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Guerra traduzida na Rádio Observador. Vamos olhar para a forma como os jornais da Rússia e da Ucrânia noticiam a guerra em curso. Está conosco o jornalista Rui Casanova e eu sou Laura Figueiredo. Rui, começamos com a imprensa da Rússia. Em destaque, a Rússia afasta para já uma nova reunião entre Vladimir Putin e Donald Trump.
Não há nenhuma reunião planeada para breve entre o presidente da Rússia e o presidente dos Estados Unidos. É uma informação confirmada pelo porta-voz do Kremlin à imprensa estatal russa esta manhã. É uma notícia em destaque a esta hora em órgãos como a agência estatal de notícias TASS. O último encontro presencial entre Vladimir Putin e Donald Trump ocorreu em agosto, foi no Alasca, nos Estados Unidos. Na altura, os dois presidentes discutiram o acordo de paz com a Ucrânia e a normalização das relações bilaterais entre os países. Nos últimos meses, mais concretamente desde janeiro, o líder norte-americano Donald Trump teve seis conversas ao telefone com Vladimir Putin. No entanto, desde aí não há relatos de contactos diretos entre os dois líderes, desde a Cimeira do Alasca, e parece que, de acordo com esta informação do porta-voz do Kremlin, essa nova reunião presencial não está para breve.
E vamos até ao terreno. O Ministério da Defesa da Rússia anunciou a destruição de instalações de armazenamento de combustível das Forças Armadas ucranianas.
Sim, este tipo de notícias é sempre muito frequente na imprensa estatal russa. Os jornais divulgam estas informações com base em relatórios do Ministério da Defesa da Rússia. Nas últimas horas, as forças militares de Moscovo atacaram depósitos de combustível que apoiavam as Forças Armadas ucranianas, bem como instalações portuárias e infraestrutura energética. Estes ataques aconteceram em várias regiões da Ucrânia. Não há, para já, informação oficial sobre possíveis vítimas. Certo é que, como dissemos, este tipo de informações está sempre em grande destaque nos jornais estatais russos e hoje não é exceção.
E o jornal independente Meduza tem uma reportagem sobre soldados russos que desertaram.
Sim, este é o tipo de notícias que a imprensa livre da Rússia costuma ter em destaque e hoje é o caso. O jornal Meduza diz que desde o início da guerra na Ucrânia, pelo menos 50 mil soldados russos desertaram do exército. Isto com base em documentos do Ministério da Defesa da Rússia, que vieram a público no ano passado. Ora, o Meduza falou com vários especialistas militares que afirmam que a tendência é para que este número continue a aumentar com o decorrer da guerra. É uma informação que vai naturalmente contra o que afirma o Kremlin, que os soldados estão unidos e ao serviço da pátria. E é sempre interessante analisar estas diferenças entre a imprensa estatal e livre da Rússia, e hoje ficam aqui bem patentes com base nesta reportagem do jornal independente Meduza.
Voltamos já a seguir para a segunda parte com os destaques da imprensa da Ucrânia.