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Guerra traduzida na Rádio Observador. Vamos traduzir as notícias sobre a invasão a partir dos media russos e ucranianos. E hoje começamos com a imprensa da Rússia, um trabalho do jornalista Rui Casanova. Olá, Rui, boa tarde.

Olá, Miguel.

Em colaboração com a Larissa Tovmazian. Rui, vamos começar com as declarações do presidente da Bielorrússia. Aleksandr Lukashenko propõe uma trégua na Ucrânia.

Sim, o presidente da Bielorrússia propõe interromper o conflito na Ucrânia e assim declarar uma trégua sem o direito de movimentar equipamentos ou armas em cada um dos lados. São declarações no Parlamento da Bielorrússia. Aleksandr Lukashenko afirma que só há um caminho para este conflito e esse caminho é o das negociações. Também de acordo com o líder bielorrusso, uma possível contraofensiva das tropas ucranianas, agora na primavera, vai levar a uma escalada de conflito e assim eliminar a possibilidade de negociações de paz, que Lukashenko diz aqui defender. O presidente da Bielorrússia afirma também que o povo da Ucrânia precisa, lá está, de paz, mas também deixa um aviso: ninguém no Ocidente está interessado nessa mesma paz. Portanto, declarações de Aleksandr Lukashenko com uma crítica, uma certa bicada aos países do Ocidente. São declarações do líder bielorrusso em destaque no jornal estatal russo "Vesti".

A imprensa russa desta sexta-feira também dá destaque a declarações do primeiro-ministro da Hungria. O que disse o primeiro-ministro?

Viktor Orbán afirma que o Ocidente se enganou ao subestimar a capacidade da Rússia de se adaptar às sanções da União Europeia. Subestimar a capacidade de adaptação de um país, especialmente um grande país como a Rússia, é um erro fatal. É o que afirma Viktor Orbán, em declarações citadas pelo jornal "KP", jornal estatal russo. O primeiro-ministro húngaro afirma mesmo que Moscovo está a conseguir contornar e adaptar-se a estas sanções, que já duram há mais de um ano, impostas pela Comissão Europeia a Moscovo.

Entretanto, Vladimir Putin demitiu os embaixadores russos na Estónia e Letónia.

Sim, é uma notícia em destaque na agência estatal russa RIA. Vladimir Putin demitiu Mikhail Vanin e Vladimir Lipayev, embaixadores da Rússia na Letónia e na Estónia, respetivamente. O anúncio foi feito no site oficial do governo russo, em decretos já publicados. A agência RIA explica que Vladimir Putin não estava satisfeito com a forma como estes embaixadores estavam a trabalhar. Fala Vladimir Putin no afastar das relações entre a Rússia e estes países, Estónia e Letónia, e por isso os embaixadores, os diplomatas, representantes de Moscovo nestes países, foram agora demitidos.

E Rui, há novidades sobre o recrutamento de primavera anunciado por Putin.

Sim, como parte da campanha de recrutamento de primavera, os escritórios de registo e alistamento militar russos vão pela primeira vez começar a enviar convocações por via eletrónica. É uma novidade nesta guerra que já dura há mais de um ano. A informação é avançada pelo chefe do principal departamento de organização e mobilização do Estado-Maior da Federação Russa, numa entrevista aqui citada pelo canal independente Meduza. Ontem, Vladimir Putin assinou um decreto sobre este recrutamento de primavera para o serviço militar. Está planeado o envio de mais 147 mil pessoas para o serviço militar. São 12,5 mil a mais do que no mesmo período do ano passado. A chamada começa amanhã, dia 1 de abril. Está prevista que dure até 15 de julho. E agora, com esta novidade, os funcionários dos comissariados militares foram encarregues de notificar estes cidadãos russos através da via eletrónica.

A tecnologia e a guerra de mãos dadas no fecho deste episódio de Guerra Traduzida. Já a seguir, vamos olhar para a imprensa ucraniana.