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Começa agora mais um episódio de "Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos analisar a imprensa dos dois lados do conflito ao longo dos próximos minutos, neste conflito entre Rússia e Ucrânia. Neste episódio vamos começar pela imprensa ucraniana, um trabalho do jornalista João Filipe Cruz, com colaboração de Tânia Oleinik. João, em destaque hoje na imprensa: a Rússia ativou uma rede de espiões na Ucrânia.
A informação é divulgada pelo secretário do Conselho de Defesa e Segurança Nacional numa entrevista ao "The Times", entrevista citada pela rádio ucraniana Svoboda. Oleksii Danilov adianta que o objetivo de Moscovo, com esta ativação de uma rede de espiões em solo ucraniano, é dividir as lideranças políticas e militares de Kiev e alimentar o sentimento antigoverno entre os ucranianos. Este responsável acrescenta que os russos estão a tentar tirar partido da aparente tensão entre Volodymyr Zelensky e Valerii Zaluzhnyi, o presidente da Ucrânia, Zelensky, e Zaluzhnyi é o comandante em chefe das Forças Armadas da Ucrânia. Há quem já peça que Zaluzhnyi se candidate à presidência da Ucrânia e quem já reagiu foram os serviços secretos ucranianos ao jornal Pravda assegurou que vão neutralizar, como sempre fizeram, os espiões russos. De acordo com as secretas ucranianas, desde o início do ano passado, foram expostos mais de 2 mil traidores e mais de 300 agentes estrangeiros, são as expressões utilizadas pelos serviços secretos da Ucrânia.
Seguimos com uma contagem em destaque hoje na imprensa ucraniana. O número de baixas russas tem aumentado. Quem o diz é o Ministério da Defesa britânico.
Que apresentou um relatório com base nos números apresentados pelo Estado-Maior da Ucrânia. E aqui começa logo por fazer essa ressalva, o Ministério Britânico da Defesa diz que não tem forma de verificar a metodologia usada pelo Estado-Maior ucraniano na contagem das perdas russas, mas o destaque é esse mesmo. O Pravda, o jornal ucraniano Pravda dá destaque a esse balanço do Ministério da Defesa britânico. Só neste mês de novembro, que ainda não acabou, as forças de Moscovo estão a perder, em média, 931 soldados por dia. Em março, por exemplo, que era até agora o mês mais mortífero para as fileiras de Moscovo, a média era de 776 baixas por dia. A Rússia está a sofrer particularmente na região de Donetsk, no leste da Ucrânia, que, de acordo com estas conclusões, reflete 80% das perdas totais em toda a linha de frente de combate. Foi também o que adiantou o comandante do grupo operacional e estratégico Tavria do exército ucraniano.
E João, a imprensa ucraniana hoje, claro, também fala sobre o intenso nevão que caiu sobre o país nas últimas horas.
Isto porque há estradas bloqueadas, há armadilhas, como lhe chama o jornal TSN, criadas pela neve, e há também cortes de energia em várias zonas e zonas populosas, com muita gente. A situação intensificou-se desde esta manhã de segunda-feira, desde esta manhã de hoje. De acordo com o Ministério Ucraniano da Administração Interna, ou pelo menos o equivalente ao nosso Ministério da Administração Interna, há mais de 2 mil localidades isoladas em 16 regiões ucranianas, 14 grandes autoestradas estão intransitáveis, o que já fez com que perto de 1400 caminhões de carga estejam temporariamente estacionados e houve também a necessidade de rebocar quase 900 carros. O jornal TSN faz ainda um balanço das situações mais complicadas. Por exemplo, em Odessa já morreram três pessoas devido a este nevão e o destaque pela negativa vai também para a Crimeia, que foi fustigada pelo que já chamam de tempestade do século. Há um morto, sete pessoas feridas e um desaparecido, números todos preliminares, nesta região anexada pela Rússia em 2014, em que foi declarado o estado de emergência em algumas zonas. E vamos dar ainda atenção à Crimeia no "Guerra Traduzida", versão russa.
E falamos também da Polônia, porque isto está também em destaque na imprensa da Ucrânia de hoje. Camionistas e agricultores estão a bloquear a fronteira com a Ucrânia.
Não é novo. Temos assistido a alguns protestos deste gênero na Polônia nos últimos tempos. Este protesto acontece hoje, segunda-feira, em Medyka, que é a quarta fronteira, o quarto posto fronteiriço com Ucrânia. A notícia está também em destaque no jornal Pravda. De acordo com os manifestantes, e esta alegação não é nova, as empresas ucranianas que praticam preços mais baratos do que as polacas estão a transportar mercadorias para dentro da União Europeia, em vez de apenas entre o bloco e a Ucrânia. Desde 6 de novembro que estes camionistas têm bloqueado outros postos de passagem para a Ucrânia como forma de protesto contra a liberalização das regras de transporte fronteiriço da União Europeia. A Ucrânia já lamentou este protesto e assume que está a prejudicar a economia em Kiev.
Fechamos assim este episódio de Guerra Traduzida, com destaque para a imprensa ucraniana.