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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Este é o espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Eu sou o Fortunato de Oliveira, hoje a edição é do jornalista Martim Madeira. Martim, muito boa noite.

Boa noite.

Os ataques de ontem contra a capital ucraniana provocaram pelo menos 15 mortos.

É o que informa o jornal ucraniano The Kyiv Independent. As forças russas lançaram uma vaga massiva de mísseis balísticos e drones contra a cidade de Kiev durante a noite e ao longo do dia de hoje também, destruindo várias habitações e provocando danos graves na estrutura de um hospital infantil. O presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, informou que pela primeira vez em vários meses, o bombardeamento russo visou de forma deliberada instalações de infraestruturas críticas civis no centro urbano. Até o momento, o balanço das equipas de emergência aponta pelo menos para 15 vítimas mortais e dezenas de feridos que ainda estão a ser assistidos. Além disso, os ataques deixaram mais de 40 mil habitações privadas de energia elétrica, forçando as equipas técnicas a uma intervenção de urgência. As operações de busca e salvamento prosseguem no terreno para localizar sobreviventes sob os escombros, enquanto se tenta restabelecer o fornecimento elétrico básico à população civil.

E Martim, do lado de Kiev, as forças ucranianas atacaram bases de drones e radares na Rússia.

Outra notícia que também está em destaque no jornal ucraniano The Kyiv Independent: os serviços secretos militares da Ucrânia realizaram uma operação bem-sucedida contra depósitos e instalações operacionais russas. A incursão teve como alvo direto as bases de armazenamento e os locais de lançamento de drones de combate em Primorskoakhtarsk e também na região ocupada de Donetsk. Segundo o relatório das forças de segurança, o ataque resultou ainda na destruição de dois sistemas de radar russos de alta tecnologia, os modelos Nebo-U e Niobia, que são fundamentais para a monitorização do espaço aéreo. Kiev sublinha que estas missões cirúrgicas são essenciais para desgastar a capacidade de detecção de ataque russa, dificultando assim a coordenação das vagas diárias de drones que continuam a visar a infraestrutura energética e habitacional da Ucrânia.

Isto numa altura em que a possibilidade de eleições está a gerar uma forte discussão na Ucrânia.

De acordo com o jornal The New Voice of Ukraine, o antigo ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, desencadeou uma discussão política intensa ao ter apelado publicamente à realização de eleições presidenciais, mesmo com a Ucrânia a viver sob uma vigência de lei marcial. Fedorov argumenta que o país não deve deixar que as ações militares da Rússia impeçam o normal funcionamento da democracia. No entanto, a proposta é recebida com grande desconfiança pela opinião pública e pelos militares na frente da batalha. Uma análise da Bloomberg aponta que organizar eleições legislativas ou presidenciais em pleno conflito ativo traria riscos elevados de instabilidade política e de segurança interna. Por outro lado, os representantes da União Europeia em Bruxelas já afirmaram que a decisão de avançar ou adiar este sufrágio cabe exclusivamente às instituições ucranianas, garantindo assim um apoio técnico se Kiev optar por avançar.

E Martim, o diretor de compras do Ministério da Defesa ucraniano apresentou a sua demissão.

O jornal The Kyiv Independent dita que o responsável máximo pela Agência de Compras da Defesa Ucraniana, Arsen Zumadilov, anunciou a sua demissão antecipada. A decisão de Zumadilov ocorre logo após a tomada de posse do novo ministro da Defesa ucraniano, Yevhen Kyma, de forma a assegurar o funcionamento contínuo de serviços de aprovisionamento. Oleg Kotz, anterior diretor da Agência Estatal de Compras Médicas, assume agora interinamente a liderança. Esta mudança na estrutura de compras de defesa acontece no momento em que a gestão de contratos de abastecimento militar enfrenta um escrutínio muito rigoroso por parte das agências de combate à corrupção e dos doadores internacionais.

Está feita a "Guerra Traduzida", versão Ucrânia. Voltamos já a seguir com os destaques da imprensa russa.