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Mais uma edição da Guerra Traduzida para acompanhar a situação no Irão. Nos próximos minutos passamos em revista alguns dos destaques dos jornais do Médio Oriente e dos Estados Unidos. A edição de hoje é do jornalista Carlos Pedro. Boa tarde, Carlos.

Boa tarde, Miguel.

Vamos começar a olhar pra imprensa do Irão. O portal Iran International destaca uma aparente resistência à liderança de Bagher Ghalibaf como principal negociador iraniano no processo de paz com os Estados Unidos.

Sim, é preciso sublinhar que Ghalibaf é também o atual presidente do Parlamento iraniano. A imprensa do país dá destaque a um pequeno, mas influente grupo de parlamentares ultraconservadores que acusam Ghalibaf de violar as linhas vermelhas impostas pelo líder supremo do Irão, Mostafa Khamenei. É acusado também de manter o Parlamento fechado, de modo a proteger tanto o governo como os negociadores das críticas que podem surgir. Contudo, o Iran International aponta uma posição até ver bastante segura por parte do chefe do Parlamento iraniano. Até porque, diz o jornal, uma votação interna mostra que apenas 30 dos 290 membros do hemiciclo opõem-se à liderança de Ghalibaf. As principais críticas vêm do partido ultraconservador Paidar, que significa em iraniano "firmeza". É um partido que se tem oposto constantemente a este ciclo de negociações com Washington.

Mas há um deputado, Carlos, que quer a reabertura do Parlamento, ou então serão tomadas outras medidas?

Neste caso, segue-se a via do protesto. A ameaça vem de Ghazanfari, que diz que se o Parlamento não reabrir antes de domingo, os deputados vão protestar. Ghazanfari diz que o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão nunca concordou com o encerramento do Parlamento. No entanto, Miguel, o mesmo jornal diz que a ideia ou oposição não é partilhada por muitos outros deputados iranianos. Nos últimos quatro meses, por exemplo, apenas outro deputado havia exigido publicamente a reabertura do Parlamento.

E Carlos, vamos aos Estados Unidos, porque o Washington Post diz que o Senado norte-americano mudou de posição face ao conflito no Irão.

Sim, é o destaque de primeira página no Washington Post desta quinta-feira, dia 25. Em causa, uma proposta rejeitada pelos senadores norte-americanos que visava impedir Donald Trump de retomar a guerra em Teerão, após o líder da Casa Branca ter dito que a aprovação de um documento semelhante na terça-feira prejudicava as negociações com o país islâmico. O Washington Post destaca a mudança de posição de alguns membros do Senado, sobretudo republicanos, que votaram a favor de todas as resoluções anteriores para pôr termo à guerra, mas agora votaram contra. Trump tinha criticado publicamente e em privado os quatro republicanos que votaram a favor do documento na terça-feira. Escreveu nas redes sociais que era uma forma de fornecer ajuda e conforto ao inimigo. Desde o início da guerra em fevereiro, os democratas têm forçado várias votações para impedir que Trump ordene novos ataques ao Irão. Trata-se da resolução sobre poderes de guerra de 1973 e que estabelece que o presidente norte-americano deve retirar as forças americanas envolvidas em hostilidades no exterior sem autorização do Congresso, caso este aprove tal resolução. A Casa Branca e alguns republicanos dizem que esta medida é inconstitucional. Agora, sobre a votação de ontem, o presidente dos Estados Unidos celebra como uma vitória, agradece aos senadores que mudaram de ideias e diz que esta votação serve de aviso para o Irão.

Das palavras de Trump, seguimos para as declarações de Marco Rubio. O secretário de Estado norte-americano rejeita qualquer reivindicação nacional do Estreito de Ormuz.

Nem por parte do Irão, nem por parte de outro país. Marco Rubio está no Barheim, em Manama, num encontro de líderes. Rubio diz que os Estados Unidos querem um acordo com o Irão e atiram que Washington está aberto a uma paz duradoura na região do Golfo. Isto com uma condição, ou várias, neste caso, que não prejudique a segurança e a prosperidade dos Estados Unidos e dos seus aliados. Portanto, Rubio diz sim ao acordo, mas não a qualquer preço.

A Al Jazeera continua a discussão do tema com preocupações no Irão relativamente às linhas vermelhas da Casa Branca.

Transmitidas precisamente pelo secretário de Estado Marco Rubio, é perentório a dizer que o Estreito de Ormuz não poderá contar com a cobrança de taxas. A segunda ideia é a questão nuclear. Os Estados Unidos, sabemos, não deixam que os iranianos tenham qualquer arma nuclear e exigem inspeções periódicas. Esta é uma ideia que já foi confirmada pela Agência Internacional de Energia Atômica, mas pouco depois rejeitada por Teerão. O Irão não só quer assumir um controle mais apertado de Ormuz com as tais taxas, como dizem que não está acordado qualquer plano de inspeções periódicas às centrais nucleares de enriquecimento de urânio. É também um tema para explorar ao longo das próximas semanas. De acordo com a Reuters, Rubio aterrou ontem à noite na capital do Barheim e vai participar numa série de reuniões que incluem não só as autoridades daquele país, como também o Conselho de Cooperação do Golfo, composto por seis países sunitas da região.

E o Irão acusa a NATO de cumplicidade na guerra travada contra o país, cumplicidade com os Estados Unidos.

Exatamente. Ismail Baghai é o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano e acusou hoje a NATO de cumplicidade na guerra de agressão ilegal lançada contra o Irão pelos Estados Unidos e por Israel. Baghai estava a responder a comentários feitos pelo secretário-geral da NATO, Mark Rutte, que revelou que 500 aeronaves norte-americanas descolaram de bases americanas à Itália durante a guerra. Em entrevista ao canal televisivo norte-americano Fox News, Rutte rejeitou a narrativa de que os aliados europeus dos Estados Unidos não prestaram ajuda durante a guerra com o Irão, uma queixa recorrente do presidente norte-americano Donald Trump, argumentando que este número relativo a voos realizados a partir de bases em Itália durante a Operação Fúria Épica é um enorme número.

Carlos Pedro, e mais uma edição da Guerra Traduzida do Irão.