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Começa agora mais um episódio da Guerra Traduzida, edição especial do Irão. Vamos saber o que dizem os jornais do Médio Oriente e dos Estados Unidos. A edição de hoje é do Carlos Pedro. Carlos, seja muito bem-vindo. Vamos começar com o Líbano. É uma peça importante no xadrez que é este conflito no Médio Oriente. O Irão já avisou que a paz em Beirute é essencial para um acordo com os Estados Unidos e hoje, Carlos Pedro, há novas negociações em Washington.
Entre Israel e o Líbano. Hoje há uma segunda ronda de negociações com ambos os países a serem representados pelos embaixadores em território norte-americano. A reunião será presidida, de acordo com o Haaretz, pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Acima da mesa deverá estar, sobretudo, o prolongamento do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah. O prazo termina dentro de três dias, portanto, no domingo. E através de comunicado, o presidente libanês, Joseph Aoun, fez uma lista do que considera primordial abordar neste novo encontro o fim completo dos ataques israelitas no Líbano, a retirada de Israel de território libanês, a repatriação dos prisioneiros e ainda o início da reconstrução das áreas destruídas pela guerra.
Sendo que, Carlos Pedro, o ponto mais crítico parece mesmo ser o da retirada israelita de território libanês.
Até porque há uma semana o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenou a continuidade da ofensiva no Líbano. O Haaretz indica que as autoridades de Tel Aviv pretendem estabelecer uma zona-tampão de 10 km, já dentro do Líbano, a separar as comunidades israelitas das comunidades libanesas. Entretanto, o mesmo jornal Haaretz cita uma fonte regional que diz que os Estados Unidos estão a tentar organizar um encontro entre Netanyahu e Aoun, o presidente do Líbano, na Casa Branca. A mesma fonte revela ainda assim que é pouco provável que esta reunião aconteça antes de meados de maio.
E vamos continuar a falar sobre este tema, a falar do conflito entre Líbano e Israel. Beirute acusa Tel Aviv de crimes de guerra. Isto, Carlos, depois da morte de mais uma jornalista.
Amal Khalil era o nome da jornalista libanesa que morreu ontem vítima de um ataque aéreo de Israel. Um drone terá lançado um ataque contra as equipes de resgate que tentavam retirar um dos jornalistas presos sob os escombros, já depois do Líbano ter solicitado a Israel a permissão para a entrada de equipes de emergência no sul do país. O Ministério da Saúde libanês acusa o exército israelita de impedir a conclusão da missão humanitária. Ontem foi mesmo o dia mais letal deste conflito, desde o cessar-fogo de dez dias anunciado a 16 de abril. Morreram seis pessoas, entre elas esta jornalista de 43 anos. A fotógrafa Zainab Fahri também ficou ferida na sequência dos ataques de Israel. Na reação, o líder do governo do Líbano assegurou que o país não vai poupar nos esforços para levar este tipo de crimes às autoridades internacionais competentes.
Destaque ainda para Israel, para dizer que uma multidão tentou invadir a sala de um tribunal no qual se discutiam as petições para a instauração de uma comissão de inquérito ao ataque do dia 7 de outubro.
A audiência foi interrompida e os juízes deixaram mesmo a sala após tentativas de invasão do plenário. Alguns dos manifestantes pertencem ao Conselho de Outubro, um grupo de famílias que perderam familiares no ataque terrorista do Hamas em 2023. Queixam-se de que terá sido ultrapassada mais uma linha vermelha moral na sequência do que dizem ser um discurso violento contra as famílias enlutadas. Há desavenças dentro do próprio Conselho de Outubro, isto porque há famílias que querem a investigação à morte dos familiares, outras alegam que uma comissão de inquérito será tendenciosa e que o tribunal não tem jurisdição para ordená-la. Recordo que o governo de Netanyahu resistiu há mais de dois anos à pressão para estabelecer esta comissão ao ataque do Hamas, que resultou na morte de 1200 pessoas e em mais de 250 reféns.
Altura de fazermos um ponto de situação no estreito de Ormuz. Esta passagem marítima tem sido o centro da discussão deste conflito, Carlos Pedro.
E a agência Reuters noticia hoje que o controle no estreito foi reforçado por parte do Irão. Hoje foram apreendidos mais dois navios e um terceiro acabou por ser atacado, ambos com o dedo do Irão, que divulgou esta manhã um vídeo em que se veem as Forças Armadas a abordar um petroleiro. Não é claro onde as imagens foram filmadas, mas nelas é possível ler-se Epaminondas, é o nome de um dos navios apreendidos esta quinta-feira. O estreito de Ormuz vai manter-se encerrado, anunciou o Irão, sobretudo enquanto se mantiver o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos. Já ontem, precisamente em território norte-americano, o secretário da Marinha, John Phelan, foi demitido horas depois de Pete Hegseth, com a pasta da Defesa, ter também demitido o general da mais alta patente do exército norte-americano. Entretanto, a Sky News avança hoje que Teerão já estará a faturar com o alegado esquema de portagens na passagem. Hajibabaei, a vice-presidente do Parlamento iraniano, diz que o dinheiro adquirido através do estreito de Ormuz já foi depositado.
O estreito de Ormuz está no centro deste conflito, no eixo da atualidade mundial. E Carlos, há mesmo um alerta deixado pela Agência Internacional de Energia. Qual é que é?
Diz que estamos perante a maior ameaça à segurança energética da história. Em entrevista à CNBC, Fatih Birol, o presidente da Agência Internacional de Energia, fala numa crise sem precedentes e aponta já para 13 milhões de barris de petróleo desperdiçados por dia. O responsável deixa ainda outro alerta para a potencial escassez de combustível de aviação na Europa, onde grande parte do abastecimento provém de refinarias que estão onde? No Médio Oriente. A Europa obtém cercacerca de 75% do combustível de aviação dessas refinarias no Médio Oriente.
Carlos Pedro, temos ainda tempo para falar sobre um artigo da Al Jazeera que dá a conhecer as 10 palavras mais utilizadas e os respectivos significados.
Mais de 50 dias de guerra, quase dois meses, mais de 3 mil mortos e ainda mais feridos. Este artigo da Al Jazeera olha para as palavras que têm dominado as manchetes um pouco por todo o mundo. Em primeiro lugar, aparece a palavra Ormuz, já aqui falamos desta importante passagem marítima, por onde flui cerca de 20% do petróleo mundial. A segunda palavra mais utilizada é Shahed, diz respeito aos drones de ataque de baixo custo do Irão. A terceira, Tomahawk, remete-nos para mísseis, que também foram muito falados na sequência do conflito entre Rússia e Ucrânia. A quarta palavra mais utilizada é Minab, local onde estava situada a escola destruída pelos ataques norte-americanos e israelitas logo no início deste conflito. Depois, a meio da tabela, na quinta posição, Bab al-Mandab, que significa Portão das Lágrimas, é a única entrada a sul do Mar Vermelho e a partir do Oceano Índico, uma espécie de estreito de Ormuz. Em sexto lugar, a palavra Fúria, aqui por causa da Operação Fúria Épica, o nome dado por Donald Trump a esta ação norte-americana no Médio Oriente. Em sétimo lugar, Aiatolá, neste caso referente ao líder supremo do Irão. No oitavo posto, a palavra Khark, que é o nome da ilha proibida devido ao acesso restrito e à importância estratégica no Golfo Pérsico. Em nono lugar, Kafir, esta palavra bem mais desconhecida. O termo significa "aquele que oculta" ou "aquele que cobre a verdade". Ganhou fama depois de Pete Hegseth ser fotografado com uma tatuagem em árabe no braço. Para fechar, Khatam al-Anbiya é o nome do quartel-general da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, é a décima palavra mais utilizada e relativa a este conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.
Está feita mais uma "Guerra Traduzida", edição especial relacionada com o Irão, com o que nos diz a imprensa iraniana e também a imprensa dos Estados Unidos. Hoje com a curadoria do Carlos Pedro, a "Guerra Traduzida - Especial Irão" está de regresso amanhã e fica, como sempre, disponível em podcast.