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Guerra traduzida na Rádio Observador. Diana Rosa, vamos aos destaques da imprensa ucraniana. Zelensky alerta que os Estados Unidos e alguns europeus estão a discutir um novo documento com a Rússia, possivelmente sem a Ucrânia.

O presidente ucraniano diz que tem conhecimento disso mesmo, num possível acordo que envolve até a NATO. Zelensky, que admitiu que a Ucrânia talvez não saiba de tudo, destacou a importância de o país ser incluído nas negociações sobre uma eventual entrada na aliança. Diz o presidente que é importante que toda a documentação que envolva uma potencial entrada na NATO deve ser discutida com Kiev à mesa. De qualquer forma, vai reagir às surpresas, se elas acontecerem, é o que promete.

A Rússia e a Ucrânia terão discutido a possibilidade de criar uma zona desmilitarizada no Donbass.

Tema que terá sido falado durante as negociações trilaterais que decorreram esta semana. É o que adiantam três fontes familiarizadas com o assunto. A Rússia exige que a Ucrânia entregue os territórios da região do Donetsk, que ainda se encontram sob controle ucraniano, como condição para terminar a guerra. Kiev rejeitou a retirada unilateral das suas forças, argumentando que ceder território poderá incentivar novos ataques russos. Entre as ideias discutidas, está a criação de uma zona desmilitarizada, que não seja controlada por nenhuma das forças armadas. A proposta recupera conceitos apresentados em iniciativas de paz anteriores, incluindo o plano de 28 pontos apresentado em novembro pela administração Trump.

Zelensky anuncia que a próxima ronda de negociações vai ter lugar na Suíça.

À semelhança do que aconteceu esta semana, Zelensky sublinhou ainda a importância de o processo de negociação decorrer na Europa. Acredita que é muito relevante. Diz mesmo que, com todo o respeito ao Médio Oriente e a outros países, se a guerra está a acontecer na Europa, é preciso encontrar um lugar e fazer com que os europeus sintam que isto é uma agressão contra a Ucrânia e contra o continente europeu.

António Costa acredita na adesão da Ucrânia à União Europeia a curto prazo, mas Diana não aponta datas.

Sim, uma vez que o processo, diz o presidente do Conselho Europeu, faz parte do próprio caminho de paz. Diz António Costa que ninguém compreenderia que não se chegasse a um acordo por falta de entendimento no processo de adesão. Por isso é preciso trabalho e muito. No entanto, é irrealista afirmar que a perspectiva de adesão da Ucrânia à União Europeia vai acontecer a curto prazo.

Os drones kamikaze ucranianos estão a ampliar a lista de alvos na Rússia.

Não estão apenas a atingir a infraestrutura energética do Kremlin. Agora têm também como alvo a rede eléctrica, o sistema de aquecimento público, as plataformas de lançamento de drones e as defesas aéreas. A longa campanha de bombardeamento de drones kamikaze de Kiev contra a Rússia expandiu-se, passando de ataques focados, principalmente em instalações da indústria de petróleo e gás, para uma lista de alvos que inclui ainda, além daquelas que já disse, bases militares e depósitos de munições, além de unidades russas individuais que lançam drones ou mísseis contra residências e empresas na Ucrânia. Foi o que apurou uma análise de dados de ataques feita pelo Kyiv Post.

O ritmo dos ataques de drones ucranianos contra a Rússia também está a acelerar.

Sim, em janeiro e fevereiro, os drones ucranianos realizaram mais de 240 ataques contra alvos importantes na Rússia ou em território ucraniano ocupado. As instalações da indústria energética russa, como refinarias de petróleo, plataformas de perfuração offshore, estações de bombeamento de petróleo bruto e reservatórios de combustível, foram alvos frequentes de drones de ataque de longo alcance ucranianos no ano passado. Cerca de quatro em cada cinco ataques entre julho e dezembro foram distribuídos entre 120 e 150 incursões aéreas distintas direcionadas a esse sector. É o que mostra uma análise também do Kyiv Post.

É o ponto final na guerra traduzida. Está de regresso amanhã.