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É o Som da Guerra Traduzida, uma edição dedicada à guerra no Irão. Em plena guerra, vamos passar em revista o que contam os jornais no Médio Oriente e também nos Estados Unidos da América. Eu sou o João Gama e a edição é do Miguel Gato. Miguel, boa tarde.
Boa tarde.
Hoje é dia de negociações com vista ao fim do conflito no Médio Oriente, no Irão, mas Miguel, o Irão não pretende participar.
É pelo menos essa a informação transmitida pela imprensa estatal de Teerão, conta que não há, até o momento, planos para participar na ronda negocial que está marcada para hoje no Paquistão. O objetivo é o mesmo: alcançar um acordo de cessar-fogo a longo prazo e permitir a livre circulação no estreito de Ormuz. Tal como aconteceu na última ronda negocial, volta a ser o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, a liderar as negociações por parte da Casa Branca.
Entretanto, Miguel, o Irão confirma oficialmente que ainda não tomou uma decisão sobre participar ou não nestas negociações.
Sim, o porta-voz Esmael Baghaei diz que, até o momento, não há planos para novas conversações, nem uma decisão tomada sobre o assunto. "Neste momento, não temos quaisquer planos para uma próxima ronda de negociações", afirmou o porta-voz iraniano numa conferência de imprensa citada pela Agência France-Presse.
E o regime iraniano acusa os Estados Unidos de pirataria armada e promete retaliar depois de o exército norte-americano ter apreendido um navio de carga iraniano, precisamente no estreito de Ormuz.
O comando militar do Irão acusa a Casa Branca de violação de cessar-fogo ao disparar contra um navio comercial iraniano no Golfo de Omã. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos fala numa operação conduzida de forma deliberada, profissional e proporcional para garantir o cumprimento do bloqueio do estreito de Ormuz. Segundo os meios de comunicação estatais do Irão, o navio seguia da China para o país, o Irão, quando foi alvo da ação norte-americana. A Marinha dos Estados Unidos divulgou esta manhã que a embarcação foi interceptada no mar da Arábia e que foi abatida, que foi interceptada por ter ignorado vários avisos ao longo de seis horas.
E precisamente o governo chinês, Miguel, já veio responder e condenar este ataque.
Sim, expressa preocupação com a interceção forçada da qual foi alvo esta embarcação. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China diz compreender que a situação no estreito de Ormuz é complexa, mas insta todas as partes a respeitarem o acordo de cessar-fogo que está em vigor de forma responsável, isto para evitar novas escaladas e criar as condições necessárias para que o trânsito normal pelo estreito seja retomado. São declarações citadas pela Agência Reuters.
E com negociações ou não no horizonte, as divergências entre os Estados Unidos e o Irão mantêm-se e em todas as frentes.
Sim, numa altura em que estão em curso esforços para alcançar uma paz duradoura antes do fim do atual cessar-fogo, que termina na quarta-feira, Teerão recusa negociar as capacidades defensivas, incluindo o programa de mísseis, isto segundo uma fonte iraniana citada pela Agência Reuters. A mesma fonte considera ainda que a continuação do bloqueio norte-americano no estreito de Ormuz está a comprometer as negociações de paz com vista precisamente ao fim do conflito no Médio Oriente.
E apesar das dificuldades, Miguel, o Paquistão intensificou os contactos diplomáticos com os Estados Unidos e o Irão para garantir o avanço destas negociações de paz.
Segundo a Associated Press, o ministro da Administração Interna paquistanês reuniu-se com representantes norte-americanos no país para preparar uma nova ronda de negociações, de conversações centrada também no reforço das relações bilaterais. As autoridades paquistanesas asseguram ter implementado fortes medidas de segurança para proteger as delegações, incluindo o encerramento de estradas, presença militar em postos de controlo e restrições em hotéis da capital. Entretanto, o primeiro-ministro paquistanês falou por telefone com o presidente iraniano num contexto de esforços diplomáticos para reduzir tensões, embora sem referência direta às negociações que estão previstas.
Entretanto, a Organização de Medicina Legal Iraniana dá conta do número total de mortos desde o início da guerra no Irão.
Pelo menos 3375 pessoas. Segundo o chefe da Organização de Medicina Legal do Irão, Abbas Majedi, apenas quatro corpos deste novo número estão por identificar. Citado pela agência de notícias Mizan, órgão oficial de comunicação do Poder Judicial do Irão, este responsável não detalha as baixas entre civis e forças de segurança, afirma apenas que cerca de 2800 eram homens e cerca de 500 eram mulheres. Segundo disse também este responsável, quase 400 destes mortos tinham menos de 18 anos. Os novos números divulgados por Majedi levantaram dúvidas sobre se incluem ou não membros das forças de segurança, especialmente por causa dos bombardeamentos contra as bases militares e arsenais no país.
Entretanto, Miguel, as Forças de Segurança de Israel garantem ter desmantelado uma rede iraniana que estaria a planear ataques não só em Israel, mas em vários países.
É isso mesmo que dá conta uma declaração conjunta dos serviços de segurança citada pelo The Times of Israel. Vários elementos desta rede foram mortos durante a campanha militar contra o Irão, incluindo o alegado responsável pela operação, Rahman Mokhaddem, ligado aos serviços de informação da Guarda Revolucionária do Irão. Segundo as autoridades israelitas, a rede operava sob orientação direta da Guarda Revolucionária Iraniana, tendo introduzido drones no Azerbaijão e recolhido também informações sobre alvos estratégicos, incluindo dirigentes políticos, instalações militares e também navios. As autoridades do Azerbaijão já tinham anunciado, por exemplo, no mês passado, que tinham impedido ataques no território do país, incluindo contra a embaixada de Israel em Baku, uma sinagoga e ainda contra líderes da comunidade judaica. E entre os alvos estaria também um oleoduto importante para o abastecimento de petróleo a Israel. O país, Israel, acusa o Irão de reforçar, após o início da guerra, os esforços para criar células como esta no estrangeiro e preparar novos ataques em vários países.
E é o ponto final em mais um episódio da Guerra Traduzida dedicada à guerra no Irão. A edição de hoje foi do jornalista Miguel Gato.