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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. É mais um episódio em que trazemos os destaques da imprensa russa e também da imprensa ucraniana. Conosco em estúdio já está a jornalista Diana Rosa. Diana, e começas hoje por trazer o que diz a imprensa ucraniana neste dia 4 de março. E a Ucrânia reivindicou esta tarde o ataque a uma ponte ferroviária na região de Samara, no sudoeste da Rússia.

Faz destaque, Luís, em quase todos os meios de comunicação, não só ucranianos, como também nos russos, este que não é o primeiro ataque à rede da ferrovia russa. A travessia, que foi hoje alvo de uma explosão, é usada para transportar tropas e equipamentos para a invasão à Ucrânia. A notícia, que foi avançada pela inteligência militar ucraniana, citada, neste caso, pelo jornal "Pravda". Não foram registadas vítimas, mas o tráfego ferroviário nesta região russa de Samara foi suspenso. É o que afirma, em comunicado, a empresa que faz a gestão dos comboios da Rússia. Um dos pilares da ponte sobre o rio Chapayevka ficou danificado. Não há previsão para a reabertura desta travessia.

E este não foi, Diana, o único ataque da Ucrânia a uma infraestrutura russa.

Sim, também os servidores do Ministério da Defesa de Putin foram hoje atingidos pelos serviços secretos ucranianos, que conseguiram aceder à maior parte dos documentos classificados. A notícia é destacada pelo "Kyiv Independent", que cita fonte do governo russo. Na operação, foram consultados relatórios e documentos que contêm instruções e que circulam entre duas mil secções do Serviço de Segurança da Rússia. Como resultado, estas informações a que a Ucrânia teve acesso permitem conhecer a estrutura completa do sistema do Ministério da Defesa de Moscovo. A análise dos dados capturados ajuda também a identificar generais e outros comandantes de alto nível do Kremlin. Esta não é a primeira vez que Kiev lança um ataque informático contra o ministério liderado por Sergei Shoigu. O último tinha sido levado a cabo em janeiro.

E no terreno, um total de 12 pessoas morreram, 20 ficaram feridas, depois de um drone russo ter atingido ontem um arranha-céus em Odessa.

Sendo que três dos feridos estão no hospital em estado crítico. A notícia é avançada pela agência "Ukrinform", que cita fonte do Departamento de Saúde da Administração Militar de Odessa, no sul da Ucrânia. Das 12 pessoas que morreram, cinco eram crianças, tinham entre os quatro meses e os 10 anos. Na noite anterior, parte de um edifício na cidade de Odessa desabou devido a um ataque russo com recurso também a um drone.

E falamos agora da adesão da Ucrânia ao bloco europeu. O governo ucraniano faz pressão sobre a Comissão Europeia, quer que o plano de negociações seja apresentado no máximo até a próxima semana.

Mais propriamente, Luís, até dia 12, terça-feira. É o que afirma a vice-ministra da Integração Europeia e Euro-Atlântica da Ucrânia, citada pelo "Pravda". Olha Stefanichina diz que o Executivo Europeu deve avaliar nos próximos dias os progressos do sistema ucraniano para que até dia 19 de março os países dos 27 possam tomar uma decisão. A ministra pede, por isso, que não haja atrasos.

E Diana, o governo da Ucrânia fez uma parceria com uma gigante tecnológica norte-americana para ajudar no processo de desminagem dos terrenos ucranianos.

É uma informação que foi avançada hoje pelo Ministério da Economia de Kiev. Este é um trabalho que vai ser feito com recurso à inteligência artificial, através da utilização de drones. O acordo, assinado hoje em Londres, faz parte do plano de estratégia nacional antiminas, que prevê que os campos sejam neutralizados até 2033. Com isto, pretende-se acelerar o processo de limpeza dos terrenos, ao mesmo tempo que são reduzidos os custos deste trabalho, sendo que estamos a falar de quase 160 mil quilômetros quadrados e que podem colocar em risco mais de seis milhões de pessoas. De relembrar, Luís, que de acordo com a estimativa que tinha sido avançada por um instituto político eslovaco, a Ucrânia poderia levar mais de 750 anos para desminar as áreas afetadas se utilizasse apenas métodos tradicionais.

E fica por aqui este episódio de "Guerra Traduzida". Voltamos já a seguir com os destaques da imprensa russa.