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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, é o programa em que falamos sobre as principais notícias que saem diariamente na imprensa russa e ucraniana. E conosco está a jornalista Diana Rosa. Diana, boa tarde.

Boa tarde, Luís.

Nesta primeira parte vamos falar sobre o que dizem os jornais russos, a começar pelo exército de Moscovo, que está a fazer avanços no leste da Ucrânia. Os combatentes estão às portas de mais uma cidade, desta vez Toretsk.

É o que adiantam vários militares nas redes sociais, citados também pela TASS. Depois de na semana passada o exército russo ter conquistado Vuhledar, no Donbass, as tropas chegaram agora a Toretsk, um pouco mais a oeste do território. A situação neste momento é instável, é o que dizem os relatos, com os combatentes a espalharem-se por todas as entradas da cidade. Os russos já garantiram a entrada nos subúrbios a leste do território e os combatentes já se aproximam do centro da cidade. Toretsk é um dos últimos bastiões ucranianos no Donbass e um dos alvos mais frequentes de ataques russos nos últimos meses. Caso as tropas russas tomem esta cidade, vão ficar muito perto de Pokrovsk, que é um dos maiores cruzamentos de vias que transportam alimentos e armas para suportar a linha da frente ucraniana na região.

E Diana, a União Europeia estabeleceu um novo regime de sanções contra a Rússia.

Decisão tomada depois de a Rússia realizar supostas actividades híbridas e interferir em eleições no estrangeiro, actividades que são consideradas pelo Conselho da União Europeia como desestabilizadoras. Falamos de ameaças aos valores fundamentais da comunidade e à segurança, independência e integridade de todos os Estados-membros. Ameaças que assumem contornos políticos, económicos e sociais, entre os quais se destacam os ataques informáticos. E por isso, à luz deste enquadramento, as empresas do bloco comunitário estão proibidas de disponibilizar fundos a cidadãos e empresas russas. Além disso, há também russos que passam a estar sujeitos a uma proibição de viagens que os impede de entrar ou transitar entre territórios da União Europeia, é um comunicado citado pela TASS.

E na Crimeia, mais de mil pessoas tiveram de ser retiradas depois dos ataques ucranianos a um terminal de petróleo.

O maior depósito de petróleo na região. Os cidadãos retirados vivem na cidade de Feodósia. Lembro que ainda ontem falámos aqui precisamente desse ataque à Crimeia, território anexado pela Rússia em 2014. O ataque ucraniano desencadeou um grande incêndio. As autoridades instaladas pela Rússia disseram que não houve vítimas, no entanto, os habitantes tiveram mesmo de ser retirados para centros de acolhimento temporário. É o que adianta o autarca da cidade. As pessoas foram ainda colocadas em hotéis e pensões depois de se registarem e serem submetidas a exames médicos. É uma notícia do Moscow Times.

E Diana, a Rússia e a China estão a realizar uma patrulha naval conjunta no Oceano Pacífico.

Há navios e helicópteros a levar a cabo a operação. Os navios estão a realizar manobras para praticar táticas anti-submarinas. Ouvimos aqui em fundo um registo precisamente dessas operações, um registo disponibilizado pelo Izvestia. A patrulha decorre depois de os dois países realizarem outro tipo de exercícios militares conjuntos. Rússia e China intensificaram a operação militar e económica dos últimos dois anos, com ambos os países a protestarem contra o que dizem ser a hegemonia ocidental, em particular no que diz respeito à posição dominante assumida pelos Estados Unidos.

E o jornal Izvestia diz que pelo menos 50 franceses submeteram pedidos de residência na Rússia.

Informação retirada da Embaixada da Rússia em França. A missão diplomática explica ao Izvestia que o processo de cidadania russa, assim como autorizações de residência e vistos para entrar no país, são concedidos aos franceses que partilhem os valores espirituais e morais da Rússia. A embaixada russa acrescenta que os mecanismos de apoio a esses compatriotas e cidadãos franceses, que dão contributo significativo para a defesa dos interesses da Rússia, existem e têm sido reforçados há muito tempo. É também explicado nesta nota que foi criada uma secção de informação especial no site da embaixada, que explica o processo de obtenção de visto para efeitos de requerimento ao Ministério da Administração Interna da Rússia para obtenção de residência temporária.

E foram estes os destaques da imprensa russa. Voltamos já a seguir com a jornalista Diana Rosa e com o que dizem os jornais ucranianos.