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Mais um episódio de "Guerra Traduzida". Agora analisamos a imprensa da Ucrânia desta sexta-feira, num trabalho do jornalista Rui Casanova. Rui, o grande destaque de hoje é a substituição do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia.

Sim, é muito interessante, porque é algo surpreendente o facto da entrevista de Vladimir Putin a Tucker Carlson, jornalista norte-americano, não estar em destaque na imprensa ucraniana. Quando vamos aos sites e aos jornais de hoje da Ucrânia, não há qualquer referência a esta entrevista. Diria que é algo surpreendente. O grande destaque é a substituição do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia. Ao fim de vários meses de especulação, a confirmação chegou ontem. Valery Zaluzhnyi foi demitido e é substituído por Oleksandr Syrskyi. É o tema em manchete em todos os jornais, também em destaque nas televisões da Ucrânia. O canal TSN, por exemplo, destaca a primeira declaração de Syrskyi já no novo cargo, numa publicação na rede social Telegram. Começa por agradecer aos irmãos e irmãs com quem luta diariamente no terreno e elenca depois os desafios no próximo cargo. Promete um planeamento claro e detalhado das operações no terreno, diz que o bem-estar dos militares é uma prioridade indiscutível e promete também novas soluções técnicas para esta guerra frente à Rússia.

A Dinamarca deixa, entretanto, o alerta de que a Rússia pode atacar território da NATO nos próximos anos.

A Rússia pode atacar a NATO dentro de três a cinco anos. Isto porque as capacidades de produção de armas de Moscovo aumentaram significativamente. É o alerta deixado pelo Ministro da Defesa da Dinamarca, citado pelo jornal RBK Ucrânia. Ao mesmo tempo, o ministro garante que a Dinamarca vai estar pronta para responder a essa eventualidade. É um alerta que surge pouco depois de a Alemanha deixar avisos semelhantes de que a Rússia pode atacar em breve a NATO. A Rússia tem negado, mas a Aliança Atlântica garante que está atenta a qualquer tipo de movimentação da Rússia que vá nesse sentido.

E entretanto, a Finlândia anunciou um novo pacote de ajuda militar à Ucrânia.

Sim, este tipo de notícia está sempre em destaque na imprensa ucraniana. Hoje não é exceção. A Finlândia acaba de aprovar o 22º pacote de ajuda de defesa à Ucrânia. Tem um valor de cerca de 190 milhões de euros. Um anúncio feito pelo Ministério da Defesa finlandês, aqui citado pelo jornal online Kyiv Independent. Ao todo, desde o início da guerra, a Finlândia já deu à Ucrânia, em ajuda militar, quase 2 mil milhões de euros. Tal como aconteceu com os pacotes de ajuda anteriores, Helsínquia não divulga detalhes sobre o conteúdo ou os prazos de entrega por razões de segurança. Ainda assim, é uma notícia em destaque na imprensa ucraniana de hoje, mais um pacote de ajuda militar da Finlândia a caminho de Kiev.

E no terreno, a Agência Interfax da Ucrânia dá destaque às operações das últimas 24 horas.

Sim, a Interfax cita um relatório do Estado-Maior General das Forças Armadas da Ucrânia, semelhante ao que falámos há bocado no episódio anterior de "Guerra Traduzida" versão Rússia. O exército ucraniano, nas últimas 24 horas, afirma que eliminou, é sempre esta a expressão utilizada de ambos os lados, 910 inimigos, ou seja, 910 soldados russos. Diz também o exército de Kiev que destruiu nas últimas 24 horas 22 veículos blindados, 24 sistemas de artilharia e vários tipos de mísseis e outros equipamentos militares. Não são dados mais detalhes, por exemplo, as regiões onde aconteceram estes combates. Certo é que são dados divulgados pelo exército da Ucrânia e em destaque na imprensa do país de hoje.

Fechamos assim este episódio. A "Guerra Traduzida" está de regresso na próxima semana.