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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Olhamos agora para os destaques da imprensa russa com a jornalista Beatriz Félix. Eu sou Ricardo Conceição. Beatriz, Vladimir Putin promete que não quer entrar em guerra com a Europa.

O presidente russo diz que o país não se está a preparar para uma guerra com a Europa e que não vê motivos reais para agudizar a situação com o continente. As declarações de Putin são citadas pela agência de notícias russa independente, a Interfax. Putin sublinha que a Rússia não se está a preparar para quaisquer ações militares na Europa, diz que não há planos nem razões para isso e que, mais importante, diz Vladimir Putin, não há quaisquer motivos reais para uma escalada de conflitos com a Europa. Esta é a resposta de Vladimir Putin a vários relatórios de serviços secretos europeus e também dos Estados Unidos, que foram divulgados nas últimas semanas e que avisam que a Rússia pode acentuar a guerra híbrida contra a Europa e invadir também um país da NATO até ao final da década.

E no rescaldo das eleições russas, é agora oficial aquilo que já se sabia: o partido Rússia Unida venceu e domina a Duma, o Parlamento russo.

A Comissão Eleitoral Central da Rússia encerrou por fim a contagem de votos destas eleições e confirmou a vitória histórica para o partido de Vladimir Putin, que conquistou 349 dos 450 assentos do Parlamento da Rússia. A imprensa estatal destaca que o resultado consolida o apoio esmagador da população à linha do Kremlin e também ao presidente Vladimir Putin durante o atual contexto geopolítico. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, realçou especialmente a eleição de veteranos da operação militar especial e sublinha que a experiência dos combatentes nas frentes de batalha vai ser fundamental para a elaboração das novas leis e iniciativas nacionais do país.

Entretanto, é também notícia na Rússia que o enviado especial russo encontrou-se em Nova York com Steve Witkoff e Jared Kushner.

O encontro entre Kirill Dmitriev e os enviados especiais norte-americanos é noticiado pela imprensa russa com base numa informação que foi inicialmente avançada pela CNN Internacional. Segundo estes relatos, as conversações tiveram como temas a cooperação entre a Rússia e Estados Unidos e o possível acordo para pôr fim ao conflito na Ucrânia. Também segundo o RBC, os contactos tiveram como tema os elementos de um possível acordo de paz de longo prazo. O mesmo meio refere também que os representantes norte-americanos defenderam o regresso das negociações trilaterais entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia.

Também em Nova Iorque, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, encontrou-se com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

A reunião aconteceu à margem da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas. Segundo o RBC, Lavrov sublinhou durante este encontro a importância de uma reforma considerada equilibrada nas Nações Unidas. O ministro russo entregou também a António Guterres um documento sobre acontecimentos em Bucha. Segundo a imprensa russa, este documento apresenta aquilo que Moscovo considera serem falsificações relacionadas com estes acontecimentos, vários ataques. O RBC noticia que Lavrov pediu ao secretário-geral das Nações Unidas a realização de uma investigação detalhada e profunda sobre este caso.

Fica por aqui esta edição da "Guerra Traduzida", hoje com a jornalista Beatriz Félix. A "Guerra Traduzida" está de regresso para a semana, mas está sempre disponível em podcast, em observador.pt e nas principais plataformas.