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Seguimos com esta Guerra Traduzida, agora com destaque para a imprensa russa, num trabalho do jornalista João Filipe Cruz, com colaboração de Larissa Tovmazian, dia 22 de novembro. Em destaque hoje na imprensa russa, o discurso de Vladimir Putin na Cimeira do G20, com o chefe do Kremlin a garantir que Moscovo nunca desistiu das negociações de paz.
Está em destaque essa notícia em vários órgãos estatais russos, obviamente, entre eles o da rádio pública, Kommersant Pravda. Vladimir Putin falou na Cimeira virtual do G20. Começou por dizer que é preciso pensar numa forma de parar a guerra na Ucrânia, a que se referiu como sendo uma tragédia, e garantiu, como dizias, Miguel, que a Rússia está pronta, sempre esteve pronta para negociações. Apesar de já terem insistido, com pouco sucesso, diga-se, sabemos, o chefe de Estado russo culpa ainda assim a Ucrânia, justifica que há uma lei ucraniana que proíbe as conversações. Na altura, a Rússia recusou ceder os terrenos conquistados na Ucrânia e Kiev não abdicou de nenhuma parte do território. Neste discurso, Vladimir Putin também focou-se, tal como já tínhamos adiantado ontem no Guerra Traduzida, em questões geopolíticas mais amplas, em particular o facto de a atividade económica estar, de acordo com o presidente da Rússia, a ser transferida pra Ásia e pra África. E foi a partir daqui que Putin revelou que a Rússia enviou, ou sublinhou, ou recordou, ou reforçou, que a Rússia já enviou de forma gratuita cereais para o continente africano e mostrou-se com vontade de contribuir para os objetivos globais para o clima.
E o Kremlin entende que os Estados Unidos da América estão a tentar passar os custos de manter Volodymyr Zelensky como presidente ucraniano para a União Europeia.
É uma ideia que foi transmitida pela porta-voz do Ministério Russo dos Negócios Estrangeiros, em declarações aos jornalistas. Maria Zakharova diz que não é coincidência que ontem o ministro alemão da Defesa tenha estado em Kiev para anunciar que os germânicos vão prestar o dobro da assistência militar à Ucrânia para o próximo ano, vai passar de quatro para oito milhões de euros. De acordo com Zakharova, a comitiva norte-americana que esteve anteontem na Ucrânia, na segunda-feira, no início desta semana, teve o objetivo de controlar, e esta expressão é dela, é da porta-voz do Ministério Russo, controlar o apetite de Volodymyr Zelensky e também questioná-lo sobre os gastos enormes que teve na contraofensiva ucraniana no verão. A rádio pública Kommersant Pravda aproveita também no último parágrafo desta notícia para lembrar que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky admitiu que as tropas de Kiev não têm estado a ter os resultados esperados, o que é um mau sinal.
E sobre o terreno, os média russos destacam a destruição de um caça ucraniano perto de Donetsk.
Este é o destaque daquele relatório que já é habitual do Ministério Russo da Defesa sobre as perdas ucranianas durante os combates. Através do canal de Telegram, o ministério faz saber que destruiu esse MiG-29 da Força Aérea Ucraniana perto da vila de Vozdvizhenka. Para além deste, foram também destruídos um armazém de armas para aviação, um armazém que continha armamento para aviação, e também um sistema de defesa antiaéreo. E ainda, nas últimas 24 horas, as tropas russas e os sistemas de defesa russos destruíram 45 drones nas regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia, Kherson e também Kharkiv.
Falamos, claro, também da imprensa livre, imprensa independente da Rússia. O destaque de hoje vai para a pena mais pesada de um caso de deserção.
Dez anos numa prisão de máxima segurança para Roman Egorov, um militar russo que abandonou o exército três vezes. A notícia está em destaque no portal independente Meduza, que aqui cita outro meio livre russo, o Mediazona. No veredicto, o tribunal concluiu que Egorov decidiu de forma livre abandonar o serviço militar e nota também que as justificações sempre tiveram a ver com problemas domésticos e discussões com a mulher. Da primeira vez que o militar russo falhou o prazo para se apresentar ao serviço, disse que estava precisamente com a esposa. As autoridades detiveram-no perto da casa de um amigo que visitou e da segunda vez Egorov foi detido numa vila vizinha onde morava, onde decidiu esconder-se até que as buscas por ele terminassem. Tentou escapar e quando soube que as autoridades estavam perto, tentou escapar e de acordo com o testemunho da mulher, foi ela própria que partilhou com a polícia que tinha visto o carro do marido numa das vilas da região onde moram no sul da Rússia. Resultado: dez anos de prisão num estabelecimento de alta segurança. E é recorde, de acordo com o Mediazona, porque em junho um outro tribunal tinha acusado um militar de desertar, reconheceu que pretendia torná-lo um exemplo e dessa feita apanhou esse militar, por assim dizer, nove anos de prisão. Este foi mais um ano, dez.
É notícia de fecho nesta guerra traduzida, com destaque para a imprensa russa.