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Guerra traduzida na Rádio Observador. Olhamos agora para a imprensa russa com a edição da Laura Figueiredo. Começamos por Vladimir Putin, que diz que é impossível garantir que as armas de destruição maciças não vão ser utilizadas.

O presidente russo disse hoje no Clube de Valdai que é impossível garantir a não utilização de armas de destruição maciça, mas que é um cenário que deve ser evitado. Citado pela RIA Novosti, Vladimir Putin questiona: "Podemos ter a certeza de que estas armas não vão ser utilizadas? Claro que não. Temos de ter isto em mente e evitar esse cenário". Ainda na mesma intervenção, Putin garantiu que não tem planos para atacar a Europa, mas promete responder se a Rússia for atacada. O presidente russo defendeu também novamente o conteúdo que constava na carta enviada ontem pela Rússia à NATO. Neste documento, Moscovo ameaçava usar todo o tipo de armas, incluindo as nucleares, se a Aliança Atlântica tentar isolar o enclave russo de Kaliningrado, no Báltico.

E continuamos a olhar para as declarações do presidente russo Vladimir Putin, afirma que invadiu a Ucrânia para se defender e garante que não ataca infraestruturas civis.

O presidente russo alega que o país não foi responsável pelo início da guerra na Ucrânia e que foi forçado a atacar Kiev para se defender e proteger a população, que, segundo Putin, estaria a ser alvo de perseguição. Vladimir Putin afirma que não deveriam ter encorajado o nacionalismo agressivo e a russofobia na Ucrânia, a fim de transformá-la numa ferramenta na luta contra a Rússia. Putin garantiu também que as Forças Armadas russas cumprem as diretivas do direito internacional sobre a guerra, apesar de terem sido registados episódios em sentido contrário, como, por exemplo, o massacre de Bucha em março de 2022, que até agora sempre foi negado por Moscovo. Além disso, os alvos russos dos ataques têm sido maioritariamente infraestruturas civis, como prédios de habitação, escolas e equipamentos energéticos.

Continuamos a falar de Vladimir Putin, que diz estar disponível para receber urânio enriquecido vindo do Irão.

Sim, o presidente russo afirmou que o país está disponível para receber urânio enriquecido do Irão, isto no âmbito de um eventual acordo de paz entre Teerão e Washington. O acordo multilateral assinado em 2015 entre Irão, Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha previa uma redução do enriquecimento de urânio e também o transporte para a Rússia. O primeiro envio acabou por concretizar-se no final desse ano, mas agora, depois dos ataques norte-americanos de fevereiro deste ano, o tema voltou a estar em cima da mesa, com Moscovo a mostrar disponibilidade para receber o material no âmbito de um possível acordo de paz entre Teerão e Washington.

Mudamos de tema, Laura. Sete pessoas morreram na sequência de uma explosão numa fábrica de produtos químicos na região de Moscovo.

A explosão atingiu uma fábrica química que produz munições e artefactos pirotécnicos. As autoridades não se pronunciaram ainda sobre este incidente e o número de mortes permanece por confirmar. De acordo com a imprensa local, sete pessoas estavam dentro de uma das oficinas da fábrica, que desabou completamente. Alguns sobreviventes dão conta de que havia mais trabalhadores dentro das instalações e há também relatos que dizem que mais de 40 trabalhadores estavam, de facto, na fábrica. Imagens gravadas por testemunhas mostram chamas e também colunas de fumo. Os relatórios preliminares apontam para uma causa técnica para a explosão. Não foram relatados ataques aéreos naquela área. No entanto, esta fábrica tinha já sido alvo de um ataque ucraniano em julho de 2025.

Foram estes os principais destaques da imprensa russa. A guerra traduzida está de regresso já amanhã.