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Estamos de volta com a "Guerra Traduzida" e com a jornalista Diana Rosa, agora com os destaques da imprensa ucraniana. Diana, uma equipa de piratas informáticos ucranianos realizou um ataque sem precedentes contra as agências estatais russas.
E à conta deste ataque, pelo menos dois canais de televisão ficaram sem emissão. A rádio, contudo, não foi afetada. O porta-voz do Kremlin fala de um ataque sem precedentes às maiores agências estatais. Acrescenta Dmitry Peskov que os especialistas estão a trabalhar para descobrir as circunstâncias do incidente e ir atrás do rasto deixado por quem organizou o ataque sem assumir, à partida, que foram ucranianos. No entanto, uma fonte do governo de Kiev afirma que os responsáveis tinham mesmo sido hackers ucranianos numa operação organizada para o dia de aniversário de Putin, que foi ontem, também falámos aqui disso. O objectivo era irritar o presidente russo no dia do aniversário.
Diana, a Coreia do Norte pode estar a enviar soldados para a Ucrânia. Esse é, pelo menos, um alerta feito pela Coreia do Sul.
A ser verdade, o objectivo do envio destes soldados é apoiar a Rússia no campo de batalha. É o que afirma o ministro da Defesa sul-coreano, citado pelo Kyiv Independent. O governante lembra que uma vez que a Rússia e a Coreia do Norte assinaram um tratado mútuo semelhante a uma aliança militar, a possibilidade de um destacamento deste género é altamente provável. Questionado sobre uma reportagem recente que saiu nos jornais ucranianos a dar conta de militares norte-coreanos que foram mortos e feridos perto de Donetsk, o ministro da Coreia do Sul diz que isso também é muito provável. Há ainda relatos de militares norte-coreanos que viajam para a Ucrânia para se juntarem aos esforços de reconstrução do Donbass, que foi ocupado no início de 2023.
E na imprensa ucraniana também há destaque para as eleições norte-americanas. O artigo que faz manchete no Kyiv Post diz, por exemplo, que Moscovo prefere Donald Trump, mas o Irão prefere Kamala Harris.
É porque, Luís, há aqui uma diferença de perceção internacional no que diz respeito à guerra na Ucrânia e à guerra no Médio Oriente. A guerra do Médio Oriente talvez seja um bocadinho mais complicado atribuir responsabilidades, culpados, vítimas e por aí fora. E, portanto, apesar dos laços entre Moscovo e Teerão, os serviços secretos norte-americanos sugerem que há preferências diferentes quanto ao candidato que querem ver como próximo presidente. E ambos os países pretendem influenciar o resultado das eleições através de campanhas de desinformação. As autoridades norte-americanas dizem que a Rússia tem conduzido, por exemplo, operações destinadas a impulsionar a campanha de Trump, enquanto prejudica a campanha de Kamala Harris. Já o Irão tem alavancado a operação de hacking e fugas de informação contra a campanha de Trump, em que, segundo o The Voice of America, foram identificados três agentes que trabalham para o corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão. Os serviços secretos norte-americanos adiantam ainda que os esforços do estrangeiro para interferir nas eleições presidenciais triplicaram nos últimos tempos. Para já, não há registos de influência por parte da China, um autor também importante nestes temas.
Diana, o Reino Unido impôs sanções a militares russos por causa da utilização de armas químicas.
A Rússia é acusada de violar de forma grosseira a convenção sobre essas mesmas armas químicas. O Reino Unido apela ao país para que cesse imediatamente o recurso a este tipo de equipamentos. As sanções impostas pelo governo britânico têm como alvo as tropas de defesa radiológica, química e biológica da Rússia e o respectivo comandante Igor Kirillov. De acordo com o executivo inglês, as forças russas admitiram o uso de cloropicrina, que é um produto químico tóxico que foi usado pela primeira vez durante a Primeira Guerra Mundial. Isto corresponde a uma violação do direito internacional. David Lammy, ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, diz que não vai ficar parado enquanto Putin e o seu Estado mafioso desrespeitam as regras. Palavras de David Lammy, que acrescenta que as táticas cruéis e desumanas da Rússia no campo de batalha são repugnantes. O Reino Unido sancionou ainda dois laboratórios russos que estão envolvidos no desenvolvimento e implantação de armas químicas em zonas de combate, precisamente na Ucrânia.
E é com esta notícia que termina mais uma edição da "Guerra Traduzida". Estamos de regresso amanhã.