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Guerra traduzida na Rádio Observador. Vamos à primeira edição desta semana deste programa, em que analisamos todos os dias os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana. Hoje começamos com a imprensa da Ucrânia, um trabalho do jornalista Rui Casanova, tem colaboração de Tânia Olinyk. Rui, em destaque hoje, notícias sobre um ataque da Rússia a um armazém onde as autoridades ucranianas reparavam navios. Duas pessoas ficaram feridas.
Aconteceu esta manhã. As tropas russas atacaram com mísseis um estaleiro de reparação naval na região de Odessa. Um homem e uma mulher ficaram feridos na sequência deste ataque e foram hospitalizados. Também na sequência do ataque, o edifício ficou danificado. Começou um incêndio após a explosão dos mísseis, incêndio que foi extinto rapidamente pelos bombeiros. São dados avançados pelo chefe da Administração Militar Regional de Odessa, aqui citado pelo jornal ucraniano Pravda, fala em mais um ataque dos terroristas russos.
E ontem à noite houve também mais um ataque a Kherson. O canal TCN falou com algumas testemunhas.
Falamos de um bombardeamento a uma zona residencial de Kherson. Uma idosa morreu e três pessoas ficaram feridas. São dados avançados pelo Ministério da Administração Interna da Ucrânia, citado pelo canal TCN. Houve um incêndio num dos prédios atacados. Falamos de um prédio de nove andares. O canal TCN, como dizias, Miguel, falou com testemunhas. Por exemplo, Valentina Tsibal, uma moradora deste prédio, diz que nem se apercebeu da chegada do míssil porque foi tudo muito rápido. Explica que quando deu conta, a casa onde morava já estava a arder. Outra moradora, Natalya Glazova, é filha da vítima mortal, a idosa que morreu na sequência deste ataque. Esta moradora diz ao canal TCN que viu a mãe ser queimada viva na sequência do incêndio. De recordar que já ontem, durante a tarde, as tropas russas tinham bombardeado Kherson. Na sequência destes ataques, uma mulher ficou ferida e à noite, como estamos a destacar agora, as tropas russas voltaram a atacar esta zona ucraniana.
É também notícia na imprensa ucraniana de hoje que Vladimir Putin convocou uma reunião sobre os acontecimentos no aeroporto do Daguestão.
Falamos de manifestações anti-Israel que decorreram ontem no aeroporto de Uytash, na cidade de Makhachkala, na região russa do Daguestão, que resultaram em 20 pessoas feridas e 60 detenções. Volodymyr Zelensky, na rede social X, falou num incidente. Considerou que este incidente parte da cultura generalizada de ódio da Rússia contra outros países e atribui as ações dos manifestantes ao antissemitismo. O Kremlin informa agora que o presidente da Rússia convocou uma reunião ainda para hoje para discutir aquilo que descreve como as tentativas do Ocidente de usar os acontecimentos no Médio Oriente para dividir a sociedade russa, a reação do Kremlin a estes incidentes neste aeroporto no Daguestão.
Falamos agora do futuro da Ucrânia. O mandato de Volodymyr Zelensky termina em maio de 2024 e a imprensa ucraniana já pergunta: e depois?
Exatamente, é essa pergunta que se começa a impor numa altura em que nos aproximamos do fim do mandato do atual presidente ucraniano. O mandato de Zelensky termina em maio de 2024 e a Constituição ucraniana proíbe a realização de eleições durante a guerra. Esta tem sido, de resto, uma questão muito discutida. Estamos num país em guerra, devem ou não decorrer eleições presidenciais durante o conflito? As autoridades ucranianas têm discutido esta questão, mas ainda não há uma resposta clara. O canal TCN procura responder a esta incógnita, a este dilema, e falou com o cientista político Volodymyr Fesenko, que faz uma análise sobre se é possível ou não realizar eleições durante a guerra.
Como é que isso poderia acontecer?
Este especialista explica que há duas opções: ou realizar eleições presidenciais adaptando a legislação, ou seja, as leis em vigor na Ucrânia e as práticas eleitorais às condições de guerra. A outra opção é recorrer ao Tribunal Constitucional, que deve interpretar a situação vivida atualmente na Ucrânia e depois decidir se é ou não possível realizar eleições em guerra. Volodymyr Fesenko, este cientista político, acredita que esta decisão vai ser tomada em breve, no próximo mês ou no final de novembro, ou no início de dezembro. Vamos ver se temos ou não resposta. Um outro especialista político, citado aqui pelo TCN, Maxim Dzhingun, destaca que se a Ucrânia realizar eleições durante a guerra, tem muitos desafios, como a segurança dos civis ou a falta de infraestruturas, que de resto podem também ser atacadas no dia das eleições, por exemplo. É um exemplo aqui, um cenário traçado por este especialista político.
E o que tem dito Zelensky?
Volodymyr Zelensky tem repetido que se as eleições forem realizadas durante a guerra, vai recandidatar-se a um segundo mandato, mas se a guerra terminar entretanto, afirma que não se vai candidatar. Diz Zelensky que não pode escapar durante a guerra.
Fechamos com esta análise. A guerra traduzida de hoje, com destaque para a imprensa da Ucrânia.