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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Diana Rosa, boa noite.

Boa noite, Clara.

Vamos começar com a imprensa russa. O novo primeiro-ministro da Hungria pede a Zelensky que acabe com a chantagem e retome o fluxo de petróleo no gasoduto Druzhba para a Hungria.

Peter Magyar também expressa a esperança de que a Rússia continue a fornecer petróleo bruto através desse oleoduto. Zelensky disse que o gasoduto Druzhba estaria operacional em breve, mas que o fornecimento só seria retomado quando a Hungria retirasse as objeções ao empréstimo dos mil milhões concedido pela União Europeia a Kiev. O líder do Tisza respondeu que se opunha a essa abordagem e que não recomendaria chantagear a Hungria ou qualquer país da União Europeia. Afirma que se o oleoduto for adequado para o transporte de petróleo, então, por favor, abram-no conforme prometido. Peter Magyar observa que não conhece Zelensky pessoalmente, não falou com ele por telefone, mas não gosta quando alguém começa a impor condições adicionais a acordos já existentes. Magyar deixa claro, mais uma vez, que considera resolvida a questão do empréstimo dos 90 mil milhões para a Ucrânia. De acordo com o novo primeiro-ministro húngaro, este assunto não foi sequer levantado durante as negociações da delegação europeia em Budapeste no último fim de semana. No entanto, os procedimentos finais da União Europeia necessários para que essa medida entre em vigor ainda não foram concluídos. Certo é que em março foram bloqueados esses 90 mil milhões pelo primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán.

Diana, para a Rússia, a Europa não vai voltar a olhá-la de forma amistosa num futuro próximo.

O Kremlin considera prematuro falar em qualquer mudança na atitude geral da Europa em relação à Rússia. É o que afirma o porta-voz da presidência aos jornalistas quando questionado se a vitória da coligação de Rumen Radev na Bulgária e outros desenvolvimentos recentes poderiam sinalizar um potencial descongelamento nas relações entre a Rússia e a Europa. Ele diz que é muito cedo para tirar conclusões gerais sobre uma mudança no clima em toda a Europa. Afinal, têm estado a ser proferidas declarações de natureza muito diferente vindas de Bruxelas. Dmitry Peskov acrescenta que Moscovo, no entanto, sente-se encorajada pelas declarações do novo líder da Bulgária e de vários outros líderes europeus sobre a necessidade de um diálogo pragmático com a Rússia.

Seguimos com Alexander Lukashenko. A Europa não quer entrar em guerra com a Bielorrússia, nem com a Rússia, apesar da retórica do Ocidente.

Foi numa entrevista citada pela TASS que o presidente da Bielorrússia começa por dizer que ele e Putin são amigos, mais do que amigos, até. São como irmãos. Sobre o futuro da Ucrânia, Lukashenko entende que ao seguir a liderança do Ocidente, Volodymyr Zelensky corre o risco de perder a Ucrânia por ter embarcado mais uma vez no caminho da militarização. Diz que como Zelensky era inexperiente, não conseguiu gerir muitos dos processos que foram acontecendo no país e os nacionalistas ganharam vantagem. Ele não soube lidar com isso. Sobre um confronto militar com a Europa, o presidente bielorrusso diz que é impossível iniciar um conflito armado contra a Polónia ou a Lituânia. Diz que não tem nenhuma intenção de o fazer, a menos que seja arrastado para essa guerra e seja forçado a reagir. Afasta qualquer tipo de conflito direto entre Rússia, Bielorrússia e Europa. Afirma que Minsk não vai usar todo o seu arsenal de armas em nenhum conflito, apenas se perceber uma ameaça à sua existência. E nesse caso, deixa o aviso: a Bielorrússia vai lançar um ataque nuclear contra os países que agredirem o país. Lukashenko chama ainda Donald Trump de ditador nesta entrevista.

Voltamos a seguir com os destaques da imprensa ucraniana.