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Aconteceu nos Açores e foi o jogo de abertura da 22ª jornada do campeonato: Santa Clara 1, Benfica 2. Gabriel Alves, num jogo em que o relvado tudo dificultou e onde o Benfica teve uma boa primeira parte e uma segunda parte, senão para esquecer, perto disso.

Eu diria uma primeira parte sofrível e uma segunda parte em que esteve muito aquém daquilo que é um candidato ao título, se olharmos as coisas por esse lado. Quanto ao terreno, vamos falar primeiro do terreno. É um fato, não é 25-26, não é porque o Benfica veio aqui hoje que o terreno está mal. Todas as equipes ao longo de uma década, de década e meia, se queixam do piso deste relvado, do estado deste relvado para o futebol. A começar pelo próprio Santa Clara, como disse o Zé Mourinho na sua intervenção, provavelmente com outro tipo de piso ou outro tipo de relvado, com outro tipo de campo, a equipe poderia ter obviamente uma mais-valia bem diversa e positiva. As equipes todas que aqui vêm sabem o que vão encontrar, portanto, têm que projetar o seu jogo pra isso.

E sobre o facto do Santa Clara também beneficiar deste fator, há a questão de nos últimos 12 jogos ter apenas três vitórias no total em sua casa. Eu acho que isso também é demonstrativo, não?

Sim, mas o ano passado tem meio época gloriosa. Temos que ser objetivos, concretos e pragmáticos. O relvado no ano pasado era exatamente o mesmo que é este ano. Como noutras situações, o Santa Clara foi despromovido e depois regressou.

Sempre com este relvado, isso é que é o fato.

Isso é que é verdade, é precieso que eu estou a dizer. Há mais duas dezenas de anos que isto ali está, e assim está e tudo leva a crer que parece que vai continuar assim, porque se em tanto tempo não o mudaram, é lamentável que isso aconteça. Quanto ao jogo, eram os três pontos acima de tudo, e sempre foi isso que o senhor treinador defendeu, do Benfica. Era o essencial dentro daquilo que é o seu objetivo, naturalmente, que é lutar pelo título e ir em busca, no encalço, daquilo que são os clubes que estão à sua frente, sendo o Benfica o terceiro. Conseguiu os três pontos, nada a dizer. É uma vitória justa por banda do Benfica, naquilo que é um jogo de campeonato, dizia-se muito "jogo campeonato" em anos anteriores. Não é um jogo onde se jogou muito bem, um jogo onde não houve futebol, onde houve luta, onde houve de fato duelos, onde houve vontade, atitude, intensidade, onde houve desgaste físico, muito físico, em que penso que o Benfica foi uma das equipes que naturalmente sentiu bem essa situação, porque a equipa verificou só já na segunda parte, a meio da segunda parte, independentemente daquilo que o Santa Clara lhe impôs, o Benfica depois não teve resposta. Portanto, é um jogo em que o Benfica ganha os três pontos, nada a dizer, marca dois gols, teve muito espaço de jogo controlado. Tem o frango de Trubin, que acaba por ser motivo para alegria e para ânimo da equipa açoriana, mas aí Petit também fez o seu jogo. O seu jogo é este: lançar jogadores, dar ritmo a determinado tipo de jogadores. Aliás ele deu essa nota no decorrer da conferência de imprensa e inclusivamente na entrevista logo após a partida. E configurar a equipa, configurar uma nova equipa, configurar o seu jogo, a sua ideia de futebol com os jogadores que dispõe, naturalmente poder chegar aos seus objetivos. Aquilo que eu tenho para dizer, este Benfica meio-campo sentiu. Eu acho que a falta de Aursnes foi visível.

Na linha cheia esteve em bom registo, mas como foi dizendo também o João Pinto ao longo da emissão, muito bom no registro defensivo, com dificuldades em fazer ligar o jogo da equipa.

Sim, a questão é que ele também deveria ter ordens para jogar naquela posição e não dar qualquer tipo de espaço. E a disciplina tática é fundamental, independentemente de poder ter pouco mais dele. É um jogador que eu conheço já do futebol espanhol, é um jogador interessante, mas este meio-campo esgotou rapidamente. Quanto à ala direita, Tomás Araujo fez um bom jogo, principalmente na primeira parte. Um jogador que defende bem e atacou bem.

De resto com grande assistência pra Pavlidis pro primeiro gol.

Sim, mas a sua interligação com Presterinni foi de fato uma interligação muito interessante, jogo interior, jogo exterior, daquilo que é o fluir do futebol por aquela ala. Já não se viu o mesmo do lado esquerdo, não foi um jogo tão bom. quanto a Mourinho, substituiu pouco. Rafa é de fato um jogador de grande arte a atacar o espaço. E é um jogador de grande arte, talvez o melhor que é, no controle de bola em velocidade, em corrida. Aquela bola sempre ali à sua frente, aquela velocidade bola orientada que poucos jogadores possuem. Ele é um jogador raro nisso, mas o seu físico deu para uma parte, desapareceu. Santa Clara lutou por algo melhor, não foi capaz, não tem capacidade de definição. O Benfica que acaba por trazer os três pontos, nada a dizer, num jogo pequenino.

Alguém merece, Gabriel Alves, o epíteto da força da técnica ou hoje não se verifica?

Eu dou o homem do jogo ao Pavlidis por tudo aquilo que ele fez em termos táticos, em temos de mobilidade, em termos de estofo de jogador, de capacidade, de saber ler as situações. É um jogador que não está ali especado na área, é um jogador que sabe muito bem fazer a associação com os seus companheiros. É um jogador que aparece à direita, aparece à esquerda, vem atrás buscar o jogo, sai pra diante, passa, vai receber. É um jogador de equipa e depois também um jogador mordedor. Não morde só com os pés, vai mordendo com a cabeça. Para mim, muito bem, eu diria, na força da tática, o homem do jogo. Palmas, porque deram o homem do jogo, deram-lhe o troféu, deram-lhe a distinção. Estou completamente de acordo.

Gabriel Alves, caso pra dizer, a força do verbo aqui na execução de mais uma vez da força da técnica. Um grande abraço, meu Gabriel.

Os meus cumprimentos para todos os observadores. Votos de um bom fim de semana. Olhem, bom futebol, vocês que amam o futebol.

E feliz Dia Mundial da Rádio também, já agora.

Para todos, convosco, há muitos anos na rádio. Cultura, informação, entretenimento. A rádio adaptada àquilo que são as novas tecnologias, o que são os tempos modernos. Não parou, continua e está consigo. Aqui nesta Rádio Observador, sempre a observar, aconteça o que acontecer.

Gabriel Alves, A Força da Técnica.