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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana com a jornalista Diana Rosa. Boa noite, Diana.

Boa noite, Beatriz.

Começamos com a imprensa da Rússia e pelo Kremlin, que anunciou uma nova ronda de negociações trilaterais.

Vai realizar-se, Beatriz, na Suíça. As primeiras reuniões aconteceram em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Na próxima semana, os encontros estão marcados para terça e quarta-feira em Genebra. É a primeira vez que as negociações acontecem na Europa. A delegação russa adianta que vai ser liderada por Vladimir Medinsky, conselheiro do Kremlin.

E o Kremlin que explica porque é que Genebra foi escolhida para sediar a próxima rodada destas negociações sobre a Ucrânia.

"O local foi escolhido com base na agenda das três partes", diz Dmitry Peskov. O porta-voz do Kremlin afirma que todos acharam razoável e conveniente. Foi a resposta sobre o motivo da decisão de transferir as negociações para a Europa, sendo que a Suíça é um país neutro. A delegação russa tem sido liderada por Igor Kostyukov, chefe da Directoria Principal do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia. Desta vez muda, como disse há pouco, é Vladimir Medinsky.

Diana, a dívida externa da Rússia atingiu o nível mais elevado dos últimos 20 anos.

São mais de 60.000 milhões de dólares. São os dados divulgados pelo Ministério das Finanças da Rússia. Moscovo é forçada a contrair mais empréstimos para financiar a guerra contra a Ucrânia. No início deste mês, os investidores estrangeiros detinham 61.000 milhões em títulos da dívida pública. A maior parte desses títulos era de longo prazo. O Banco Central da Rússia estima que a dívida externa total combinada, portanto, estatal e privada, vai aumentar para 320.000 milhões. Os analistas atribuem o crescimento ao novo financiamento da dívida e a um rublo mais forte, o que aumentou a avaliação das obrigações denominadas em dólares.

E, por outro lado, o endividamento interno também aumentou.

O Ministério Russo das Finanças estima que a dívida interna da Rússia tenha atingido quase 500.000 milhões de dólares. Inclui títulos emitidos pelo governo federal, empréstimos intergovernamentais e outro tipo de títulos. A dívida interna da Rússia aumentou devido à emissão de títulos federais para cobrir o déficit orçamental do ano passado.

Entretanto, Diana, um ataque com um míssil à região russa de Belgorod fez duas vítimas mortais.

O ataque ucraniano a essa cidade fronteiriça fez ainda três feridos esta sexta-feira. É o que diz o governador Vyacheslav Gladkov. As duas mortes ocorreram num local de infraestruturas, indicou ainda o representante. O ataque terá causado danos graves à infraestrutura energética. Foi cortado o aquecimento e o fornecimento de água na cidade.

E o presidente francês diz que a Europa tem de restabelecer contactos diplomáticos com a Rússia.

Sim, para garantir que os europeus tenham uma voz nas negociações de paz para a Ucrânia e não deixem outros gerirem as conversas, nomeadamente os Estados Unidos. Na Conferência de Segurança de Munique, Emmanuel Macron diz que não pode haver paz sem a participação europeia. Apelou ainda a que não se assumisse um discurso derrotista sobre a Ucrânia e que há líderes que o fazem. Superestimando a Rússia nesta guerra, estão a cometer, diz o presidente francês, um enorme erro estratégico, porque não é a realidade. Para Macron, o papel da Europa tem de ser também o de começar a negociar como se poderá viver para lá da guerra com a Rússia, especialmente em questões de segurança.

E fica por aqui a primeira parte da "Guerra Traduzida". Voltamos já a seguir com a imprensa ucraniana.