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Guerra traduzida na Rádio Observador. Nos próximos minutos falamos sobre as principais notícias que estão em destaque na imprensa russa, hoje com o jornalista Martim Madeira. No lado russo, Vladimir Putin considera inútil um encontro com Zelensky depois da carta aberta.
A resposta russa à iniciativa de paz de Kiev foi de recusa. Vladimir Putin afirma hoje que não vê qualquer sentido num encontro com Zelensky nesta fase. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, e o ministro Lavrov classificaram a carta de Zelensky como um estratagema de propaganda pouco sério. Moscovo insiste que qualquer negociação deve basear-se nas condições ditadas pela Rússia, incluindo o controle total sobre Donbass, e sugere que Zelensky deveria vir a Moscovo se realmente quiser falar, em vez de estar a enviar cartas públicas.
E continuamos com as negociações. Putin mostra-se disposto a negociar cessar-fogo ao evocar conversas com Trump como base para a paz.
Putin afirma que a Rússia continua pronta para alcançar um acordo com a Ucrânia por meios pacíficos, apesar de ter rejeitado esta proposta de Volodymyr Zelensky. No entanto, o líder russo condicionou essa paz aos termos discutidos anteriormente com Donald Trump num encontro em Anchorage. Moscovo reforça a ideia de que a solução para o conflito passa por Washington, e não por Kiev, acusando a atual administração norte-americana de inconsistências e de não forçar a capitulação ucraniana.
E continuamos com o presidente russo no Fórum Económico Internacional de São Petersburgo. Putin ignora sanções e proclama nova ordem mundial multipolar.
As declarações de Vladimir Putin neste Fórum Económico Internacional de São Petersburgo. Discursou hoje na sessão plenária afirmando que o mundo atravessa a maior transformação estrutural dos últimos anos. O líder russo desvalorizou o impacto das sanções ocidentais, é o que escrevem os jornais russos. Apresentou a economia russa como resiliente e aberta a todos os que queiram cooperar em pé de igualdade. O fórum é utilizado pelo Kremlin para projetar confiança e patriotismo com exibições de carros russos e novos projetos tecnológicos, apesar do isolamento diplomático de grande parte do Ocidente.
E a imprensa russa destaca ainda um ataque de drones ucranianos que matou cinco civis a bordo de navios de carga.
Aconteceu no mar de Azov. Segundo fontes de Moscovo, cinco tripulantes de nacionalidade azeri morreram na sequência deste ataque na baía de Taganrog. O Kremlin acusa Kiev de visar deliberadamente embarcações civis, enquanto a Ucrânia alega que os navios transportavam carga ilegal de apoio ao esforço da guerra. O incidente está a causar algumas tensões diplomáticas, com o Azerbaijão a pedir esclarecimentos sobre a morte dos cidadãos.
Ainda em destaque nos jornais russos, está o fundador do Telegram, que critica as restrições à internet na Rússia.
O fundador do Telegram criticou duramente a censura na internet russa ao afirmar que as políticas de soberania digital atiraram o país décadas para trás e, ironicamente, facilitaram a espionagem dos Estados Unidos. Pavel Durov acusa os funcionários responsáveis por estas restrições de prejudicarem a segurança nacional sob o pretexto de a proteger. Esta declaração surge também num contexto em que a Rússia aumentou o controle sobre as redes sociais, rotulando organizações midiáticas, como por exemplo o The Moscow Times, de indesejáveis.
E está feita a edição de hoje da Guerra Traduzida com Martim Madeira. Regressa na segunda-feira. Estará disponível dentro de instantes em observador.pt e também nas plataformas digitais. Até já, Martim.
Até já.