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A força da técnica e a técnica da força na Rádio Observador, com a análise do comentador Gabriel Alves a este Sporting-Tondela. Um jogo que começou adormecido, Gabriel, depois empolgou e termina mais uma vez de forma trágica para o Sporting em casa, diante dos seus adeptos.

Olha, a notícia é: futebol leão, futebol caricatura. Este futebol do Sporting, nesta fase, o jogo com o AVS e depois este jogo com o Tondela, é a caricatura daquilo que foi o Sporting durante esta temporada 25/26. A queda dos Leões, aquilo a que se pode chamar um trembolhão puro e duro, reconhecido pelo próprio treinador Rui Borges, que diz que a equipa não está tão bem, e focou o fato de sofrer gols de bola parada e dois gols de canto nos descontos. Aliás, o Daniel Bragança também já havia, na sua comunicação no final da partida, focado esse aspecto. E eu acrescento aqui: em tantos lances de bola parada e tantos cantos, o Sporting não mostrou talento, não mostrou capacidade, não mostrou qualidade, não mostrou capacidade de concretização. Portanto, um futebol de caricatura destes Leões. Sem velocidade, sem criatividade, sem dinâmica, sem movimentos esclarecidos, sem esclarecimento tático, um futebol abúlico, inclusivamente, em muitos momentos da partida. Foco ainda em disciplina tática. Essa disciplina tática vem da desconcentração competitiva que a formação mostrou. Aliás, os dois gols no tempo de desconto, em dois lances de bola parada, dão essa nota.

Sim, até porque o Tondela acaba por falhar uma grande penalidade quando o jogo estava 2 x 0 e não se esperava que ainda tivesse-

Sim, mas da grande penalidade sai o primeiro gol do Tondela. O Rui Silva defende, e depois do lance do canto sai o primeiro gol, e logo um minuto depois sai o segundo gol do outro canto. O que se pode dizer? É um leão curto, muito curto.

Frio?

Não, é curto para aquilo que são as competições onde está envolvido, as várias competições, os jogos. Este leão não chega, tal como está, para discutir os quartos de final de uma Champions, discutir a taça, discutir o título. São jogos a mais para a qualidade e a quantidade de jogadores que tem. Parafraseando um homem que lançou isto há muitos anos, era um garoto chamado Autoglória, que disse: “As omeletes fazem-se com os ovos que se tem.”

Tu usaste essa expressão esta semana no “E o Campeão?”

Estou a usar, porque, de fato, o Sporting tem poucos ovos pra fazer grandes omeletes. Daí que esta equipa do Sporting, naturalmente, terá que refletir, repensar, isto tendo em vista aquilo que é o futuro.

Sim. O Gonçalo Feio fazia questão de lembrar: o Sporting esteve aqui há umas semanas entre as oito melhores equipas da Europa.

Sim, é verdade. E a partir daí, por isso é que eu foco aqui, a notícia é: o Sporting é uma caricatura daquilo que mostrou até 15 dias atrás.

Sim.

E havia uma tarja, e eu chamei a atenção disso no decorrer da transmissão, dos adeptos leoninos, nas bancadas de Alvalade: “Exigimos mais.” Exigimos mais é lato, porque esta exigência, se calhar, tem que ser dirigida a vários setores daquilo que é a estrutura do Sporting, aos próprios jogadores, obviamente, à equipa técnica, a todos e até a eles próprios, adeptos. Quanto à equipa do Tondela, não posso deixar de dar aqui uma palavra à equipa das Beiras. Acreditou. E o acreditar é importante, porque ganha-se. Os jogos têm 90 minutos, falta competição, não é só no futebol, é no futebol, é no basquete, é no hóquei, seja que modalidade for, é nos jogos individuais. Tens que acreditar, porque se não acreditas, não vale a pena lá estares. E a verdade é que acreditaram. Portanto, têm esse mérito. E esse mérito, através de uma tática, de uma projeção de jogo, em que atuam num sistema de 6-2-1, a verdade é que conseguiu chegar à igualdade nos descontos, através de dois lances de bola parada. E isso é muito importante ter em conta, que este acreditar sempre tem algo que nos faz crer naquilo que é a possibilidade de conseguirmos os nossos objetivos. Sporting é uma nota a mais. Rui Borges não esteve bem nas substituições. Eu acho que foi uma vez mais, porque estivemos aqui, fizemos o jogo com a AVS. Eu direi algumas fora de tempo. Outras, por quê?

Devia ter logo mexido ao intervalo.

Completamente. O Trincão devia ter logo entrado ao intervalo. Precisava. E a verdade é esta. Pote também é um jogador que já há vários jogos, há várias semanas, vem denotando. E isto também é importante, porque o jogador também sente isso. Ele é consciente, sabe que não está a ter aquela produtividade e aquele rendimento que são compatíveis com aquilo que ele é capaz de fazer.Daí que eu deixe aqui duas notas finais. Eu vou dar a força da técnica do jogo ao ponta de lança do Sporting, ao colombiano Suárez, porque aquele golo que ele marca é um golo de matador, é um golo de ponta de lança, de mordedor. Ele esteve muito aquém daquilo tudo que ele é.

Esperemos que lhe traga alguma confiança que tem perdido, não é?

Sim, mas há todo um desfazamento daquilo que era o Suárez, mas este golo mostra: “Eu estou vivo. Eu sou o ponta de lança, eu mordo e eu mordo bem.” É a força da técnica. Quero dar, portanto, a força do acreditar, porque a força do acreditar é extremamente importante. Dou ao Tondela no seu geral, mas também dou ao seu jogador Cissokho, que está nos dois golos que a equipa marcou para chegar à igualdade.

Entrou para lá já no minuto 70.

Exatamente. Um sai de um autogolo, acaba por dar um autogolo, mas ele está no golo. E a outra, ele dá num cabeceamento onde o Sporting está completamente ausente, mas ele não está ausente, ele está presente e marca o golo que lhe dá o ponto. E a verdade é que ele esteve ausente dois meses, veio de lesão e chega de uma lesão e com a sua atuação, com a sua entrada em jogo, deu o ponto ao Tondela, que lhe vai ser extremamente necessário e que vai trazer, noutra escala da tabela, vai trazer para o jogo com o Casa Pia, um jogo extremamente emotivo, intenso, interessante de seguir.

E com muitos golos, esperamos nós também.

E esperemos que tenham, quer Tondela, quer Casa Pia, uma partida de entretenimento, de divertimento e que tenham uma projeção para conquistarem os seus objetivos, quer um, quer outro, ganhe o melhor.

Muitas notas escreveu o Gabriel ao longo desta partida. Está aqui à minha frente nas folhas, nos rascunhos. É como eu, à moda antiga. Tenho o computador aqui à minha frente, mas também vou escrevendo aqui no papel para não me esquecer.

Até os traders nos bancos fazem isso.

Exatamente. É assim.

É, tem aquele bloquinho de notas. Olha, o primeiro a trazer isso para Portugal foi um tal de John Mortimer, há muitos anos. Depois foi um tal Boloni. E depois é que apareceu o tal Mourinho.

Gabriel Alves, a força da técnica e a técnica da força deste Sporting 2, Tondela também 2. Um abraço, Gabriel, boa noite.

Um abraço para todos os observadores. Boa noite.