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Damos início a mais uma Guerra Traduzida na Rádio Observador, espaço onde passamos em revista os principais destaques da imprensa russa, bem como da imprensa ucraniana. O meu nome é Maria Miguel Marques, hoje com o jornalista Ricardo Lopes. Boa noite, Ricardo.
Boa noite, Maria.
Começamos pela imprensa ucraniana. Hoje houve progresso para a paz. Ucrânia e Rússia aceitaram propostas dos Estados Unidos para retomar as negociações de paz trilaterais.
É a notícia que faz manchete ao final desta tarde no jornal ucraniano Ukrainska Pravda, que cita uma informação do portal norte-americano Axios. De acordo com o responsável norte-americano, Kiev e Moscovo aceitaram uma proposta de Washington para retomar estas negociações trilaterais a nível técnico. A Ucrânia terá dado luz verde à proposta já durante o dia de ontem, durante conversações em Oslo, na Noruega. Já a Rússia aceitou as condições hoje, depois de um encontro entre Vladimir Putin e o enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, que esteve em São Petersburgo. O Kremlin admite que estas negociações possam acontecer por volta de 10 de novembro em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Em cima da mesa estará a criação de um sistema de garantias de segurança tanto para a Ucrânia como para a Rússia, isto após o fim da guerra. Ainda assim, o assessor de Putin, Yuri Ushakov, desvaloriza os contactos realizados ontem em Oslo. Considera que tiveram pouca utilidade para a resolução do conflito.
Continuamos pelo mesmo jornal, agora a olhar para as palavras do presidente ucraniano para alcançar a paz, Volodymyr Zelensky admite congelar a guerra nas atuais linhas da frente do conflito.
Sim, este também é um dos principais destaques a esta hora neste jornal ucraniano. Numa entrevista à televisão norte-americana Fox News, o presidente ucraniano admite aceitar um acordo de paz que mantenha as atuais posições militares da Ucrânia e da Rússia. Volodymyr Zelensky considera que congelar a guerra é uma solução realista para pôr fim à mesma. Defende um cessar-fogo imediato que permita interromper as mortes e abrir caminho a novas negociações, mas para tal, sublinha que a Ucrânia precisa de garantias de segurança, tanto dos Estados Unidos como dos aliados europeus, para que seja possível evitar uma nova agressão russa. O presidente ucraniano insiste que é preciso abrir caminho para uma paz duradoura e destaca também a importância da reconstrução do país e do regresso dos milhões de ucranianos que perderam as casas ou foram obrigados a fugir da guerra.
E Ricardo, depois de reunir com Putin, Witkoff voltou a Oslo para atualizar o primeiro-ministro norueguês.
O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, voltou à capital norueguesa depois de ter estado reunido com o presidente russo, como referíamos há pouco, mas antes de regressar aos Estados Unidos, Witkoff quis encontrar-se com o primeiro-ministro norueguês pra falar sobre isso mesmo, sobre a reunião com o líder russo. O encontro, Maria, durou pouco mais de uma hora.
E não contou com Volodymyr Zelensky, que preferiu regressar à Ucrânia.
Isso mesmo dá conta o jornal ucraniano Kyiv Independent. O presidente ucraniano recusou permanecer na capital norueguesa, isto à espera do enviado especial de Donald Trump. "Não vou esperar por Witkoff em Oslo. Temos de seguir em frente, temos de regressar à Ucrânia". Foram estas as palavras de Zelensky à agência de notícias polaca PAP. Segundo o jornal ucraniano, o primeiro-ministro norueguês ficou encarregue de receber as informações sobre o encontro entre Witkoff e Putin e depois de as transmitir a Kiev. Zelensky garante que mantém contato permanente com as autoridades norueguesas. Esta notícia confirma também que entre as propostas de paz apresentadas ao Kremlin estão garantias de segurança para a Ucrânia neste eventual pós-guerra e é também abordada a futura relação de Kiev com a NATO. É dado também destaque à confirmação do presidente ucraniano, que confirma a retoma da partilha de informações dos serviços de inteligência norte-americanos com a Ucrânia.
Num dia em que os Estados Unidos negaram ter ordenado restrições ao sistema de comunicações Starlink na Ucrânia.
Sim, é uma notícia avançada na Ucrânia pela agência Ukrinform, que cita a Reuters. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, garante que nem Donald Trump, nem qualquer outro responsável da administração norte-americana pediram alterações ao funcionamento do sistema de comunicações por satélite utilizado pela Ucrânia. Rubio explica que o serviço é gerido por uma empresa privada, a SpaceX, de Elon Musk, e que as condições de utilização são definidas contratualmente. As declarações surgem depois de o Wall Street Journal ter noticiado que Musk ordenou que a velocidade de funcionamento do StarShield, a versão militar do Starlink na Ucrânia, fosse restringida.
Damos assim por terminada a ronda pelos jornais ucranianos. A Guerra Traduzida volta já a seguir com os principais destaques da imprensa russa.