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Guerra traduzida na Rádio Observador, o programa onde apresentamos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa em tempo de guerra. Hoje com o jornalista Miguel Cordeiro. Olá, Miguel.
Olá.
Vamos começar com os destaques da imprensa russa. A Rússia está a planear proibir a exportação de gasolina, Miguel.
Sim, é uma notícia do Komsomolskaya Pravda e é referido que o Conselho de Ministros já tinha solicitado anteriormente medidas urgentes para evitar o aumento de preços nos postos de gasolina. Pode ler-se que, a meio da crise global, o gabinete de ministros instruiu o Ministério da Energia a elaborar um projeto de lei que determine a proibição das exportações de gasolina da Rússia já a partir de 1 de abril. No comunicado do governo russo é dito que o vice-primeiro-ministro da Rússia, Alexander Novak, realizou uma reunião sobre a situação no mercado interno de derivados de petróleo. Disse que a turbulência no mercado global do petróleo e dos derivados causada pela crise no Médio Oriente está a levar a flutuações significativas de preços e que agora, para estabilizar os preços e para garantir o abastecimento prioritário ao mercado interno, Alexander Novak instruiu o Ministério da Energia a preparar um projeto de resolução para proibir as exportações de gasolina a partir de 1 de abril.
Entretanto, Miguel, os voos da Rússia para Irão e Israel continuam suspensos.
A Rosaviatsia prolongou as recomendações para que as companhias aéreas russas não utilizem o espaço aéreo israelita e iraniano até 17 de abril. A assessoria de imprensa da agência Rosaviatsia divulgou isto durante o dia de hoje. Estamos a falar da Agência Federal para a Aviação na Rússia, a Rosaviatsia. As companhias aéreas são aconselhadas a escolher rotas alternativas através do espaço aéreo de outros países. Devem sempre ter em atenção as medidas de segurança e o controle ativo das recomendações das autoridades de aviação desses países para rotas alternativas. A Rosaviatsia também estendeu a recomendação para que as companhias aéreas russas suspendam a venda de passagens aéreas para voos de e para os Emirados Árabes Unidos até 16 de abril.
Numa altura, Miguel, em que os deputados russos reuniram com congressistas norte-americanos.
Ontem já falámos deste tema aqui, mas entretanto saiu mais informação. Uma delegação de deputados da Duma Estatal russa reuniu-se com membros do Congresso em Washington e discutiram vários temas, incluindo as conversações de paz na Ucrânia e a retoma dos voos diretos entre os dois países. Isto foi dito por um responsável russo que participou no encontro. A deputada Ana Paulina Luna, republicana da Flórida, recebeu a delegação russa e disse que é fundamental que as duas maiores superpotências nucleares do mundo mantenham um diálogo aberto, troca de ideias e canais de comunicação transparentes. Paulina Luna disse também que os Estados Unidos da América vão continuar a fomentar este diálogo e a pressionar pela paz, em apoio dos esforços da administração Trump em prol da paz, bem como das oportunidades económicas. Já o enviado económico do presidente Vladimir Putin, Kirill Dmitriev, que não fazia parte da delegação a Washington, partilhou uma publicação da deputada com o comentário histórico. Neste caso, partilhou o que disse Svetlana Zurova, membro da Duma Estatal do partido no poder, a Rússia Unida. Ela disse que a Ucrânia foi o tema mais proeminente discutido nesta reunião e depois foram também discutidas questões relativas a vistos, a propriedades diplomáticas russas nos Estados Unidos da América, que tinham sido confiscadas durante as administrações de Obama e no primeiro mandato de Trump. Zurova disse também que se falou sobre o retomar dos intercâmbios de estudantes e discutiu-se também o regresso integral dos atletas russos aos Jogos Olímpicos, que vão ser nos Estados Unidos da América, em Los Angeles, em 2028. Para além disto, Zurova deixou esta frase: "Não diria que todos os que estão do outro lado ficaram satisfeitos com o que estamos a fazer como país, mas expressaram a posição e mesmo assim estamos abertos ao diálogo". Aqui uma declaração, aparentemente, sobre a guerra da Rússia contra a Ucrânia.
E a fechar, falamos do documentário que venceu um Oscar e que foi proibido na Rússia.
Sim, a Rússia proibiu a exibição do documentário "Mr. Nobody Against Putin". Falamos de um documentário que chegou a vencer este ano um Oscar. A Justiça de Moscovo acredita que o documentário expressa uma atitude negativa para com a guerra na Ucrânia e, para além disso, o Ministério Público considera que este documentário é propaganda de extremismo e de terrorismo. O "Mr. Nobody Against Putin" mostra imagens que colocam um batalhão de russos opositores do Kremlin a combater ao lado do exército ucraniano contra as forças invasoras de Moscovo. O realizador é acusado de traição por vários meios de comunicação e blogs russos. Para além de proibir qualquer transmissão do documentário, o Ministério da Justiça da Rússia anunciou esta sexta-feira que Pavel Talakin, realizador do "Mr. Nobody Against Putin", foi adicionado à lista de agentes estrangeiros, ou seja, passa a ser considerada uma pessoa dissidente.
E são estes, Miguel, os destaques da imprensa russa neste dia 27 de março.