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O Miguel Pinheiro já está conosco para uma nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão". Olá, Miguel, bom dia.
Bom dia.
Bom dia. Miguel, estás cansado?
Um pouquinho. Acima de tudo, obrigado pela preocupação. Haja alguém. Do Paulo, silêncio.
Nada, silêncio. Até esfregou as mãos.
A dizer um bom dia aqui com sofrimento e o Paulo é como se não fosse nada. Tu, ao menos. Obrigado, Maria João.
Nada, Miguel. Sempre aqui para ti. Miguel, o teu bom é o governo?
É sim, senhora. Vou falar só para ti, Maria João. Hoje vou ignorar outras pessoas que se encontrem na sala. O governo decidiu reforçar a nossa capacidade de armazenamento de petróleo. Nós temos um problema, porque quando a Galp Energia decidiu fechar a refinaria de Matosinhos, deixámos de ter onde guardar as reservas estratégicas de petróleo e por isso Portugal mandou os estoques que tinha para França, onde estão ainda hoje. Eles são nossos, mas estão lá. Mas estas coisas de coisas nossas que estão lá num sítio qualquer, nem sempre é uma grande ideia. Aliás, estamos a ver vários países, por exemplo, a retirar reservas estratégicas dos Estados Unidos. Mas enfim, para evitar chatices, e nunca se sabe de onde surgirão as próximas chatices, porque o mundo está esquisito, o governo vai construir um novo local de armazenamento, que vai custar 60 milhões de euros. Não percebi bem quem é que vai pagar isto. Paulo, não sei se percebeste. Já me passou.
Eu não digo nada, estou em greve durante cinco minutos.
Não sei se percebeste, mas é uma prudência básica.
Mas adivinha quem é que vai pagar.
Pois, com certeza. É uma prudência básica, mas eu sinto aqui necessidade de elogiar, porque muitas vezes os nossos governos nem as prudências básicas conseguem ter, e aqui estamos a ter. Eu também tenho andado a criticar muito Maria da Graça Carvalho, mas aqui foi ela que falou sobre este tema, penso que no fim do Conselho de Ministros, e por isso esteve muito bem.
Muito bem. É o básico, como tu dizes.
Ó Paulo, eu já aceito isso.
Vamos aplaudir muito. No fundo, para incentivar os membros do governo a fazerem as coisas básicas.
Isso. Exato. É o nosso objetivo.
Muito bem.
Muito bem.
Quem é o teu mau?
Olha, é o presidente da República. Tal como Luís Montenegro há dois dias, António José Seguro tentou agora convencer-nos de que António Guterres, que deixou o cargo no final do ano, foi um extraordinário secretário-geral da ONU. Tal como eu disse ontem, eu percebo perfeitamente que um responsável político português sinta a obrigação de elogiar um outro português que exerceu um alto cargo internacional. Percebo, não levo a mal. Mais ainda se, como é o caso de Seguro, é alguém que pertenceu a um governo liderado por Guterres. Percebo tudo isso. Só quero deixar registado que os portugueses têm olhos para ver. E na realidade, António José Seguro também, porque quando falou sobre o mandato de Guterres, ele elogiou a sua convicção inabalável em defesa da paz, mas depois lá admitiu duas coisas. Primeiro, o presidente da República disse isto, eu vou citar: "Bem..." Foi mesmo assim. "Bem, teria sido a pior altura para ele ter sido secretário-geral das Nações Unidas." E depois acrescentou isto: "Naturalmente que não correu tudo como ele gostaria." E naturalmente, isto é o mínimo que se pode dizer deste mandato desastroso de António Guterres.
Pois. O homem errado à hora errada, no sítio errado.
Sendo que já tinha sido o homem errado, à hora errada, no sítio errado quando foi primeiro-ministro, e agora o homem errado, no sítio errado na ONU. Vá lá, graças a Deus, quando surgiu aí um movimento de fundo para levar António Guterres à presidência da República, a nossa. Graças a Deus, António Guterres não quis, porque obviamente é muito mais interessante ser-se incompetente para o mundo inteiro do que apenas para um país. Eu percebo.
É outro nível.
É, é outro nível.
Hoje tens dois vilões.
Tenho, sim, senhora, isto é assim. Sexta-feira é assim. O vilão são o Chega e o PS. Durante os últimos intermináveis dias, nós tivemos de ouvir uma e outra vez André Ventura e José Luís Carneiro dizerem-nos que o governo é um poço de insensibilidade e é um poço de incompetência. Os dois partidos da oposição insistiram que se estivessem no poder, já teriam baixado o IVA dos combustíveis e dos bens essenciais. Primeiro, porque só eles estão muito preocupados com os portugueses, com certeza, e depois, porque só eles sabem como se governa. Porém, ontem, quando finalmente chegou o momento por que tanto esperavam, Chega e PS decidiram anular-se um ao outro. O Parlamento debateu as propostas dos vários partidos e, na altura de votar, o Chega ajudou a chumbar a proposta do PS e o PS ajudou a chumbar a proposta do Chega. E não me entendam mal, eu acho que esse resultado foi o melhor que podia acontecer. Não quero que haja aqui confusões. Mas André Ventura e José Luís Carneiro não devem é ter dúvidas sobre aquilo que os eleitores concluíram do que viram ontem. É que na hora da verdade, Chega e PS acobardam-se. Foi o que aconteceu. Acobardaram-se. Podiam ter-se juntado para forçar o governo a fazer uma coisa que não queria. E nesse momento pensaram: "Alto lá, espera aí, que isto se calhar ainda corre mal, depois as contas ainda começam a vir por aí abaixo, ainda começamos a ter outra vez problema de déficit, ou então o governo ainda lhe dá na cabeça convocar eleições antecipadas e depois temos que ir ali justificar-nos. Por isso, olha, anulamo-nos um ao outro e está feito." Eu acho muito bem.
Pois, o resultado acaba por ser bom, nesse sentido, como é evidente. Se fosse aprovada, era uma chatice, alguma coisa destas. Mas de facto, essa prática política é um bocadinho aquele fumar e não inalar. Querem ficar com a fama de apresentar proposta, sabendo à partida que nada daquilo vai ser aprovado.
Eu não fumo.
Tu também não inalas.
Ia chegar nisso.
E portanto-
Nem sabes do que é que eu estou a falar, claro
...não sei do que é que estás a falar.
Não estou a lembrar nenhum Bill Clinton por aí, nem nada disso.
Não, claro. A célebre frase de Bill Clinton. Ele teve várias frases célebres e eu elogio-te por escolheres uma que pode ser reproduzida a esta hora. Muito bem, Paulo.
Vamos ao resumo. O bom desta sexta-feira é o governo, o mau é o presidente da República e o vilão são o Chega e o PS. São as escolhas do Miguel Pinheiro no episódio que daqui a minutos também fica disponível em podcast.