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Segunda parte da "Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço onde passamos em revista os principais destaques da imprensa russa, bem como da imprensa ucraniana. Hoje com o jornalista Ricardo Lopes. Boa noite, Ricardo.
Olá, Maria.
Prestamos agora atenção à imprensa russa. Tal como demos conta nos jornais ucranianos, o tema em maior destaque são as negociações de paz. Putin mostra-se disponível para retomar as negociações com a Ucrânia em novembro, com a mediação dos Estados Unidos.
Olá, Maria. Sim, este é precisamente um tema inevitável em todos os jornais russos. Desta feita, olhamos concretamente para o jornal russo RBC, que diz que o presidente russo admite retomar estas negociações trilaterais com a Ucrânia e com os Estados Unidos. A data apontada para esta eventual negociação é 10 de novembro e, como demos conta na primeira parte, esta posição de Vladimir Putin acontece depois de se ter reunido com o enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff. Segundo o assessor do Kremlin, Yuri Ushakov, a principal questão em cima da mesa será a criação de sistemas de garantias de segurança pra Rússia e também para a Ucrânia, mas isto depois do fim do conflito. Estas conversações podem acontecer em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Ainda assim, o jornal russo destaca que Moscovo considerou pouco úteis as propostas apresentadas por Witkoff depois dos contactos com Zelensky e também com os líderes europeus em Oslo. Segundo Ushakov, o enviado norte-americano garante que a disponibilidade de Putin para retomar as negociações será recebida com grande satisfação por parte de Donald Trump.
Sendo que o Kremlin considera que a Europa e o Ocidente começaram a abordar a resolução da guerra na Ucrânia de forma mais séria.
Sim, numa entrevista ao jornalista Pavel Zarubin para a Vesti, órgão de comunicação estatal russo, o assessor de Vladimir Putin, que já referimos, Yuri Ushakov, afirma que os países europeus estão a demonstrar agora uma atitude mais séria em relação às negociações para pôr término à guerra. Questionado sobre se o Ocidente continua a apresentar propostas irrealistas e desadequadas, Ushakov respondeu que não queria neste momento criticar os parceiros europeus, mas acrescentou que começam finalmente a refletir e a abordar a resolução do conflito de uma forma mais séria.
Já sobre outro conflito, Ricardo, Putin oferece ajuda aos Estados Unidos para resolver o conflito com o Irão.
É uma das notícias em destaque no jornal russo Kommersant e na agência estatal russa TASS. O presidente russo Vladimir Putin manifesta disponibilidade para ajudar Donald Trump a alcançar um acordo com o Irão. Tal aconteceu durante o encontro com o enviado especial da Casa Branca, como temos dado conta, em São Petersburgo. Segundo a TASS, o assessor do Kremlin confirma que Moscovo continua disponível para contribuir para uma solução política e diplomática para este conflito no Médio Oriente. Putin invocou as relações de confiança entre a Rússia e o Irão, construídas ao longo de várias décadas, para justificar a possibilidade de uma intervenção diplomática russa. O líder do Kremlin quis também conhecer a avaliação de Washington sobre a situação no Médio Oriente e, em particular, sobre o conflito com o Irão.
Para fechar, falamos sobre outro tema a marcar a atualidade. A Rússia vai enviar amanhã o primeiro petroleiro carregado de gasóleo para os Estados Unidos.
É uma das notícias desta quarta-feira do jornal russo Vedomosti. O primeiro navio deve partir amanhã, dia 22 de outubro, com destino aos Estados Unidos e transporta consigo mais de 40 mil toneladas de gasóleo. A informação foi confirmada pelo vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, que adianta que estão previstos novos carregamentos. O envio surge na sequência de um acordo alcançado entre Donald Trump e Vladimir Putin, já a 9 de outubro, para o fornecimento de combustível russo ao mercado norte-americano. Segundo o jornal Vedomosti, este acordo prevê a entrega inicial de mais de 300 mil toneladas de gasóleo, a que se deve juntar depois outras 500 mil durante o mês de novembro. O jornal recorda ainda que Washington autorizou as transações comerciais relacionadas com o gasóleo russo até abril do próximo ano. Como temos dado conta, esta notícia surge no mesmo dia em que Putin recebeu o enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff.
Tudo dito nesta edição da "Guerra Traduzida", que regressa já amanhã.