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A Força da Técnica e a Técnica da Força na Rádio Observador. Nos próximos minutos, vamos falar deste jogo entre Atlético e Benfica para a Taça de Portugal. Vitória encarnada por 2 x 0, gols de Richard Rios e também de Pavlídis. Um jogo em que o Benfica teve uma primeira parte com muitas alterações e em que não conseguiu ser assertivo. Na segunda parte, marcou por duas vezes, ambas de bola parada. Destaque ainda para um pênalti falhado por Nicolás Otamendi no último lance da partida. Gabriel Alves, antes de mais, que notas a retirar deste encontro?

Primeira nota que Richard Rios e Pavlídis ganharam o acesso à eliminatória seguinte para o Benfica. Estiveram em dois lances de bola parada, Richard Rios com um bom golpe de cabeça e Pavlídis converteu com qualidade, a qualidade que nos habituou. Grande penalidade que o Benfica teve acesso. Richard Rios e Pavlídis venceram o jogo.

Quem que o perdeu, então?

Perdeu o Atlético, como é óbvio, naturalmente, não conseguiu ganhar.

Sim, estou a falar em termos de rendimento.

Em termos de rendimento, acho que perdeu o Benfica, porque obviamente não conseguiu ter aquilo que se pode dizer um jogo conseguido. Apareceu com três defesas e segundo o seu treinador, José Mourinho, treinaram duas vezes. Também explicou a questão dos alas. A questão é esta que eu levanto: se só treinaram duas vezes, hoje era um treino em competição para ver o que o sistema resultava. Não resultou. Não resultou porque o Benfica mostrou falta de articulação, falta de dinâmica, falta de movimentos, inclusivamente criando determinado tipo de situações naquilo que era a articulação global da equipa, defesa, meio-campo e ataque, onde o meio-campo jamais se entendeu e o ataque jamais apareceu.

Muitos jogadores quase que perdidos no relvado.

Exatamente. É uma questão de trabalho, é uma questão de treino. De resto, ouvindo o José Mourinho na sua flash interview, não foi bem aquilo que aconteceu com o sistema dos três defesas, mas sim com a atitude de alguns jogadores. Mourinho abre a curta entrevista com esta questão da atitude, termina e faz por terminar a curta entrevista outra vez com aquilo que ele não gostou, que foi a atitude de alguns jogadores. Há que perceber que tipo de atitude: técnica, tática, intensidade, competitividade e saber quem são. Segunda parte, o Benfica regressa mais àquilo que é o seu desenho tático. Obviamente que foi uma equipa diferente, porque os movimentos e as dinâmicas acabam por estar devidamente inseridas. Só que foi uma equipa que não conseguiu criar, dando um andamento forte ao jogo, não conseguiu criar situações de dificuldade.

Com muito mérito também da defesa do Atlético.

Ora bem, porque é isso que tem que se ter. O Atlético mostrou e a verdade é que estava orgulhoso um dos seus elementos com o rendimento da equipa e tem razão de estar, o Ricardo, na flash interview. Porque o Atlético deu sempre nota, capacidade de qualidade naquilo que é a sua capacidade. Faça um Benfica, que eu diria muita parra pouca uva, porque tendo o jogo, tendo o domínio do jogo, tendo o domínio do último terço, não conseguiu encontrar fantasia, não conseguiu encontrar algo que diferenciasse aquilo que fora o seu futebol, de maneira a ultrapassar a bem escalonada defesa da equipa adversária, não só naquilo que era o seu posicionamento, naquilo que eram os espaços que ocupavam, naquilo que eram os movimentos que articulavam, de modo a tapar os caminhos. E há que dizer, os caminhos para a baliza, e há que dizer que o próprio guarda-redes, o Fábio Ferreira, não tem trabalho de maneira nenhuma aturado, antes pelo contrário. Jogou muito, mas foi controlado. Há dois lances de bola parada, normalmente, e é verdade, tens dois lances de bola parada, dos muitos que tens, tens que converter algum para poderes ganhar. Senão consegues ganhar em jogo. Mas aquilo que, se há mérito, de fato, há esterilidade por banda daquilo que é toda a dimensão do ataque do Benfica. O Benfica venceu, nada contra, mas é uma exibição verdadeiramente pobre, eu direi mesmo a roçar a mediocridade.

Gabriel, para terminarmos, onde é que esteve a força da técnica?

Muito bem apontado o pênalti, portanto, a grande penalidade, muito bem convertida por Pavlídis. E também gostei de-

Rodolfo Regueiro.

Já lá vou. E também gostei de Richard Rios no seu cabeceamento, porque tem uma boa impulsão, um bom tempo de salto, bem colocado em relação à bola, o bom movimento que teve com os seus companheiros, que lhe deram espaço para ele aparecer e tendo esse espaço, subiu bem, cabeceou picado, um belo gesto técnico. Qualidade.

Técnica da força.

Quanto ao Regueiro Quanto ao Regu, gostei dele e acho que é um menino para crescer. Gostei muito de o ouvir na flash interview, poucas palavras. Acho que é pouco falatório e trabalho. Ele vai trabalhar e, obviamente, tendo tido essa sua primeira chamada, o treinador diz, e bem: "Não traiu a confiança." Estou a citar Mourinho. Ele entregou-se com toda a ilusão de jogo e é um menino que vai continuar, e para já, também foi o que Mourinho deixou, vai continuar a fazer parte do grupo e obviamente irá certamente crescer. As oportunidades que ele vier a ter, certamente que não vai desperdiçar um segundo que seja. Pelo menos por aquilo que tivemos hoje a sensação, aquilo que deixou. Porque tem velocidade, tem pinta de jogador, pinta de quem quer, tem pica. É um jogador com profundidade, um pé esquerdo que trabalha bem, que vai à linha. Tem aquela técnica de último passe que é tão importante, com bola tensa, quer a meia altura, quer rasteira. Agora precisa primeiro evoluir naquilo que é o aspecto tático, evoluir nas dinâmicas da própria equipa principal e articular-se com todos os seus jogadores, com todos os seus companheiros, para obviamente haver uma participação ativa e integral dentro daquilo que é o movimento e aquilo que é a inserção de jogo do Benfica.

Muito obrigado, Gabriel Alves. É sempre um gosto enorme contar com a sua análise. Desta vez ao Atlético Benfica. Terminou com a vitória encarnada por 2 x 0. As Águias seguem em frente na Taça de Portugal, estão já nos oitavos de final da competição. Gabriel, até uma próxima oportunidade.

Um abraço para todos os observadores.