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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador é o programa em que trazemos, como é habitual, os destaques da imprensa russa e ucraniana com a jornalista Diana Rosa. Boa tarde, Diana.

Olá, boa tarde.

Neste dia que está marcado por vários encontros internacionais, começamos hoje pela imprensa russa, até porque Vladimir Putin reuniu-se pela primeira vez com o presidente do Irão. O que é que saiu exatamente, Diana, desse encontro?

Começo pelo final precisamente desse encontro, que durou cerca de uma hora no Turcomenistão, em que Massoud Pezeshkian aceitou o convite para visitar a Rússia, portanto, vai haver nova reunião. Os dois líderes destacaram que têm visões semelhantes sobre o mundo e que a relação entre os dois países é amigável e sincera. Os chefes de Estado debruçaram-se sobre o cenário internacional, em particular sobre a situação no Médio Oriente. Putin garantiu que os dois países estão a trabalhar em conjunto e de forma activa no âmbito internacional. Em cima da mesa esteve ainda a cooperação económica entre Moscovo e Teerão, sem mencionar diretamente trocas militares, uma vez que o Irão é acusado de fornecer drones e mísseis balísticos à Rússia, que são alegadamente usados no campo de batalha na Ucrânia. Putin destacou que as relações comerciais estão a seguir uma tendência de crescimento. Putin e Massoud Pezeshkian reuniram-se à margem de um fórum internacional, é uma notícia que está entre outras publicações na Ria Novosti.

E depois do presidente iraniano Putin vai encontrar-se com Recep Erdoğan à margem da Cimeira dos BRICS.

O encontro vai decorrer em Kazan, na Rússia, entre os dias 22 e 24 deste mês. A informação já tinha sido avançada também aqui na "Guerra Traduzida", foi hoje confirmada pelo porta-voz do Kremlin. Putin já falou também com o presidente da Assembleia Nacional da Turquia, o Parlamento turco, para trocar opiniões sobre a continuação do diálogo entre Moscovo e Ancara. Lembro que a Turquia tem-se apresentado como intermediário da guerra na Ucrânia. Foi uma peça importante na assinatura do acordo de exportação de cereais.

E continuamos, Diana, com o presidente russo, até porque Vladimir Putin avisa que a criação de uma nova ordem mundial é natural e irreversível.

O presidente da Rússia acredita que as relações internacionais entraram num momento de mudança. Putin defende o debate internacional mais amplo possível acerca dos parâmetros de interação entre os países e diz que é natural que o mundo comece a ser liderado por novas potências. São declarações no Fórum Internacional do Turcomenistão, onde se encontrou também, como dizíamos há pouco, com o presidente iraniano. No discurso transmitido em directo pela televisão estatal russa, o líder do Kremlin sublinha que o mundo enfrenta ameaças sem precedentes, geradas por fraturas de civilizações e conflitos entre etnias e religiões. Neste contexto, Putin acredita que está a ser construída essa nova ordem mundial, que reflete a diversidade do planeta num processo que é, como dizias, natural e não tem volta.

E o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Diana, acusa a Ucrânia de não fazer propostas sérias para pôr fim à guerra.

Nessas declarações, Sergei Lavrov avisa que a Rússia vai manter a posição que tem tido até ao fim. Durante a Cimeira do Sudoeste Asiático, o diplomata russo diz que todas as ações genuínas têm reflexo no terreno e nas ações, na prática dos políticos, quando têm intenções sérias. Por agora, Lavrov diz que a Rússia tem atingido objectivos de forma consistente e nas declarações dos políticos não vê qualquer avanço sério para alcançar a paz. Citado pela Ria, o ministro russo acrescenta que não segue a cobertura dos media ucranianos nem ocidentais sobre os planos da Ucrânia para pôr um fim à guerra, uma vez que acredita só fazem relatos infundados. Sergei Lavrov lembra que Vladimir Putin apresentou linhas para um acordo de paz em julho deste ano e vai manter as mesmas exigências, entre elas, como sabemos, como já dissemos aqui muitas vezes, a Ucrânia terá de abdicar de todos os territórios ocupados pela Rússia, que ainda por cima agora estão a aumentar. A exigência de Zelensky passa pelo mesmo tema, mas no sentido inverso, que é a desocupação russa. Este é o principal ponto de fricção entre estes dois países, pelo menos tendo em conta aquilo que chega através da imprensa. O Kremlin garante que isso não vai acontecer, não vai ceder à Ucrânia.

E a imprensa russa, Diana, também destaca hoje uma sondagem feita nos Estados Unidos que concluiu que apenas 21% dos norte-americanos apoiam o aumento da assistência à Ucrânia.

É um estudo conjunto entre o Pearson Institute, a Associated Press e a Universidade de Chicago, que acrescenta que outros 39% dos entrevistados entendem que os Estados Unidos estão a enviar tanto quanto necessário. Há ainda 34% dos norte-americanos que acreditam que Washington está a colocar demasiado dinheiro para apoiar a Ucrânia. É mais de um terço das pessoas que constam desta sondagem. A pesquisa mostra ainda diferenças nas opiniões dos apoiantes do Partido Democrata e do Partido Republicano, sendo que os democratas veem a Ucrânia mais como um aliado do que propriamente os republicanos. É um estudo citado hoje pelo Komsomolskaya Pravda.

E é com esta sondagem que termina esta edição da Guerra Traduzida com a imprensa russa, mas voltamos já a seguir com o que dizem os jornais ucranianos.