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Começa agora mais um episódio da "Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Olhamos para o conflito no Médio Oriente com a ajuda da imprensa internacional. O episódio de hoje tem a edição do jornalista Carlos Pedro. Boa tarde, Carlos.
Boa tarde, Ricardo.
Termina hoje o prazo de 60 dias para as negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irão, mas este prazo, Carlos, parece totalmente irrelevante.
Sim, tornou-se irrelevante, diz o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Hossein Amirabdollahian, deu hoje uma conferência de imprensa, como tem feito todas as semanas, para dizer que deixou de existir qualquer relevância no prazo de 60 dias previsto num memorando assinado entre Teerão e Washington a 18 de junho. O Irão acusa os norte-americanos de violarem o acordo poucas semanas depois da assinatura desse documento. Citado pela Al Jazeera, o chefe da diplomacia iraniana avisa que os islâmicos não negoceiam num contexto de pressão. Já o presidente do Parlamento do Irão, Mohammad Ghalibaf, garante que Teerão vai vencer a guerra e que tanto os Estados Unidos como Israel não vão conseguir alcançar nenhum dos objetivos equacionados para este conflito. Falar ainda de Donald Trump, que esta manhã recorreu à Truth Social para voltar a dizer que o Irão não pode ter, de forma alguma, uma arma nuclear. Esse é definido pelo presidente dos Estados Unidos como o objetivo número um de Washington neste conflito.
E Carlos, já falámos aqui do chefe da diplomacia e do líder do Parlamento do Irão. Falamos também do líder do exército, que promete recompensas. Recompensas pelo quê, Carlos?
Por cada soldado norte-americano capturado ou morto, o exército iraniano promete pagar 30 mil dólares, ou seja, cerca de 25 mil euros, sendo que se a captura for feita por mulheres iranianas, essa mesma recompensa será duplicada. As declarações são citadas pela CBS News e são da autoria de Amir Hatami.
Apesar de estagnado o acordo entre os Estados Unidos e o Irão, chega aqui uma luz ao fundo do estreito. Teerão chegou a um acordo com Omã para a definição de uma rota de trânsito segura em Ormuz.
Sem detalhes sobre a rota ou sobre a cobrança de taxas, um dos pontos que tem dividido mais as partes envolvidas nesta discussão, este aparente acordo alcançado é anunciado aos jornalistas por Baghaei, que antes havia dito que as negociações se mantinham entre Irão e Omã e que só estavam atrasadas devido às sucessivas ações de Estados Unidos e Israel na região. O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão cita a Al Jazeera, descreve o processo como complexo, mas adianta que estava a ser desenvolvido um mecanismo para salvaguardar os interesses de Irão e Omã, mantendo o transporte marítimo comercial. Entretanto, o trânsito no estreito de Ormuz diminuiu neste fim de semana, de acordo com os dados da empresa Kepler, divulgados pela Reuters. De acordo com a Kepler, apenas cinco navios mercantes transitaram pelo estreito de Ormuz no sábado e nenhum no domingo, em comparação com 31 navios no fim de semana anterior. Pelo menos um navio entrou no país pela rota iraniana e um pequeno petroleiro carregado com combustível iraniano também saiu pela mesma rota. Em Portugal, a semana começa com uma subida do preço dos combustíveis. Também subiu, entretanto, o preço dos futuros contratos do petróleo Brent, a referência europeia. A subida no petróleo Brent é ligeira, de 1%. O preço do barril está hoje nos 89,49 dólares. A sessão anterior tinha fechado nos 88,58 dólares por barril de Brent.
Falamos agora do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que se deve reunir hoje com Jared Kushner em Gaza.
É o genro, mas também o enviado especial de Donald Trump. Esta é mais uma tentativa de avançar com o plano de paz dos Estados Unidos para a faixa de Gaza. A informação foi anunciada pela agência Reuters. Este encontro acontece um dia depois do enviado especial do presidente norte-americano ter participado numa reunião com representantes do Hamas no Egito.
Continuamos a falar de Israel, Carlos. O ministro israelita da Defesa sugeriu matar palestinianos de forma seletiva.
Isso mesmo, Ricardo. São declarações publicadas pelo jornal britânico Financial Times. Itamar Ben-Gvir é o ministro da Segurança Nacional de Israel e uma figura de extrema-direita. Terá sugerido que o exército de Israel deveria matar seletivamente entre 30 a 40 palestinianos todas as noites na Faixa de Gaza. O motivo? Não merecem viver lá, diz Ben-Gvir. Não é a primeira vez que o líder da pasta da Segurança Israel tem este tipo de comentários, já que Itamar Ben-Gvir foi condenado por fazer comentários racistas anteriormente. O ministro diz que Israel deveria continuar a construir colonatos judaicos no enclave palestiniano, porque lá não vivem pessoas. Ben-Gvir deixou até críticas a Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelita, que optou por reduzir as operações militares na região por alegada pressão do governo de Donald Trump. O governante israelita pede ainda ao governo, do qual faz parte, para incentivar a imigração.
E é com estas declarações do ministro israelita da Defesa que terminamos esta "Guerra Traduzida" sobre os conflitos no Médio Oriente. Hoje teve a edição do Carlos Pedro.