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Guerra traduzida na Rádio Observador. Olhamos agora para a imprensa ucraniana com a Laura Figueiredo. Laura, os ataques russos põem Kiev em modo de sobrevivência antes do inverno. É o alerta deixado pelo autarca da capital ucraniana.

O autarca de Kiev diz que a campanha de ataques russos contra pontes e infraestruturas estratégicas da capital ucraniana nas últimas semanas fez com que Kiev entrasse em modo de sobrevivência com o aproximar do inverno. Moscou intensificou nas últimas semanas os bombardeamentos contra as infraestruturas da capital, atingindo, por vezes, o centro da cidade, tanto de dia como de noite, e com recurso a mísseis e drones a jato. Os últimos ataques provocaram mesmo cortes de água e eletricidade, bem como cortes de emergência no fornecimento de energia na capital. O autarca de Kiev alerta que a crise relativa à distribuição de água poderá ser de grande dimensão e acrescenta que, infelizmente, já começaram os cortes temporários de eletricidade nalguns bairros. Para fazer face a eventuais perturbações prolongadas neste inverno, Kiev está já a instalar sistemas de aquecimento de emergência e a construir reservas de combustível, alimentos e água potável.

Volodymyr Zelensky pede mais apoio à União Europeia. Os ataques russos dos últimos dias mataram 78 pessoas.

O presidente da Ucrânia começou por agradecer hoje à União Europeia pelo apoio de defesa de 1,2 mil milhões de euros enviado ontem, mas pediu também um aumento da ajuda militar numa altura de intensificação dos ataques russos. Zelensky falou hoje com António Costa sobre os ataques de Moscovo nos últimos dias, que mataram 78 pessoas e deixaram mais de 200 feridos em todo o país, e também sobre os encontros com os enviados especiais norte-americanos dos próximos dias. Nas redes sociais, o presidente ucraniano diz que esta é uma escalada russa brutal, fala em terror contra as pessoas e contra a vida. Diz, por isso, que é importante que os líderes europeus não ignorem o que está a acontecer. Zelensky adianta também que está a trabalhar no cronograma da abertura das próximas fases de negociação da ajuda, sobretudo em relação à energia, e anunciou que se vai encontrar brevemente com António Costa e com Ursula von der Leyen.

E Laura, a Ucrânia atacou uma refinaria russa na Sibéria.

De acordo com o The Kyiv Independent, o exército ucraniano reivindicou um ataque à refinaria de petróleo de Omsk, na Sibéria, uma das maiores do país e que estará envolvida no abastecimento das forças de ocupação russas. De acordo com a imprensa de defesa ucraniana, Firepoint, a refinaria foi atacada com drones FP1 de longo alcance. Nas redes sociais, o Estado-Maior do Exército dá conta de que a refinaria tem uma capacidade anual de refinação de petróleo bruto de mais de 21 milhões de toneladas, sendo especializada na produção de uma ampla gama de combustíveis, lubrificantes e produtos petroquímicos. O exército lembra que esta não é a primeira vez que a refinaria é atacada e sublinha que este tipo de ofensiva é direito inalienável à autodefesa, de acordo com o artigo 51 da Carta das Nações Unidas, e visa reduzir o potencial econômico-militar da Federação Russa. Omsk fica localizada a cerca de 2500 km da fronteira ucraniana.

A União Europeia prolongou as sanções à Rússia por ataques híbridos até outubro de 2027.

Sim, o Conselho da União Europeia prolongou esta quinta-feira as sanções a Moscovo por atividades híbridas, numa altura em que vários Estados-membros têm atribuído incidentes de sabotagem e incursões de drones a Moscovo. No total, este regime de sanções abrange 80 indivíduos e 20 entidades visados com o congelamento de bens, interdição de entrada em território europeu e proibição de lhes serem facultados fundos por empresas ou cidadãos europeus. Este regime de sanções foi criado já em outubro de 2024 para visar pessoas e entidades envolvidas em ações e políticas do governo da Federação Russa que põem em causa os valores fundamentais da União Europeia e dos Estados-membros, bem como a segurança, estabilidade, independência e integridade. Os países europeus estão cada vez mais preocupados com o aumento dos ataques híbridos, como incêndios, violações do espaço aéreo e atos de sabotagem atribuídos à Rússia. Nos últimos meses, têm-se registado vários incidentes desta natureza em países como a Polónia, Alemanha, Bulgária ou Estónia, que levaram já a presidente da Comissão Europeia a propor a criação de um mecanismo europeu contra ataques híbridos.

São estes os principais destaques na imprensa ucraniana. A guerra traduzida está de regresso amanhã.