o que podemos fazer por ti hoje?
Muito bem-vindos a mais um episódio do A Conversar é que Podemos Mudar a Educação. Hoje conhecemos o projeto Zelar@CB, zelar pelos idosos em espaço rural e falamos aqui do grande vencedor do prêmio Santander Uni Covid-19. Foi uma das respostas do Banco Santander à situação de emergência provocada pela pandemia. Uma iniciativa que pretende realçar e apoiar as iniciativas com impacto social que os jovens universitários e outros membros da comunidade acadêmica têm realizado neste contexto, que é no mínimo adverso. Este projeto, o Zelar@CB, consiste numa aplicação para monitorizar indicadores relacionados com as atividades diárias dos idosos isolados, alertando para qualquer modificação dos seus hábitos. A ideia foi desenvolvida pelo docente e subdiretor da Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Castelo Branco, Rogério Dionísio, que se junta agora a nós. Rogério, muito obrigado por conversar conosco.
Olá, bom dia. Muito obrigado também pela oportunidade que nos dão para divulgar este projeto.
Em primeiro lugar, parabéns pela vitória neste Uni Covid-19 do Santander. E começo por lhe perguntar, claro está, como é que nasceu esta ideia.
Esta ideia nasceu, obviamente, durante o período de pandemia, da necessidade de contactar familiares e no caso particular da minha mãe, que está a viver isolada numa quinta próxima de Castelo Branco e portanto, devido a esta situação e por necessidade de distanciamento social, o contacto de proximidade foi bastante reduzido. As pessoas idosas, a maioria delas tem ou tendem a ter problemas de saúde, as quedas são frequentes e portanto, obviamente que eu e muitos dos que estão nessa situação ficamos preocupados quando estamos sem contactar com os nossos entes queridos mais idosos.
E é um problema reconhecido, o do isolamento, sobretudo nas zonas do interior do país. Como é que funciona, Rogério, este Zelar@CB? Como é que esta monitorização é feita e sobretudo, como é que os idosos são monitorizados nesta situação?
Ok, muito bem. Eu vou começar pelo final. A aplicação, na realidade, é uma das componentes do projeto. Os familiares são informados através de alertas ou de mensagens SMS, quando ocorre uma situação ou de queda ou de alterações de energia. Ora bem, como é que isto funciona? O projeto tem aqui duas componentes. No que diz respeito às quedas, estamos a utilizar dispositivos IoT. IoT vem da Internet of Things. Basicamente são dispositivos muito pequenos, que têm capacidade de comunicação à distância e que são transportados pelo idoso. Será algo muito semelhante a uma pulseira, que normalmente são usuais agora, ou smartwatch. Poderá ser um dispositivo com essa dimensão ou poderá ser um dispositivo embutido na própria roupa, aquilo que nós designamos no presente por wearables. E o idoso será monitorizado ao nível das potenciais quedas através de um dispositivo desse tipo, que ele irá transportar em permanência, poderão ser vários, em várias roupas ou sob a forma de pulseira. Esse dispositivo comunica com uma rede designada de rede LoRa, uma tecnologia gratuita, que permite grandes alcances e daí a vantagem de utilizar essa tecnologia em meios rurais, onde muitas vezes as distâncias são grandes. E embora a população idosa resida nessas áreas, continua a ter hábitos de cultivo, de horta e portanto, poderão estar fora de casa, longe do local da residência e sofrer quedas nesses locais.
E ainda assim, fora da residência, da casa em si, este dispositivo consegue detectar um eventual problema?
Consegue. Os dispositivos funcionam tanto dentro como fora de casa. As redes LoRa têm um raio de cobertura teórica até aos 10 km, no entanto, depois de alguns testes efetuados, o alcance é ligeiramente inferior, no entanto, permitem perfeitamente cobrir a maioria das situações em que nós estamos a realizar testes piloto.
Rogério, deixe-me aqui perguntar-lhe quanto ao público-alvo, sabemos bem que são os idosos, mas quantos beneficiários é que estima poder ajudar e quantos voluntários é que serão precisos para um projeto desta natureza?
Muito bem. Neste momento, só no distrito de Castelo Branco, e segundo dados do censo da GNR, há praticamente 2 mil idosos a viver nesta situação no distrito de Castelo Branco. Obviamente que a nível nacional serão muitos mais. Se consideramos que a zona de Castelo Branco faz parte da raia, desde Trás-os-Montes até à zona do Baixo Alentejo, teremos muito mais situações semelhantes. Este projeto poderá não só ser focado no distrito, mas também se poderá alargar a outras áreas. Voluntários, neste momento, tenho um conjunto de alunos do Instituto Politécnico, na área da engenharia, que estão a ajudar a desenvolver o projeto. E neste momento estamos na fase de testes em dois locais do distrito de Castelo Branco, onde os resultados são promissores. Neste momento estamos a finalizar esses testes e o próximo passo Muito pela verba que o projecto e que o prémio nos deu, vamos implementar uma solução mais robusta, resistente às intempéries, na medida em que a estação LoRa terá que estar no exterior e terá que comunicar com o mínimo de falhas possíveis em redor.
É bom saber que tem ambições nacionais este projecto. Ficamos também à espera da transformação de Zellar@Castelo Branco para Zellar@Portugal. Já tinham feito alguma coisa deste género, Rogério? Tinham alguma experiência prévia neste tipo de projecto?
Este projecto insere-se na área das telecomunicações e, portanto, temos feito outros projetos, não com esta tecnologia e não para este âmbito. Portanto, associar redes LoRa à monitorização de pessoas idosas em locais remotos é, de facto, a primeira vez.
Sendo que este é um dos projetos vencedores, já me disse mais ou menos como pensa aplicar o prémio, mas em primeiro lugar, coisas mais específicas, testes pilotos, provavelmente. Como é que vai aplicar este dinheiro?
Este dinheiro vai ser inicialmente aplicado na aquisição de equipamentos de desenvolvimento rápido. Estamos a falar de Raspberry, Arduinos e de outros elementos semelhantes, que são muito apetecíveis pelos alunos na área da engenharia, na medida em que permitem desenvolver e implementar soluções muito rapidamente. Obviamente, também é preciso ter alguns conhecimentos de programação, mas digamos que muito rapidamente conseguimos ter noção das vantagens, mas também das limitações do projeto. E numa fase seguinte, será obviamente a aquisição de equipamentos comerciais com mais robustez, mais capacidade e que serão também adquiridos através das verbas do projeto. Portanto, esta é uma iniciativa que obviamente tem um cariz social, mas também, na minha opinião, serve para motivar alunos nas áreas da engenharia a realizar trabalhos que tenham alguma finalidade e que tenham realmente valor social no final.
Queria perguntar-lhe se ao longo deste projeto e ao longo, pelo menos, do desenvolvimento desta ideia, Rogério, se tiveram, de alguma forma, apoios institucionais.
Ora bem, digamos que o apoio partiu obviamente do instituto e dos espaços laboratoriais que nos fornecem. E portanto, os primeiros testes foram obviamente feitos num espaço laboratorial. Aspectos como a comunicação, como a melhor utilização das antenas, como as medidas, todas elas são feitas a nível do Instituto Politécnico. E portanto, digamos que o primeiro passo foi realmente o apoio institucional. Obviamente que este projeto, agora daqui para frente, poderá ter outras vertentes, uma vertente, por exemplo, mais comercial, porque não? E portanto, existem iniciativas locais para, de alguma forma, transformar este projeto numa potencial ideia de negócio.
E para já colaboram ou têm parcerias com outras organizações no âmbito deste projeto, para além dos apoios institucionais que mencionou?
Os potenciais parceiros serão os Fab Labs, que estão aqui localizados na região, nomeadamente o do CEI, do Centro de Empresas Inovadoras, ou o Fab Lab Aldeias do Xisto, do Fundão. Têm capacidade instalada para produzir placa de circuito impresso ou para produzir caixas através de impressoras 3D e outras valências. E portanto, poderão ser parceiros, numa fase inicial do projeto, no sentido de termos um produto.
Rodrigo, muito obrigado por se ter juntado a nós. É o essencial deste projeto, o Zellar@Castelo Branco, zelar pelos idosos em espaço rural, uma aplicação que permite acompanhar os idosos e, como o próprio nome indica, zelar por eles. Ganhou o prémio Santander Unico Covid-19, projeto coordenado por Rogério Dionísio, que aqui esteve à conversa connosco. Rogério, muito obrigado por esta conversa e sucessos para o projeto.
Muito obrigado.
A conversar é que podemos mudar a educação. Um programa trazido pelo Santander.
O futuro promete transformações digitais. Promete um planeta que inspira sustentabilidade e um mundo totalmente conectado. E promete a ferramenta mais poderosa de todas: um conhecimento sem fim. Hoje és uma promessa, amanhã és pro. O Santander apoia a tua formação para que alcances as tuas metas profissionais. Sabe mais em santander.pt. Santander: o que podemos fazer por ti hoje?