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Técnica. Gabriel Alves, ao longo da emissão especial de esporte aqui na Rádio Observador, fomos falando deste jogo como um jogo de treino, jogo da segunda mão da terceira pré-eliminatória de acesso à Liga Europa entre Benfica e Hearts. Empatado a um bola terminou este encontro, depois de uma primeira parte onde o Benfica foi melhor, com sete alterações no 11 face ao Académico de Viseu, mas manteve um problema, o problema da eficácia. E Marco Silva falou disso mesmo. Uma equipa que apesar de não ter sido genial, conseguiu criar o suficiente para marcar, mas que foi ineficaz, mais uma vez.
Boa noite. Sim, ineficaz, mas acima de tudo, aquilo que conta aqui é, de facto, o jogo treino. O jogo de exercício que Marco Silva acabou por fazer com os seus jogadores a executá-lo, naturalmente. Acerto de rotinas, observação dos futebolistas, gestão, treino em competição, o que obviamente traz à flora daquilo que é a relva, daquilo que é o futebol praticado, acertos de combinações, de movimentos, articulações, setores, que obviamente que trabalhados nos treinos, são trabalhados por setores, são trabalhados individualmente, são trabalhados coletivamente, mas em competição têm outra dimensão, têm outro acerto, dado que há um adversário e esse adversário luta também, sendo ainda por cima um jogo de caráter oficial, mesmo sendo um adversário de menor cotação. E de facto, o Hearts é um adversário de muito pouca cotação, mas é adversário, e isso traz a obrigação de os jogadores terem uma atitude competitiva, que obviamente que no treino é trabalho de treino. Uma coisa é trabalho de treino forte, outra coisa é atitude competitiva com aquilo que se ganhou no trabalho de treino. Portanto, este treino em competição é excelente para todos os treinadores, para Marco Silva também, e este jogo, acima de tudo, contou para isso. E trazer futebolistas, sete alterações, futebolistas que ainda não tinham tido a titularidade, o Lukebakio, o Rios, o Dedic, e o próprio Durán. São os futebolistas que vieram à titularidade e que é importante para Marco Silva perceber, dentro daquilo que é a sua temática para o jogo, qual é de facto o rendimento que estes jogadores poderão vir a ter. Obviamente, não têm ainda espaço para 90 minutos, são jogadores que vieram do mundial, chegaram mais tarde, não têm aquilo a que se chama a pré-época e estão nesta altura a fazer o seu trabalho de inserção na equipa. Depois também com aquilo que é o mercado.
E Marco Silva falou também de uma questão interessante do ponto de vista da gestão. Normalmente falamos em gestão quando é preciso poupar os jogadores, poupar fadiga, mas na verdade, aqui foi também uma gestão para dar minutos a jogadores.
Tem que se dar competitividade.
Exatamente.
Os jogadores têm que ter competitividade. Vamos lá ver. Quantas vezes acontece tu teres um jogo que se pode dizer menos importante. E fazes quatro, cinco substituições, mandas a jogo cinco jogadores que fazem parte do grupo, mas que não são os titulares. E às duas por três, desses cinco que ficaram no banco, entram quatro. Para jogar 10 minutos, 15 minutos, ou se calhar nem entram os quatro ao mesmo tempo, vão entrando. Para quê? Para que não percam o ritmo competitivo. Vão lá 10 minutinhos, que é para manter a intensidade da competitividade. E isso é importantíssimo para que não haja hiatos, para que não haja perda. Portanto, a gestão é toda dentro de uma abrangência bastante lata, mas com uniformidade de critério. Portanto, muito bem, Marco Silva, nessa sua análise. Portanto, quanto para aquilo que vimos em termos de jogo.
Houve realmente uma primeira parte diferente da segunda, como falou Marco Silva.
Entrou o Hearts, entrou fortíssimo. Quis surpreender, mas foi fogo de pouca intensidade, porque foi imediatamente anulado pelo Benfica. E o Benfica jogou permutas de alas, profundidade, jogo direto, boas combinações exteriores e interiores, bola bem colocada em passes longos, boas desembarcações. Portanto, havia da parte do Benfica boa articulação entre Dedic e Lukebakio à direita, um Schildrup muito forte, menos Neto. Com Schildrup, Neto mais resguardado, mas Schildrup bem a fazer alinhar e a ser um jogador da parte interior, como um pautador de jogo, na posição da meia-esquerda. E com aquilo que eu chamei que é o 4-4-1+1, que é o Sudakov mais o Durán. E Marco Silva explicou isso hoje na conferência de imprensa, quer que ele tenha mais intensidade, mais dimensão e ele tem que ter mais velocidade, acima de tudo. Agora, não sei se Sudakov tem mais velocidade. Porque uma coisa é ele querer, outra coisa é poder ter. Esta é que é a verdade. Agora, que ele apareceu bem no um mais um, naquilo que são os movimentos, as articulações, as combinações com o Durán, que não é um jogador Pavlídis. Pavlídis tem outra competência, outra capacidade, outro perfil, outra estrutura tática. Durán é um jogador de referência de área. Pavlídis é mais do que isso. É um jogador de combinação, é um jogador que trabalha na área, arrastando defesas, fazendo passes, fazendo movimentos, jogando de costas para a baliza, enquanto Durán joga sempre de frente para a baliza Está aqui logo nesta tabela.
Daí também falar-se muito da questão da utilização dos dois avançados por Marco Silva.
Mas atenção, é um mais um. Aquilo não é dois lá a linha, não é um 4-4-2, aquilo é um mais um. Repare-se que Sudakov foi sempre saindo de trás para diante, sempre mais adiantado que estava Durán, embora numa ou noutra circunstância se tivesse invertido a situação, mas muito pouco. Portanto, vamos ver. A entrada de Prestianni, também nessa situação, quando entra na segunda parte, trouxe mais velocidade, mas Prestianni não está rotinado nesse tipo de jogo. Atenção, Prestianni é um jogador mais de ala, e isso é onde ele teve, de facto, a sua grande forma, completamente de acordo. Não há ninguém que não tivesse visto um jogador que entrou esta temporada, 26, 27, depois do castigo. Mas que bem! Ele já vinha bem do ano passado.
Estava em crescente.
Muito melhor, de facto, Prestianni. E depois há esta questão: jogava na direita, hoje está a jogar à esquerda. E com que qualidade, com que capacidade ele joga. Aí está, o Benfica dispõe de um homem que joga na direita e que joga na esquerda. Quanto ao ponta de lança. Bem, tem que ser mais incisivo, mas ele também tem que ganhar rotinas. Isto é um jogo em que ele é pela primeira vez titular e, obviamente, não se pode crer que ele chegue ali. Ele não roubou a quem cedeu no computador um determinado tipo de função e agora vais para dentro do campo e faz. Não. Foi-lhe dada uma função, mas ele é pessoa.
E Marco Silva falou dos movimentos sem bola, do jogador que esteve bem nos movimentos sem bola, mas que ainda está com alguma dificuldade em encontrar-se nos movimentos com bola.
Exatamente, é isso, porque jogar hoje com e sem bola é extremamente importante. Lá está a tal situação um mais um com o Sudakov. E é porque tu sem bola tens que ganhar o espaço para a poderes receber. Estás a perceber? E tens que, sem bola, tentar arrastar alguém para te deixar algum espaço para que outro possa romper no espaço que tu crias com o arrastar do defesa que vai contigo. Portanto, é esse fator que é extremamente importante no futebol. Não é só no último terço, é naquilo que é a dimensão do campo, jogar com bola e sem bola. E há outra situação: a bola é que tem que circular com velocidade, ela tem que rolar. E os jogadores sem a bola têm que estar a aparecer nos espaços para a receber, para as linhas de passe serem concretas e possam ser conclusivas.
E tivemos também o segundo gol apenas de Lukebakio pela equipa do Benfica, a responder da melhor forma a um passe de José Neto, que também se estreou a assistir. Bem sabemos que este jogo bola ao pau.
A triangulação vale mais do que o passe do José Neto. O José Neto é importante, atenção. A triangulação da banda.
Mas a maneira como se envolve no triângulo também é importante.
É isso, Schaldrup, José Neto e depois o passe para o Lukebakio. Portanto, essa triangulação é fundamental no jogo. E é fundamental no último terço haver esse tipo de triangulações. À esquerda, à direita.
E tivemos também Manu Silva, que hoje desceu do meio-campo para jogar a central, para formar uma linha de quatro com Ammar Dedic, Manu Silva, Clément Lenglet e também José Neto. Foram estes os quatro da defesa do 11 inicial do Benfica, com destaque para Manu Silva, que não é a primeira vez que o faz, mas volta a jogar na posição de defesa central e com uma boa resposta.
Sim, com uma boa resposta. E é um jogador com quem Marco Silva, obviamente, ele próprio disse, queria vê-lo jogar. É um jogador que tem conhecimento do lugar, mas que há muito que não jogava e não há nada melhor do que ver em competição, mesmo que seja num treino em competição. E Manu, acho que sob esse ponto de vista, é um jogador com que pode contar, o que não quer dizer que seja o tal central que o Benfica precisa.
Do lado do Hearts, apesar de sair daqui eliminado, sai com um resultado muitíssimo mais positivo do que na primeira mão.
Sim, melhor.
E também aqui com alguns apontamentos. Não foi equipa suficiente para assustar o Benfica, mas fica o apontamento de Cláudio Braga, jogador português que é uma das referências desta equipa e também o gol marcado pelo islandês que foi lançado ao jogo, Magnússon.
É um gol de grande qualidade. Olha, força da técnica para Magnússon. Para já.
E a técnica da força, alguém merece, Gabriel?
Olha, na técnica da força é o futebol do Hearts, que não consegue atingir aquela qualidade que obviamente gostaríamos de poder observar. Tenho aqui uma nota só para dizer em relação às declarações de Marco Silva. Isto a propósito do guarda-redes.
Entre Trubin e Samuel Soares. Samuel Soares voltou a merecer a titularidade, Trubin parece cada vez mais afastado.
Porque ele é que decide. Mas, senhor Marco Silva, qualquer treinador é que decide, não só o senhor Marco Silva. Portanto, esta questão de eu decidir ou Marco Silva dizer: "Eu decido do jogador." Qualquer treinador, todos os treinadores é que tomam a decisão. Portanto, tomou a decisão de dizer Samuel Soares, só que há uma coisa, pelo menos ainda não ouvimos explicado. Por quê? Esta é que é a grande questão.
É essa a grande questão, é a questão técnica. E o treinador disse que só prestava esses esclarecimentos técnicos, em primeiro lugar, aos jogadores.
Exatamente. Mas começa a ser uma questão que se começa a colocar e, obviamente, saber se Samuel Soares vai ser ou não o guarda-redes da temporada, por decisão de Marco Silva. Nada contra, ele é que é o treinador e toma as decisões. Marco Silva, como qualquer treinador, em qualquer equipa ao nível do planeta. Depois dar aqui uma nota, porque a questão é esta: deixar a pergunta no ar. Haverá alguma coisa entre Trubin e Marco Silva? Terá havido alguma coisa ou não? Não sabemos. Agora, há uma questão que eu hoje observei. Quando os jogadores do Benfica foram, no final da partida, ao público fazer o cumprimento dos adeptos, muitos que estavam hoje na Escócia para apoiar o Sport Lisboa e Benfica, Trubin, enquanto os jogadores batiam palmas ao público, aquela convivência, Trubin era o jogador da cauda e não batia palmas
Gabriel Alves, o Benfica na próxima segunda encontra o Casa Pia em Rio Maior. Sempre uma deslocação difícil, ainda para mais uma segunda-feira à noite, que é um dia para o qual a minha superstição futebolística não aponta grandes desejos. O que é certo é que depois vai ter também que continuar nesta luta pela Liga Europa. É um Benfica que, apesar de tudo, parece ligado neste objetivo de chegar à fase de liga da Liga Europa.
Sim, tem um projeto e obviamente Marco Silva está a fazer o seu trabalho e os jogadores estão integrados nisso e nota-se e vê-se a atitude, a intensidade que vão pondo no jogo e há que gerir, como se diz, a entrada dos jogadores, passo a passo, naquilo que é o novo sistema que Marco Silva traz para o jogo. E é necessário dizer, a época não tem quatro semanas, a época tem 10 meses. Portanto, a equipa tem que ser estruturada no sentido de ter o tal plantel, os tais dois jogadores, onde no treino, e dizia muito bem Marco Silva, o jogador tem que ter concorrência, tem que sentir que não está seguro daquilo que é o seu lugar, antes pelo contrário, tem que trabalhar nessa senda. Senda, trabalho. E obviamente que há aqui jogadores que estão a chegar, há uns que estão com a preparação mais adiantada, há de haver um momento que há uma osmose e, portanto, há naturalmente um conjunto de fatores em que o treinador tem decisões que pode tomar com maior garantia de rendimento dos futebolistas que tem ao seu dispor. E a verdade é que o Benfica, como grande equipa, todas as grandes equipas, têm uma época de muitos imensos jogos com este sinal: candidato a ganhar as provas onde está incluído.
Gabriel Alves, a força da técnica e a técnica da força deste artes um, Benfica também um, segunda mão da terceira pré-eliminatória de acesso à Liga Europa. O Benfica trazia uma vantagem de cinco gols conquistada na Luz com uma vitória por 6x1 e vai por isso jogar frente ao Aarhus, o campeão da Dinamarca na época transata. Um jogo que tem primeira mão no dia 20 de agosto e que vamos acompanhar aqui na Rádio Observador. É a última tentativa do Benfica para chegar à fase de liga da Liga Europa. Agora já não temos fase de grupos nesta nova realidade. E por isso, Gabriel Alves, vamos também contar e a época ainda agora começou, roubando as suas palavras, portanto vamos contar consigo ao longo desta época, com toda a certeza. Foi um gosto. Um grande abraço.
Boa noite para todos os observadores.