A polícia deteve pelo menos uma pessoa após tumultos registados à saída do Porto de Ceuta, onde se concentraram dezenas de pessoas devido à alegada chegada de membros do grupo Negu Gorriak (Direito à Habitação).
Através das redes sociais, vários grupos de residentes de Ceuta tinham combinado reunir-se, no domingo à tarde, para protestar a chegada do grupo, que consideram estar ligado à esquerda radical.
O objetivo do grupo, segundo um comunicado divulgado há dias, era prestar ajuda humanitária e participar em trabalhos de emergência e de observação de possíveis agressões contra refugiados, face à crise de imigrantes na cidade autónoma.
Durante os tumultos, várias pessoas presentes lançaram ovos e pedras contra pelo menos um veículo, que teve de abandonar as imediações do porto escoltado pela polícia.
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De acordo com informações divulgadas nas redes sociais por pessoas ligadas ao partido político local Ceuta Ya, o carro danificado não estava ligado à chegada do Negu Gorriak, mas pertencia à deputada da Assembleia de Ceuta, Julia Ferreras.
Várias equipas da Polícia Nacional espanhola, incluindo Unidades de Intervenção Policial, permaneceram nos arredores do porto para tentar impedir novos distúrbios.
Durante a operação, pelo menos um jovem foi detido, disse um dos agentes envolvidos na ação.
Horas antes, mais de mil pessoas, convocadas pela Federação das Associações de Moradores, mobilizaram-se em Ceuta, perto da passagem fronteiriça de Tarajal, para exigir soluções face à crise de imigrantes.
“Um morador de Ceuta nunca desiste” foi um dos slogans mais repetidos numa marcha liderada por uma faixa com a bandeira espanhola que dizia “SOS Ceuta invadida”, e que antecedeu outra marcha de motorizadas pela cidade.
Por entre bandeiras espanholas, de Ceuta e europeias, os manifestantes marcharam aproximadamente dois quilómetros ao longo da costa de Ceuta até chegarem à passagem fronteiriça de Tarajal, onde se reuniram durante alguns minutos sob vigilância policial.
Aí, entoaram palavras de ordem contra o Governo central e o Reino de Marrocos.
Estas manifestações seguem o evento realizado pelo Fórum Cidadão de Ceuta no sábado, em frente à sede da Delegação do Governo na Plaza de Los Reyes, onde também se mantém um acampamento de protesto para chamar a atenção para a situação em praias como a de Trampolín.
Tanto nesta praia como na Praia Benítez, mais afastada do centro da cidade, milhares de migrantes permanecem acampados em vários abrigos improvisados e barracas ao longo da marginal.
De acordo com os dados mais recentes disponibilizados pela Delegação do Governo, foram disponibilizadas 1.700 vagas em abrigos no Porto de Ceuta, que alberga a maior e mais recente instalação.
Esta capacidade foi acrescentada no final desta semana às instalações já existentes em Loma Margarita (1.300 vagas), Loma Colmenar (1.200 vagas), às 500 vagas adicionais no CETI (Centro de Detenção Temporária de Imigrantes) e às 320 vagas em La Hípica.