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Guerra traduzida, Rádio Observador. Vamos nos próximos minutos analisar a imprensa ucraniana. Estamos no dia 511 da invasão russa. Este é um trabalho do jornalista Rui Casanova, com colaboração de Tânia Olinec. Rui, começamos com a Rússia a lançar um ataque massivo em Odessa, no sul da Ucrânia. As autoridades ucranianas falam em terrorismo.
As sirenes de alerta foram acionadas em várias regiões ucranianas durante a noite e a madrugada, mas com especial atenção para Odessa. Esta foi a segunda noite de ataques a esta cidade portuária, que fica no sul da Ucrânia, depois de a Rússia ter anunciado a suspensão no acordo de cereais. É desta região, de Odessa, que ao longo do último ano têm saído vários navios carregados com alimentos ao abrigo do acordo de cereais do Mar Negro, daí os ataques da Rússia. O governador regional de Odessa apelou, entretanto, aos residentes para que permaneçam em abrigos. Já o porta-voz ucraniano do Comando Sul adianta que o ataque russo em Odessa atingiu um terminal de onde partiam cereais ucranianos e danificou alguns equipamentos utilizados para o carregamento destes alimentos. Há ainda registro de incêndios e edifícios completamente destruídos. Aquilo que ouvimos em fundo são vídeos divulgados nas redes sociais por vários jornais ucranianos que mostram bombeiros a apagar focos de incêndio em vários edifícios, um pouco por toda esta cidade de Odessa. Vemos edifícios em escombros e colunas de fumo negro que saem destes incêndios. Entretanto, o conselheiro de Zelensky descreve este ataque como um ato de terrorismo. Já o próprio presidente Volodymyr Zelensky afirma no Telegram que a Rússia alvejou deliberadamente a infraestrutura do acordo de cereais ucranianos.
E para além desta nova vaga de ataques aéreos em Odessa, as forças russas também lançaram uma ofensiva nas regiões de Kiev e Mykolaiv.
O líder da administração militar da capital ucraniana afirma que esta foi uma noite difícil de ataques aéreos por toda a Ucrânia, especialmente no sul, mas adianta que o inimigo não se esqueceu de Kiev. É o que diz Serhii Popko numa publicação na conta de Telegram. De acordo com este líder ucraniano, as forças russas voltaram ainda a recorrer ao uso de drones Shahed, de fabrico iraniano. Ainda não há números oficiais sobre possíveis vítimas, o número exato de vítimas que tenham saído destes ataques um pouco por toda a Ucrânia na última noite e madrugada.
Falemos agora do acordo de cereais. Zelensky instruiu o Ministério dos Negócios Estrangeiros a intensificar os contactos com os parceiros internacionais para aumentar a pressão sobre a Rússia.
Como já dissemos e temos vindo a destacar aqui na Guerra Traduzida, a Rússia anunciou a suspensão da participação neste acordo de cereais ucranianos. Entretanto, a Rússia também já disse que pode voltar atrás nessa decisão se as partes que a Rússia reivindica forem cumpridas pelo Ocidente. Zelensky deu agora instruções ao governo para intensificar os contactos com parceiros internacionais para aumentar essa pressão sobre Moscovo, com o objetivo de continuar a exportação de cereais ucranianos através do Mar Negro. É o que dá conta Zelensky numa publicação nas redes sociais. Também anuncia que instruiu os militares a reforçar a proteção dos cidadãos ucranianos e também da infraestrutura portuária, também na sequência dos ataques a Odessa. É uma notícia em destaque no portal ucraniano Eurointegration.
Isto num dia em que o presidente ucraniano também já acusou a Rússia de atacar de forma propositada locais de exportação de cereais. Isto acontece três dias depois de Putin ter rasgado o acordo entre os dois países. Hoje, no Telegram, Zelensky afirmou que Moscovo está a atingir os portos do Mar Negro e diz também que quer reforçar a segurança de quem trabalha nestes locais. Seguimos com uma outra notícia em destaque na imprensa ucraniana. A África do Sul diz que Putin não vai à Cimeira dos BRICS.
Foi uma informação avançada pela FP há pouco, ao início da tarde. O assunto tem estado envolto em polêmica, pois poderia estar aqui em causa a detenção de Vladimir Putin durante esta cimeira, que vai decorrer em agosto, em Joanesburgo. É a Cimeira das Economias Emergentes, ou seja, Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul. Ainda ontem, o presidente da África do Sul tinha dito que o cumprimento do mandado de captura do Tribunal Penal Internacional de Vladimir Putin, que está acusado pelo TPI de deportar crianças da Ucrânia, seria entendido como uma declaração de guerra, um risco que o presidente da África do Sul diz que não poderia correr. Agora, o presidente sul-africano informa que, por mútuo acordo, Vladimir Putin não estará presente nesta cimeira. Será, sim, representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov. Este vai ser um tema também em destaque já aqui no próximo episódio de Guerra Traduzida, versão Rússia. Só que para finalizar, é interessante o título do jornal Pravda sobre esta notícia. Diz, passo a citar: "Putin decidiu não ir à cimeira na África do Sul para evitar ser preso". Portanto, aqui uma certa também bicada a Vladimir Putin neste título do jornal ucraniano Pravda.
Ponto final neste episódio com análise à imprensa ucraniana de hoje, dia 19 de julho.