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Esta é a tarde política da Rádio Observador, jornal das 6, com edição do jornalista Miguel Cordeiro.
O presidente da Assembleia da República prepara-se para anunciar a decisão quanto ao requerimento do Chega para constituir uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária. Declaração agendada para esta hora na Assembleia da República. Aguiar Branco chumbou o primeiro requerimento apresentado pelo Chega, devido a vários problemas identificados nesse pedido. Na altura, o presidente da Assembleia da República justificou esse chumbo com a falta de definição por parte do Chega quanto aos fatos, atos, decisões e procedimentos que queria investigar. Numa primeira fase, Aguiar Branco pediu ao Chega para rever o requerimento. O Chega fez poucas alterações e Aguiar Branco chumbou essa intenção do Chega. O partido de André Ventura reuniu depois com o presidente da Assembleia da República e, no fim, André Ventura garantiu que, contrariado, iria fazer as alterações pedidas por Aguiar Branco num novo requerimento. Seguiremos neste jornal até à Assembleia da República, assim que José Pedro Aguiar Branco começar a anunciar essa decisão quanto a este requerimento.
Ainda no Parlamento, o ministro da Educação esteve esta tarde a responder aos deputados e revelou que há pouco mais de uma centena de turmas com mais de 30 alunos. Fernando Alexandre quis também acusar o PS de ter prejudicado a escola pública.
Num debate pedido pelo Partido Comunista na Assembleia da República, Fernando Alexandre atualizou os dados de alunos sem vaga e de horários por preencher e revelou que o número de turmas com mais de 30 alunos é residual e que o importante é os alunos terem vaga.
Com mais de 30 alunos, de acordo com os registos dos serviços, são 124 turmas em 52 mil. E já agora, com 30 alunos, são 335. À data de ontem, estavam por preencher 2029 horários. No início da semana, encontravam-se por colocar 52 alunos do ensino básico e secundário. Na segunda-feira, foram registadas 179 novas matrículas e ontem foram submetidas mais 149 matrículas. Destas 328 novas matrículas, 82% estavam já colocadas.
Fernando Alexandre, em resposta aos deputados, adianta também que, desde o início do ano letivo, mais de 6 mil professores já colocaram baixa médica. O ministro da Educação acusa o PS de ser o responsável pelos problemas que persistem na escola pública.
O PS não mudou nada porque não foi capaz sequer de identificar e reconhecer os problemas ou eventualmente, qual avestruz, preferiu convencer-se de que os problemas não existiam. As afirmações do senhor secretário-geral do PS comprovam que ainda não percebeu a real dimensão dos desafios da educação em Portugal. Ao longo de anos, o PS não viu a escassez de professores e, portanto, nada fez. A abordagem do PS e dos partidos com os quais se aliou para governar é a forma mais cômoda de fazer política: negar os problemas para não ter de os resolver e depois descobri-los quando está na oposição.
Neste passa-culpas, o Partido Socialista também foi a jogo. O deputado Miguel Cabrita criticou a falta de capacidade do ministro para assumir responsabilidades.
O senhor ministro nunca é responsável por nada, nem pelos alunos sem professor, que resolveu e, afinal, não sabia a quantas andava e continua a piorar, nem pelo caos dos exames nacionais, quando não teve em conta a evidência do projeto-piloto do ano anterior. Tenta sempre desculpar-se com alguma coisa ou com alguém. Escolas, diretores, professores, o PS, claro, agrafadores, tudo serve.
Miguel Cabrita, do Partido Socialista, neste debate pedido pelo Partido Comunista Português. E agora, como prometido, vamos até à Assembleia da República, onde José Pedro Aguiar Branco está a falar aos jornalistas. Vamos escutar. Tentamos escutar José Pedro Aguiar Branco, que está na Assembleia da República. Agora, sim, escutá-lo.
De um filho de Luís Neves relativamente à atividade jornalística. Não está demonstrada a ligação dessa situação com as funções de Luís Neves ou com os meios da Polícia Judiciária. E outro tem a ver com a procura de eventuais conflitos de interesses relativamente a entidades que não estão identificadas. É possível, com a investigação, apurar factos relativamente a essa matéria, mas não se pode partir de situações que não estão identificadas. O objeto tem caráter taxativo. Isto significa que são nove os temas que podem ser objeto da investigação. Não significa que não haja factos que possam ser aprofundados e até outros factos que possam ser encontrados em relação com estes nove temas, mas não podem ser acrescentados temas outros que não estes nove que estão identificados e que foram indicados pelo Chega. Entendo que esta matéria assim não prejudica, pelo contrário, permite que se faça uma comissão parlamentar de inquérito. Como sabem, a comissão tem caráter potestativo e o objeto pertence aos requerentes da comissão. Eu, no meu despacho, solicitei ao Chega para, no prazo de dois dias, dizer se aceita esta comissão nestes termos. Se aceitar, a comissão pode, desde já, ser constituída E prosseguirão pelos termos normais para efeitos daquilo que é o seu procedimento nos termos que estão previstos na lei.
Luz verde de José Pedro Aguiar Branco. Luz verde perante esta intenção do Chega de avançar com uma comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves enquanto era diretor nacional da Polícia Judiciária, depois de um primeiro chumbo e dos problemas identificados por José Pedro Aguiar Branco, agora há luz verde para o Chega avançar com essa comissão parlamentar de inquérito.
Esta quarta-feira fica também marcada pelas buscas na Polícia Judiciária. O primeiro-ministro está em Nova Iorque para participar na Assembleia Geral da ONU e pediu rapidez na investigação.
Luís Montenegro quer que este caso seja clarificado o mais rápido possível por colocar em causa a confiança nas instituições. Procuradores do Ministério Público e inspetores da Autoridade Tributária realizaram hoje buscas na PJ, seguimento de uma denúncia que visa diretamente o diretor nacional da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro. Alegadamente, Carlos Cabreiro terá permitido a realização de escutas ilegais no âmbito do processo Football Leaks. Carlos Cabreiro já negou e hoje o primeiro-ministro, em Nova Iorque, pediu que os esclarecimentos sejam dados rapidamente.
Perante denúncias, perante suspeitas, perante queixas, as coisas devem ser investigadas com normalidade? Devem, independentemente do destinatário dessas queixas. Pode ser um político, pode ser um polícia, pode ser um cidadão comum. Espero que rapidamente a situação possa ser clarificada e, no fim, se estabeleça com a sociedade mais confiança nas instituições, precisamente porque se tiraram as dúvidas.
Pedido de Luís Montenegro no final de um encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
E há outras notícias a marcar a tarde desta quarta-feira.
Começamos pelas cerimónias fúnebres de Jorge Palma. Marcelo Rebelo de Sousa esteve há minutos no velório e recordou o canto autor como uma pessoa muito fácil de amar. A jornalista Beatriz Félix está a acompanhar estas cerimónias fúnebres. Agora em direto. Beatriz, Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de estar neste velório e deixou vários elogios a Jorge Palma.
Precisamente, e para falar de Jorge Palma, Marcelo Rebelo de Sousa recorre à memória e menciona o dia em que o seu caminho se cruzou com o deste cantor.
Eu estive no Festival de Vilar de Mouro. Eu era um miúdo, ele era um miúdo. Ele cantava no sindicato, chamava-se assim a banda. E falámos uns instantes e depois ao longo da vida falámos mais tempo, encontramo-nos mais tempo. Mas se eu quero recordar um momento único, é o concerto no Castelo de São Jorge. Naquele ano único, em que estávamos todos de máscara, estávamos todos de pandemia, e no meio da pandemia surgiu uma coisa espetacular, que foi aquele concerto.
Dois meses depois desse concerto, Marcelo Rebelo de Sousa, à data presidente da República, acabou por condecorar Jorge Palma, um artista que recorda como singular, um cantor como não há muitos.
Ele juntava originalidade nas letras e nas músicas com poucos. À doçura. Houve muitos que cantaram e cantam muito bem daquela geração de Abril, mas que não tinham a doçura dele.
Foram as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa à saída, depois de prestar homenagem a Jorge Palma. Da política também têm passado por aqui outros nomes do Bloco de Esquerda, por exemplo, o coordenador José Manuel Pureza, também Fabian Figueiredo e Joana Mortágua. Passou por aqui também Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP e há pouco passou também por aqui a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes. Também da música continuam a chegar muitas outras pessoas. Já cá está Sérgio Godinho, cantor e amigo de Jorge Palma. Até às 10 da noite serão certamente muitas mais as pessoas que vão subir até este último andar da Voz do Operário para o último adeus ao cantor.
Último adeus a Jorge Palma, velório a decorrer na Voz do Operário. Mais duas informações. No desporto, amanhã estreia de Jorge Jesus no plano técnico. Hoje o treinador falou ao lado de Cristiano Ronaldo, na antevisão a esse jogo frente ao País de Gales. O selecionador garante que Cristiano Ronaldo vai ser titular. Cristiano Ronaldo respondeu ao dizer que Jorge Jesus é a escolha acertada para a seleção portuguesa. Fechamos a falar de Harvey Weinstein, o produtor de cinema, que foi condenado a 15 anos de prisão, decisão conhecida no Tribunal de Nova Iorque. De acordo com a Associated Press, Weinstein foi condenado por uma agressão sexual em 2006, à assistente de produção televisiva Miriam Haley. Mais um desenvolvimento nesta série de julgamentos que já duram há vários anos, agora condenado a 15 anos de prisão neste processo.
Miguel Cordeiro vai voltar às 18h30, daqui a pouco, e o "Vence Doré", com o José de França, a Helena Garrido e o Anselmo Crespo.