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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos agora falar dos destaques da imprensa russa, hoje com o jornalista Martim Madeira. A diplomacia russa avisa que o Ocidente se prepara para um choque militar.
Um jornal como o "Komsomolskaya Pravda" dá hoje destaque às declarações duras do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Alexander Grushko. Moscovo acusa o Ocidente de estar a direcionar todos os esforços para preparar um confronto militar direto com a Rússia. Grushko afirma que as ações da NATO e o apoio militar constante à Ucrânia são sinais claros de que o diálogo foi substituído pela preparação para a guerra. No mesmo jornal, analistas militares russos explicam que os Estados Unidos estão a rodear a Rússia com submarinos nucleares e que Moscovo interpreta como um instrumento para um primeiro ataque massivo.
E o governo russo baixa as exigências na qualidade do combustível para evitar escassez.
Uma notícia do Moscow Times diz que o governo russo emitiu um decreto que permite a venda de combustíveis de qualidade inferior aos padrões Euro 2, Euro 3 e Euro 4 até julho de 2027. É um recuo claro nos padrões ambientais para tentar travar a falta de combustível no mercado interno. O jornal explica que esta crise de abastecimento é provocada pelos constantes ataques de drones ucranianos contra refinarias e redes de distribuição. Em várias regiões russas, o problema já é visível, com bombas de gasolina a fechar e os preços a subir, obrigando o Kremlin a tomar medidas de emergência para manter o país a circular.
Já do lado das famílias, o rendimento para de descer com o abrandamento da economia.
O The Moscow Times analisa hoje dados que mostram que o rendimento real das famílias russas estagnou depois de um período de crescimento impulsionado pelos gastos militares. A economia de guerra parece estar a perder fôlego e a indústria civil continua mergulhada na recessão. Os negócios enfrentam quedas nas vendas e a actividade económica em geral está quase parada. Para o cidadão comum, isto significa que o custo de vida está a aumentar mais depressa do que os salários, num cenário onde a inflação e as sanções ocidentais começam a pesar cada vez mais no bolso dos russos.
A Rússia eleva para 600 o número de mortes civis, isto após dois anos de incursão em Kursk.
A agência russa TASS e o The Moscow Times reportam que, passados dois anos sobre a incursão ucraniana na região de Kursk, o número oficial de mortes civis subiu para mais de 600. Os investigadores russos estimam que os danos em propriedade e infraestruturas na região ultrapassam os seis mil milhões de dólares. Moscovo utiliza estes dados para acusar Kiev de visar deliberadamente a população russa e destruir património cultural. O Comité de Investigação da Rússia afirma ter novos detalhes sobre a incursão, reforçando a narrativa de que a Ucrânia está a cometer crimes em solo russo com a conivência do Ocidente.
Fechamos assim esta edição da "Guerra Traduzida" com o Martim Madeira. Está de regresso já amanhã.