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Entramos em mais um episódio de "Guerra Traduzida". Agora passamos em revista a imprensa da Rússia. O jornalista João Gama continua conosco em estúdio. João, a Rússia desvaloriza ameaças de Donald Trump de aplicar mais sanções contra o país.

Na voz já habitual de Dmitry Peskov, o porta-voz do Kremlin assegura que todas as sanções que foram impostas a Moscovo provaram ser inúteis e não vão forçar a Rússia a abandonar os seus objetivos. Numa entrevista dada a um jornal russo, gravada a bordo do avião, Peskov assegura que nenhuma sanção conseguirá forçar a Rússia a mudar a sua posição e abandonar a opressão militar na Ucrânia e deixa um aviso a Washington. Diz que a Europa está a tentar atrair a Casa Branca pra sua órbita de influência e alinhar numa guerra comercial contra Moscovo. São declarações que estão em destaque no portal RBC.

E continuamos na imprensa estatal. A Agência TASS tem em destaque declarações de Sergei Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros, que garante que Moscovo quer cooperar com os Estados Unidos.

Até porque quer cooperar com todos, mas sem voltar a levantar muros de Berlim. E todos são quase todos, porque Lavrov diz que quer estender uma cooperação igualitária com todos os países que tenham interesses semelhantes aos de Moscovo. Isso inclui, diz Lavrov, os Estados Unidos da América. Lavrov acrescentou que existem perspectivas interessantes na frente econômica entre os dois países, como a produção de gás natural no Alasca, uma cooperação com os Estados Unidos que pode até chegar ao espaço. É o que defende o líder da diplomacia russa, que esteve a discursar perante alunos e professores e não desarma um daqueles que tem sido um dos seus principais argumentos. O Ocidente, como um todo, está a planear desmantelar a Rússia e dividi-la em várias regiões.

O portal RBC faz eco de uma notícia do New York Times sobre o número de mercenários norte-americanos que morreram na Ucrânia desde o início da guerra.

Pelo menos 92. O RBC cita o New York Times e lembra que, de acordo com fontes deste jornal norte-americano, há milhares de voluntários ou mercenários dos Estados Unidos a participar neste conflito. Claro que a palavra mercenário é uma adição dos jornais estatais da Rússia. Esta reportagem do New York Times fala de voluntários, mas alinha num fato. O jornal norte-americano escreve, de fato, que com base em estimativas independentes, o número de voluntários americanos gira em torno de um milhar, apesar de serem números que não são confirmados pelas Forças Armadas ucranianas. O New York Times acrescenta que a composição dos voluntários tem mudado ao longo do tempo. Há cada vez mais pessoas sem experiência militar ou veteranos de guerra a procurar reiniciar carreiras militares aqui na Ucrânia.

Já o maior ataque aéreo contra a Ucrânia apenas consta nos jornais independentes.

Tivemos de procurar ao Meduza e ao The Moscow Times. O Moscow Times alinha com a imprensa ucraniana e diz que a Rússia atingiu a sede do governo ucraniano no maior ataque aéreo desta guerra. Cita ainda a primeira-ministra ucraniana a dizer que o ataque se tratou de um crime deliberado. Já o Meduza destaca a perda de cidadania de Ilya Yashin, um político da oposição russa que foi libertado numa troca de prisioneiros no ano passado. De acordo com Yashin, o ministro russo do Interior revogou a cidadania através de documentos do seu processo em tribunal. O opositor está impedido de entrar na Rússia, diz a lei russa, para assegurar a defesa e os interesses do país, e assim conclui, na rede social Telegram, que perdeu a cidadania do país de onde é de origem. Fala até numa decisão sem precedentes históricos por parte da Justiça de Moscovo. Importa recordar, Vasco, que em agosto de 2024, Yashin foi libertado de uma prisão russa, onde cumpria pena sob acusação de disseminar desinformação sobre o exército russo. A libertação ocorreu como parte de uma troca de prisioneiros em larga escala entre a Rússia e vários países ocidentais, que resultou na libertação de 16 pessoas das prisões russas.

Ponto final em mais uma edição do "Guerra Traduzido".