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O que diz a imprensa russa é o que vamos decifrar com a ajuda da Larissa Tovmazian, em mais um episódio da Guerra Traduzida na Rádio Observador, nesta quinta-feira, dia 31 de março. Larissa, bem-vinda. Começamos hoje por uma assinatura de um decreto por parte de Vladimir Putin, que assinou o decreto para a recruta de quase 140 mil novos militares.
Exato. A Ria Novosti, que é uma plataforma estatal, afirma que Putin assinou um decreto sobre a obrigatoriedade do serviço militar, que normalmente começa na primavera.
Portanto, o que temos aqui é quase um proforma, não é? Acontece todos os anos, não acontece por causa da guerra. Hoje é notícia em todos os jornais esse número para este ano, para esta primavera.
Sim, foram 134 mil jovens de 18 aos 27 anos que se deverão apresentar ao serviço militar. Normalmente, o procedimento normal é receber uma carta em casa e aqui a notícia avança que é o que vai acontecer a partir de 1º de abril. O processo começa 1 de abril e termina 15 de julho. Nessa carta diz-se que o jovem é chamado para prestar o serviço militar. Depois temos também a Mediazona, independente, que nos diz que o ministro de Defesa Shoigu, que finalmente apareceu, promete que os jovens não serão enviados para qualquer região que esteja sob qualquer perigo.
Sim, portanto, é para cumprir o serviço militar, o início desse serviço militar, mas essas dúvidas sobre se irão ou não para a Ucrânia, a garantia aqui por parte do ministro da Defesa é de que não vão para essas zonas. Avançamos pela imprensa russa para olhar para o que dizem os jornais sobre aquilo que têm sido negociações entre a Rússia e a Índia. Hoje, como sabemos, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, está a visitar a Índia. Está por lá também, pela Índia, a ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Liz Truss. Temos aqui situações diferentes. O Reino Unido quer que a Índia se posicione contra a Rússia. A Rússia quer, claro, o contrário.
O nome da notícia é: "Tirem daqui a psicótica". Estão a referir-se precisamente à ministra que chega à Índia e pressiona o governo antes da chegada do ministro Lavrov. A ministra de Negócios Estrangeiros encontra-se na Índia para pressionar e persuadir os gigantes da Ásia a tomar decisões quanto à operação especial na Rússia. Isto porque, como sabemos, a Índia absteve-se de condenar a Rússia, apenas pediu o fim da violência e continua a comprar os bens russos, bem como o petróleo. E salientar também uma pequena curiosidade, que é que a ministra tem apoiado a russofobia e no dia da invasão, 24 de fevereiro, expulsou o embaixador russo que está em Londres, foi expulso de uma reunião.
Detalhes sobre estes encontros que estão a acontecer na Índia, neste caso, com a ministra dos Negócios Estrangeiros britânica e com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo. Mas olhando para estes encontros, parece que a Rússia está a ter mais sucesso, porque Moscovo e Nova Déli iam reunir principalmente por questões económicas. Foi noticiada a tentativa de criar um novo sistema Swift entre os dois países e parece que está alcançado um acordo.
Está a correr bastante bem, exato. Esta notícia vem na sequência da anterior e o site Ria avança com a notícia de que Índia e Rússia estão a terminar este projeto, que pode ser uma boa alternativa ao Swift. Espera-se que este sistema comece a funcionar dentro de uma semana, pelo menos a experimentar. E segundo as informações do canal, já no início de abril, os representantes do Banco Central Russo encontrar-se-ão com os colegas indianos para criar e desenvolver uma base normativa e legal que ajude a desenvolver transferências bancárias e outras operações.
E assim avança um sistema Swift novo entre Rússia e Índia, facilitando assim as transferências de documentos de importação ou exportação e as transações monetárias em rupias e em rublos, neste caso, um novo sistema financeiro entre Rússia e Índia, um novo sistema Swift entre os dois países. Entretanto, seguimos para a Meduza, uma publicação independente, como temos referido já várias vezes, que tem hoje um artigo muito explicativo, um explicador, na verdade. Como agir perante a raiva que alguém possa sentir ao ver familiares e amigos a apoiar a guerra.
Isto porque ultimamente tem havido muitas divergências quanto a notícias que temos estado a ouvir e esta raiva de ouvir os amigos e familiares deixa-nos um pouco confusos de como lidar com esta situação toda. E a Meduza conta-nos aqui como podemos lidar com as opiniões diversas, que às vezes divergem das nossas, especialmente nesta altura de guerra. E aqui o site da Meduza publica 16 frases. Não as vamos ler todas, mas são 16 frases e possíveis reações ou respostas sobre como lidar com as opiniões das outras pessoas relativamente à operação especial ou guerra. Ou seja, mesmo estes conceitos de operação especial e guerra já geram bastantes conflitos na família. Isto provoca claramente muitas emoções negativas. E vamos ver alguns destes tópicos. Dizem que sentir raiva é normal.
Sim, vejo aqui que o primeiro tópico é o que pode ter acontecido pra provocar a raiva e depois o segundo é logo se a raiva é ou não normal.
Exato.
E aqui vai explicando todo este processo.
Sim, aqui diz que é uma das formas de nos defendermos e insistirmos na nossa opinião. Como manter a calma quando vemos que existem pessoas que apoiam, infelizmente, estes assassinatos. Podemos sentir raiva, é uma emoção também, mas importa perceber que estas opiniões também são uma realidade. Simplesmente temos de as combater com os argumentos saudáveis que temos.
É um artigo explicador da Meduza que tem como imagem, a acompanhar este artigo, um emoji de um boneco irritado. Passamos então para terminar esta guerra traduzida de hoje, a notícia que surge na Ren.tv, um canal estatal. Rússia diz que os Estados Unidos estão a criar notícias falsas com imagens de crianças.
Os nacionalistas ucranianos, diz-nos a Ren TV, preparam vídeos falsos sobre os militares russos que têm como objetivo denegrir a imagem dos mesmos. Temos aqui um pequeno excerto da notícia. De acordo com esta notícia, o Ministério da Defesa da Rússia soube que os vídeos que ainda vão ser publicados, já foram alguns, vão ser assassinatos em massa de pessoas inocentes, de crianças, realizados pelos soldados russos que foram defender Donbass neste momento, os chamados soldados da paz.
E portanto, aqui a Rússia está tentando mostrar que há notícias falsas sendo criadas também sobre este conflito, mas do lado ucraniano e de quem apoia também as forças ucranianas. É assim que termina este episódio da guerra traduzida de hoje, com a ajuda da Larisa Tovmasian.