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"Guerra Traduzida", olhamos agora para a imprensa russa deste dia 4 de março, num trabalho da jornalista Diana Rosa. Diana, começamos com uma ameaça do Kremlin, que diz que não tem outra opção senão aniquilar Volodymyr Zelensky.
Não há forma mais clara de apontar a mira ao presidente ucraniano. Essa foi uma afirmação do vice-diretor do Conselho de Segurança Russo, numa publicação no Telegram. É citado pelo jornal "Pravda" russo. Dmitry Medvedev recupera um ataque com drones feitos ao Kremlin, que diz ter sido levado a cabo pelo exército ucraniano para dizer que a Rússia tem de eliminar Zelensky, que, de acordo com o governante russo, não faz falta nem mesmo para assinar um ato de capitulação da Ucrânia. Medvedev dá ainda o exemplo de Hitler, afirmando que o líder alemão também não teve de assinar a rendição das tropas nazistas.
E seguimos com outra ameaça, Diana, neste caso, do vice-diretor do Conselho de Segurança Russo, que diz que as fronteiras na Rússia não terminam em lado nenhum.
Sim, as ameaças de Medvedev não ficam por aqui. Putin já tinha feito esta afirmação anteriormente, depois disse que era uma piada. Agora, a mesma frase surge por parte de Dmitry Medvedev, durante uma palestra no Festival Mundial da Juventude, na Rússia. Medvedev, que também já foi presidente russo, acrescentou que o caso da Ucrânia é especial porque considera que esta é uma resposta forçada à política russofóbica, e estou a citar, claro, "que pretende minar a soberania russa". Diz, por isso, Medvedev, que o conceito de que a Ucrânia é um Estado independente deve desaparecer para sempre.
E já houve, Diana, reações a esta declaração do governante russo?
Sim, estes comentários geraram a indignação do antigo conselheiro de Volodymyr Zelensky, que na rede social X escreveu que se assim fosse, os ucranianos não estariam a lutar com todas as forças para que o país não volte a pertencer à Rússia. Questiona ainda qual será a próxima nação de que Putin se vai lembrar que afinal não é independente. Certo é que Medvedev salienta que não quer um centímetro de terra alheia, quer apenas o que pertence à Federação Russa. No fundo, Luís, é aquela ideia de que Putin quer voltar a dominar os países que faziam parte da União Soviética.
E vamos agora olhar para a agência russa TASS, que revela que o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo convocou o embaixador alemão para um interrogatório em Moscovo.
Isto no seguimento de uma conversa confidencial entre oficiais alemães que discutiam o fornecimento de armas à Ucrânia e que foi divulgada nos últimos dias pelos meios de comunicação russos. A TASS diz que Alexander Lambsdorff foi chamado à sede do ministério, recusou responder às perguntas dos jornalistas à entrada e à saída. Em causa está uma suposta reunião que aconteceu no mesmo dia em que o chanceler alemão Olaf Scholz disse que a NATO não enviaria nenhum soldado para o conflito na Ucrânia. No entanto, esta notícia foi já desmentida por Berlim. O governo alemão afirma que a reunião entre o embaixador e o Kremlin já tinha sido agendada há muito tempo e nada teve que ver com o caso do acesso a conversas telefónicas.
E terminamos com as declarações de Olaf Scholz, que exclui a possibilidade de enviar mísseis Taurus para a Ucrânia, isto caso seja preciso envolver soldados alemães para os operar.
E o problema é que é mesmo, até porque estes equipamentos têm um alcance muito maior, o que poderia colocar o Ocidente numa posição perigosa, caso fossem atingidos alvos fora da Ucrânia. Para termos uma noção, Luís, estes mísseis podem atingir 500 km de distância. Ora, para o chanceler alemão, não se pode simplesmente fornecer um sistema destes a Kiev e depois não pensar em como se pode controlá-lo. As declarações de Olaf Scholz aconteceram à margem de uma visita a uma escola em Dresden, na Alemanha. Foram citadas pelo jornal "Komsomolskaya Pravda". O chanceler quer afastar qualquer possibilidade de envolver militares alemães no conflito na Ucrânia. Quer, por isso, manter-se contra o envio dos mísseis Taurus.
E é assim que fechamos este episódio de "Guerra Traduzida". Estamos de regresso amanhã.