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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Falamos, como é habitual, do que dizem os jornais russos e ucranianos em tempo de guerra, hoje com a jornalista Diana Rosa. Boa tarde, Diana.
Olá, Luís. Boa tarde.
E hoje, para começar pela imprensa de Moscovo, que diz que a Rússia quer que as condições para um cessar-fogo na Ucrânia comecem a ser discutidas em Istambul.
É isso mesmo. Uma delegação do Kremlin está pronta para as negociações com a Ucrânia na segunda-feira de manhã. Aos jornalistas, o porta-voz de Putin diz que neste momento estão todos concentrados nas negociações diretas e para isso está a ser elaborada uma lista de condições para uma trégua, para já temporária. São declarações de Dmitry Peskov, que surgem depois de a Ucrânia dizer que quer ver as propostas da Rússia para um eventual acordo de paz antes de enviar uma delegação à Turquia.
Já do lado da Ucrânia, o memorando inclui disposições para um cessar-fogo em terra, no mar e no ar, com a monitorização da trégua a ser realizada por parceiros internacionais.
Parceiros, por exemplo, ocidentais, União Europeia e Estados Unidos, é o que adianta o New York Times, que é citado pela agência TASS. A Ucrânia já tinha dito que enviou um documento em que descreve a sua visão para um cessar-fogo e outros aspectos da resolução do conflito. Esse é um documento enviado para a Rússia. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia confirma que as negociações começam no dia dois.
E depois dessa reunião em Istambul, a Turquia oferece para receber Putin, Zelensky e Trump.
Numa reunião, os três em conjunto de visita a Kiev, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia sublinha o papel que o país tem tido como palco das conversas entre diferentes partes, não só neste conflito, mas também noutros, por exemplo, do Meio Oriente, e sugere que é o local ideal para as negociações de paz. Acredita o chefe da diplomacia turca que é possível organizar um encontro direto entre os três chefes de Estado. Zelensky já tinha dito também que para se reunir com Vladimir Putin fazia questão da presença de Donald Trump, pelo menos para poder garantir uma espécie de mediação entre os dois. Ora, a esperança da Turquia é que se consiga alcançar a paz ainda este ano.
E Viktor Orbán afirma que a Ucrânia é um país perigoso. Nesse sentido, considera que é melhor manter os ucranianos fora da União Europeia.
Declarações do primeiro-ministro húngaro à estação de rádio Kossuth. Orbán alerta para o alegado aumento de crimes financeiros e fraudes telefónicas cometidas por gangues criminosos ucranianos. Estou aqui a citar este artigo. Diz o governante húngaro que, segundo as autoridades, 80% desses crimes na Hungria envolviam ucranianos. Dá o exemplo de um call center ilegal que foi desativado há algum tempo e acabou por ser usado por criminosos provenientes da Ucrânia. Crimes esses que terão causado prejuízos de €20 milhões a cidadãos húngaros nos últimos anos. Diz Viktor Orbán que os gangues ucranianos usam tecnologias avançadas e criam amplas redes mafiosas. O primeiro-ministro da Hungria reitera que se opõe à ideia de uma adesão acelerada de Kiev à União Europeia e diz que vai ser ainda mais difícil, se isso acontecer, de combater os criminosos ucranianos.
E os militares russos, Diana, recebem uma recompensa de cerca de €190 mil por destruir caças F-16 na Ucrânia. É pelo menos o que adianta o Moscow Times.
São valores atribuídos por uma empresa russa chamada Force. É fornecedora de componentes hidráulicos com sede em Ecaterimburgo, no sul da Rússia, perto da fronteira com o Cazaquistão. A Ucrânia recebeu as primeiras entregas de F-16 no verão passado, depois de sucessivas tentativas junto de Joe Biden, que inicialmente resistiu fornecer este tipo de aviões porque considerava, o ex-presidente norte-americano, que não havia pilotos treinados para operar estes equipamentos. A Force é a primeira empresa russa a fornecer recompensas financeiras a militares pela destruição de equipamentos ocidentais. €190 mil na Rússia é muito dinheiro. Até ao momento, a empresa diz que já pagou perto de 700 mil em recompensas pela destruição de tanques Leopard e Abrams fornecidos pelo Ocidente, bem como esse F-16, o primeiro F-16 a ser enviado para a Ucrânia.
E foram estes os destaques da imprensa russa. Vamos voltar já a seguir com o que dizem os jornais ucranianos.