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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos saber o que destacam os jornais russos e ucranianos em tempo de guerra, neste dia 25 de julho, com a jornalista Diana Rosa, como é habitual. Boa tarde, Diana.
Boa tarde, Luís.
Diana, começas hoje pela imprensa russa, porque o Kremlin diz que os memorandos de paz russos e ucranianos são incompatíveis e, por isso, não há paz à vista.
As negociações vão exigir um trabalho diplomático extremamente complexo, é o que adianta Dmitry Peskov, que admite que os textos estão em desacordo profundo. É, por isso, improvável que os dois países cheguem a um acordo tão cedo. A terceira ronda de negociações ocorreu há dois dias em Istambul. As duas partes concordaram em trocar não apenas militares, mas também civis. De resto, já deram conta de uma troca de prisioneiros ainda esta noite. A Rússia propôs à Ucrânia a criação de três grupos de trabalho online para resolver questões políticas, militares e humanitárias. Além disso, Moscovo concordou também em devolver mais de 3 mil corpos de militares ucranianos a Kiev e fazer breves pausas humanitárias na linha da frente para recolher mortos e feridos.
Certo é que Zelenskyy tem pedido para se encontrar presencialmente com Vladimir Putin, mas o Kremlin diz que isso não deve acontecer antes do fim de agosto.
Dmitry Peskov diz que uma reunião como essa pode e deve pôr fim ao conflito. No entanto, reitera que enquanto não houver acordo em todas as matérias, é inútil haver esse encontro. O Kremlin considera que para Zelenskyy se encontrar com Vladimir Putin é já para assinar o texto final. Ora, para o Kremlin é pouco provável que esse acordo seja alcançado em 30 dias. A Ucrânia tem uma opinião diferente, mas já vamos voltar a falar deste tema na segunda parte.
E para a Hungria, esta guerra está perdida para a Ucrânia. Viktor Orbán considera que o tempo está do lado da Rússia.
O primeiro-ministro húngaro sublinha que as tropas ucranianas estão a perder terreno com os avanços de Moscovo no leste do país. Em declarações à agência TASS, Orbán diz mesmo que não é de agora que a Ucrânia está em desvantagem e lembra que ainda no ano passado se ofereceu para mediar um acordo entre os dois países, posição transmitida a Zelenskyy em Kiev. Alcançar a paz com a Rússia é cada vez mais difícil, acredita o governante húngaro, até porque nunca ninguém derrotou uma superpotência nuclear. Orbán critica ainda Volodymyr Zelenskyy por permanecer fechado às investidas da Hungria para ajudar na resolução do conflito. Lembra que cada homem é o arquiteto da sua própria fortuna.
Diana, a Rússia avança a todo vapor com a modernização da marinha. É pelo menos o que adianta a imprensa local.
Que cita Vladimir Putin, o presidente russo, diz que o Kremlin vai implementar de forma definitiva e integral os planos para criar uma marinha de vanguarda, garantindo a segurança da Rússia e os interesses nacionais em todas as águas do mundo. Foram declarações na cerimónia de inauguração de um novo submarino nuclear. No total, mais de 70 navios estão a ser intervencionados nos estaleiros russos. Está ainda prevista a construção de seis novos submarinos nucleares até 2030. De acordo com Vladimir Putin, este trabalho constante e sistemático vai aumentar a estabilidade económica das empresas no setor da defesa e vai ajudar a atrair técnicos diferenciados, assim como a desenvolver mais soluções de alta tecnologia.
E por falar em defesa, o governo russo afirma que destruiu mais de uma centena de drones ucranianos em todo o país. Foi durante a noite e também já esta manhã.
A maioria dos drones foi interceptada enquanto sobrevoava as regiões da fronteira com a Rússia, no oeste e no sul do país, incluindo Bryansk, Rostov, Krasnodar, Kursk, Voronezh e Belgorod. Nesta última, as autoridades dizem que pelo menos quatro pessoas ficaram feridas na sequência dos ataques. Na cidade de Krasnodar, os troços de drones atingiram uma estação de comboios, ficou danificada uma carruagem de passageiros. Foram também registados danos em edifícios residenciais. A Russian Railways diz que o ataque a Krasnodar, juntamente com os danos causados por drones, à infraestrutura ferroviária na região vizinha de Rostov, causaram interrupções significativas. Várias viagens foram adiadas. Em Stavropol, as autoridades dizem que este foi o maior ataque ucraniano desde o início da guerra. Ainda assim, não há registro de vítimas. Por causa deste ataque, os aeroportos do sul da Rússia tiveram de aplicar restrições temporárias. Dezenas de voos sofreram constrangimentos.
Notícia em destaque na imprensa russa. Voltamos já a seguir para saber o que dizem hoje os jornais ucranianos.